Denim entre o punk e a leitura de relíquia são o tópico de Andrew Gn

Códigos da indumentária punk associados à vestimentas da época da revolução francesa. Em alguns momentos lembrando vestidos de casamento de outros tempos; em outros, um visual agressivo para a madame chic. Spikes em detalhes de ombro e mangas contrastando com a delicadeza de babados plissados sem acabamento foram alguns dos recursos adotados por Andrew Gn na temporada ready-to-wear apresentada em Paris. Na coleção, que girou em torno do aspecto do denim amaciado, o índigo foi completamente afastado da sua leitura street para uma estética passarela extremamente feminina.



Como recortes de outros tempos, Andrew apostou em desenhos princesa e silhueta sereia romantizando saias longas e midi. No outerwear confeccionado em denim, predominaram as jaquetas ajustadas, mesclando a delicadeza de babados curtos e plissados, com assimetrias e pences curvas destacando a silhueta feminina. Uma linda estética para inspirar as marcas que não trabalham com denim nos moldes do segmento jeanswear, mas sim como um tecido de qualidade em si; e focam a mulher madura e elegante. Também um rico repertório de formas para referenciar o mix de vestidos e saias, que deverá ser bem mais numeroso no Verão 2018 nacional.



Além dos combos de jaquetas e saias criando leituras de vestidos relíquia, Andrew Gn trouxe versões delicadas de shorts e moletons denim, trabalhados por decotes v decorados por tiras cravejadas de spikes, criando estruturas altivas para o busto feminino. Com os mesmos artifícios, valorizou a nudez indireta das costas em vazados decorativos.


Volumes bufantes e versões modernas para os ombros imponentes oitentistas também transcorreram na coleção, sempre optando pela base de delicadas rendas e transparências, que sublinharam a beleza da cartela branca da cabeça aos pés, e total black na estação. Mais do que sugerir formas extremamente femininas para a estação, as interpretações de Andrew Gn endossaram a tendência de expansão da aplicação do material denim, nas marcas de moda que cultuam o luxo, e que não cultivam qualquer pretensão de projetar a cultura do jeans em suas coleções.