Denim real interpretado com individualidade por Rachel Comey

Uma apresentação que transcendeu a ideia de propor design, para apresentar novas e

contemporâneas convicções; entre elas a ideia de individualidade e da realidade como o

melhor cenário a ser validado pela indústria da moda. Para Rachel

Comey, mulheres interessantes não tem cor, raça, altura e principalmente: não são definidas pela idade. E é claro, dentro desta proposta, o denim, por ser a

linguagem mais democrática da moda, foi um material destaque trabalhado na coleção.



Ao invés da apresentação das modelos isoladas e devidamente cronometradas em um

line-­up, Comey proporcionou a apreciação de toda a coleção, com a exposição em

massa de todos os itens ao mesmo tempo vestindo diferentes personagens. Estes, por

sua vez, não refletiam padrões de beleza estética, mas pluralismo de

fisionomias e gerações representado na atitude altiva de dançarinas de diferentes etnias.



O denim veio composto por peças de fácil coordenação, em itens que

vestiram de forma única diferentes silhuetas, atitudes e aparências. Quase sempre

provocando um efeito esguio e destacando o sentido vertical, as peças prolongaram

comprimentos, exploraram cortes retos e efeitos como batik e cut off em bermudas e

blusas extremamente simples. Amassadinhos e stone-wash prevaleceram no visual

índigo, que também adotou o patch, porém na forma conceitual de círculos, aplicados

em vestidos com jeitão de t-­shirt. Conforto e autenticidade imperaram como palavra de

ordem.



A pantalona veio mais criativa, em cintura estilo clochard e recortes

quebrando e relaxando a própria fisionomia. Um estilo que também migrou para o mix de

bermudas produzindo variações maduras para a peça, lembrando o efeito de saias com

volume de cone, porém concentrando elementos como pregas e amarrações no cós para

refinar a leitura final. A girlfriend sequinha e o chambray também foram destaques da

coleção, sempre em itens de coordenação elementar e efeito elevado no look, como a

fusão do chemisier com a fisionomia da regata.



Do desfile de Rachel Comey, destacamos não apenas o sortimento de peças leves em

chambray, os quais resultaram em looks de efeito renovador e

extremamente comerciais, além do denim maduro como como uma importante

referência; mas acima de tudo chamamos a atenção para o direcionamento de uma nova

visão de moda evidenciada pela marca. Nesta nova visão que se desenha, trabalhar em

cima de um mix fundamentado na realidade e na individualidade, é

percebido como o mais poderoso valor imaterial e argumento de produto a ser colocado

para o mercado.