Denim em manifesto anti-consumo é o tópico de Vivienne

Vivienne Westwood começou sua apresentação em uma igreja antiga que abriga concertos e performances de música clássica. Um tom dramático bastante adequado para servir de cenário para a sua coleção de Inverno 2019 (equivalente a 2020), que veio permeada por diversas mensagens e falas de manifesto.

O casting incluiu ativistas, e abordou questões como taxações desiguais, democracia, desigualdade, verdade e ignorância. Mas principalmente, o próprio consumismo que move a moda, colocado como inimigo cultural. “Buy less, choose well, make it last” – em tradução livre: compre menos, escolha melhor, e faça durar. Com esse lema, Vivienne sinalizou o quanto a moda deve seguir para caminho do consumo e da produção consciente, com bens e estilos planejados para apresentar uma longevidade maior.

Pinóquio foi personificado por algumas modelos, para sublinhar o tom de crítica e o clima de manifesto da apresentação. Moletons retorcidos em blusas de um ombro só, coroas em tons de neon, xadrez com pegada punk e visual street permearam a apresentação.

O denim foi um material presente no mix, interpretado em aspecto manchado estilo parede descascada. Também no visual do vestido chemisier, carregando acusações, relacionando tarifas com roletas e jogatinas de azar.

Combos também foram contemplados, diferenciados por texturas. Como sempre Vivienne explorou o excesso, o hibridismo. E acima de tudo, a atitude; ao reafirmar mudanças incontestáveis no mercado da moda, que estão por vir.

Fonte: Vivian David | Fotos: Giovanni Giannoni