Ronaldo Fraga traz Candido Portinari para a atualidade

Normalmente, as marcas contam uma história na passarela apresentando suas coleções dentro de um contexto, uma inspiração e muitas tendências. Ronaldo Fraga conta uma história e ainda deixa uma mensagem.

Um dos poucos sobreviventes da São Paulo Fashion Week – muitas outras grandes grifes e designers saíram do line up do evento – , Ronaldo pesquisa, cria, inventa e deixa sua marca. Suas criações se mantém registradas na memória de cada pessoa que admira sua moda, que respeita o meio ambiente, a mão de obra artesanal, as diferentes etnias, classes sociais e gêneros.

Dessa vez Cândido Portinari e, mais precisamente, suas obras “Guerra e Paz” serviram de referência para o estilista que transportou os protestos do pintor para os dias atuais. Toda a ornamentação, bordados, estampas com estilhaços, desenhos, rabiscos, brilhos, aviamentos e elementos de styling como capacetes de guerra e a pomba da paz, refletem toda a crítica ao governo e suas decisões antiquadas.

As modelagens são sempre amplas, em vestidos, saias e calças com lindas construções em patchwork em sarjas e denins leves, diferentes lavagens, além da mistura de tecidos e tons. O jeans bruto com fibras nobres, aspecto suave e brilho também surge na passarela com interferências como placas furtacor que lembram os estilhaços de balas de revólveres, aplicações de tecidos e paetês, além de transparências.

Babados, amarrações, amassados e cortes enviesados também chamam atenção. Já as listras ganham um mix de cores super criativas. Figuras geométricas e camuflados surgem em novos formatos para os looks femininos e masculinos. Ainda para os homens, conjuntos no denim com tencel e, viés colorido, além de camisas com mangas ou barras desfeitas, silks e aplicações e na bata com a mistura do linho.

Fonte: Vanessa de Castro | Fotos: Agência Fotosite