Jeans e sarja ganham destaque nas passarelas de inverno 2015

Na última edição da Casa de Criadores, que aconteceu entre os dias 27 e 30 de outubro, o jeans, a sarja e o brim apareceram de maneira considerável nas coleções. A Vicunha Têxtil apoiou os estilistas Luiz Leite, Arnaldo Ventura, Gralias, Jadson Ranieri, Rober, Igor Dadona, Raphael de Bei, Rafael Caetano, Gabriela Sakate e Karin Feller. Cada um com propostas bem diferentes e que trouxe ao evento, como de costume, uma pluralidade de tendências e referências.

Luiz Leite

O grande destaque para o jeanswear foi o desfile do Luiz Leite, que dedicou sua coleção masculina inteiramente ao denim. Rasgos, puídos, esbranquiçados, jeans sujos e com aparência vintage foram as apostas do designer. Uma forte referência anos 90, em looks total denim.

Karin Feller

No mesmo dia, Karin Feller apresentou sua coleção criativa e comercial, que estará à venda em lojas físicas e online, como Gallerist e Dafiti, para o inverno 2015. O ponto de partida dessa coleção foi a arquitetura das cidades grandes e seus prédios em contraponto com as características típicas de casas do interior. As estampas vão desde padronagens geométricas e abstratas até temas literais de pássaros e flores. O trabalho manual aparece nos crochês e bordados, feitos pela designer têxtil Marie Castro.

Rafael Caetano

Já a coleção de Rafael Caetano, que apostou muito nas sarjas, trouxe o universo do escotismo para a passarela com uma interpretação bem conceitual. Dos escoteiros, foram extraídos elementos concretos como as próprias insígnias, a casa, e o ambiente que os reverbera, e outros mais abstratos, como a honra, a procura de sentido e a luta por um ideal. Com silhuetas curvas, as peças são compostas pelas cores vinho, terra, bronze, branco e nude.

Gralias

A dupla Julia Guglielmetti e Grazi Cavalcanti, da Gralias, marca destaque que esteve presente na última edição da Colombiatex, apresentou uma coleção, como sempre, bem colorida e que preza a mistura de tecidos e estampas. Utilizando como referência o transtorno dos acumuladores, as peças da coleção vieram em shapes amplos e com muito trabalho de superfície, como pedrarias e linhas.

Rober Dognani

Rober Dognani por sua vez fugiu do colorido e apresentou uma coleção total black. A história é sobre uma tribo de nômades góticos que viaja o mundo. O clã é urbano, mas não se restringe aos guetos, transitando do underground ao mainstream, em todos os cantos do planeta. O estilista dá continuidade ao trabalho iniciado na temporada passada e amplia a utilização do látex.

Construídos a partir do trabalho de moulage, vestidos, blusas, saias, tops e calças ganham forma com a combinação de tecidos como mousseline, tule com elastano, tricô, jeans, malha, renda e couro. Máxi saias, vestidos esvoaçantes, transparências, sobreposições e o contraste de volume com fluidez pontuam o inverno de Rober Dognani. Destaque para o minucioso trabalho feito em plissê e para a base de t-shirt, que aparece não só em versão box como em vestido. Nós pés, sandálias em couro e botas em jeans com amarrações.

Igor Dadona

O preto e branco tão característico das coleções de Igor Dadona, para o inverno 2015, foram complementados por tons de grafite, rosa claro e laranja. A coleção aborda o aprisionamento não só físico como também emocional. “Além de um sentimento de sufoco, de certo desespero, falo também da delicadeza, da vulnerabilidade e da esperança de liberdade que cada prisioneiro carrega em si”, explica o estilista. As estampas, feitas à mão, remetem às tatuagens de presídio. A sarja Cher, o couro, o veludo e a lã foram os tecidos base para formar essa coleção, que contou também com estampas feitas à mão pelo ilustrador Luan Mello.

Raphael Debei

O estilista Raphael Debei trouxe uma moda masculina com fortes referências da alfaiataria, com toques de workwear anos 80. “Procurei misturar peças de trabalho com alfaiataria. Durante o desfile, eu conto a história de um homem que largou tudo para tentar a vida na Serra Pelada”, conta o designer. A história é contada através da modelagem ampla e das cores, em tons de verde, areia, marrom, dourado e vermelho.

Jadson Ranieri

O estilista Jadson Ranieri teve como objetivo sanar sua vontade de streetwear ao criar sua coleção que mistura sportswear com alfaiataria. “O amadurecimento me deu uma vontade de roupas mais reais, usáveis e que pudessem ir da passarela direto para as ruas”, disse ele ao site Pure Trend. Uma coleção comercial e prática, mas que não perde a criatividade e o apelo singular do designer. O trabalho de estamparia tem como referência a população andina e suas estampas étnicas. Os tecidos são plurais, com peças em crepe, neoprene, tricô, sarja, entre outros.