Tecnologia e denim original permeiam o Inverno 2018

Aconteceu na semana passada a 42ª Casa de Criadores, na Praça das Artes, em São Paulo, a segunda edição comemorativa dos 20 anos de trajetória do evento. Confira as principais coleções que apresentaram o jeanswear com foco nas sarjas empapeladas com aspecto de nylon em tons fortes e no denim bruto, original, puro, em novas construções.

Mais uma vez a Vicunha apoiou vários marcas e estilistas destacando os tecidos tecnológicos como a sarja Tech, da linha Ripell Collor que protagonizou inúmeras coleções e ganhou forma em criações variadas, do surfwear ao streetwear. Já o denim continua entre as principais apostas dos estilistas e apareceu nessa edição em diferentes versões, de looks desconstruídos com o tecido no avesso a silhuetas oversized com pegada genderless. Destaque para os artigos 100% algodão Tasmania, que confere um ar authentic denim aos looks, e para os índigos eco-friendly Wild e Life, da aclamada linha Eco Recycle.

DIEGO FÁVARO

Com acabamento especial que confere ar tecnológico aos looks, a sarja Tech foi a grande aposta da coleção Haters Gonna Love Me, que trouxe para a passarela a discussão sobre o cyberbullying. Shapes com pegada esportiva e urbana reforçaram o utilitarismo das criações, como o macacão futurista que abriu o desfile. “Escolhemos o Tech para representar as roupas antirradiação. É um tecido que nos permite criar sem limitações, além de nos dar a estrutura necessária para a peça” explica Fávaro.

OCKSA

Com mood místico, a marca de Igor Bastos apostou em uma cartela de cores sóbrias, com sarjas em tonalidades escuras. Para os shapes relaxados, destaque para os brins Ellie, com aspecto de jeanswear, e o elastizado Comaneci, com conforto e toque suave proporcionados pela tecnologia Special Touch®. O artigo Barbara também apareceu na passarela, com visual rawe cor intensa.

D-AURA

Em seu début na Casa de Criadores, a coleção ousada de D’Aura teve como foco o brim Tech. Na cor branca, a sarja tecnológica e versátil foi base para vestidos, jaquetas e calças desenvolvidos em moulage e com toque de alfaiataria.

ACRVO

A coleção intitulada INSIGHT, dos estilistas Hugo e Lucas, veio recheada de estampas autorais e aplicações em patches, características que seguem fortes na identidade da marca. Com looks de inspiração anos 80 e um mix de silhuetas amplas e justas, os mineiros apostaram nas sarjas Bardot, com brilho natural e ideal para peças rentes ao corpo, e Cher, com acabamento encerado que confere ar elegante de couro às peças. O Tech também apareceu nas passarelas da dupla, com criatividade e customização.

CAROLINE FUNKE

Inspirada em uma temática infantil e surrealista, Caroline Funke abusou da camisaria e shapes de alfaiataria com tecidos nobres da Vicunha. A estilista criou looks com sarja leve e agradável que proporciona frescor ao corpo, ideal para silhuetas amplas e elegantes.

BEN

Conhecido por suas criações com inspiração no sportswear, Leandro Benites flertou com a alfaiataria, apresentando criações elegantes e uma cartela de cores sóbrias com tecidos como o brim Luca, elastizado de estrutura leve e fluida, ideal para camisaria. Tech, sarja que virou tendência nas passarelas dessa temporada, também apareceu em acessórios do estilista.

DIEGO GAMA

A marca homônima que estreou no projeto LAB trouxe para o evento sarjas trabalhadas em uma cartela de cores terrosas, explorando a textura do solo. O estilista, que se inspirou nas relações humanas para seus looks, abusou de modelagens confortáveis nos brins Cher, de acabamento resinado, e Andrews, com leve brilho acetinado e o conforto do stretch.

ROCIO CANVAS

Com o tema “Já virei parte da mobília”, Diego Malicheski explorou o universo décor e a arquitetura em suas criações. Com peças elegantes e silhuetas amplas em alfaiataria, a marca levou para a passarela looks pontuados pelo P&B. “Escolhi o artigo Lina, na cor off white, para desfilar o conceito confortável e arquitetônico. O caimento armado do tecido conferiu toda a estética que buscamos para os shapes do Inverno 2018″, conta o estilista.

ISAAC SILVA

O estilista baiano investiu nas discussões em torno de questões raciais como ponto de partida para suas criações, destacando o empoderamento da mulher negra. Com versões que traziam o artigo no avesso, os denins sustentáveis Wild e Life, da linha Eco Recycle, foram mesclados a tecidos étnicos importados da África, ganhando destaque em peças folgadas e cheias de babados. “Nessa coleção apostei em silhuetas e modelagens da moda afro-brasileira, que é um movimento que está acontecendo no Brasil com muita força” complementa o criador.

HELOÍSA FARIA

Os artigos Tech e Cher foram a escolha para a coleção da estilista, que abordou o tema “Deslocamento” a partir de uma leitura romântica e elegante. “Eu apostei em tecidos que tivessem uma aparência impermeável, como a estética de uma capa de chuva, por exemplo, e em muitos acessórios como chapéus, lenços e galochas”, explica a estilista.

MARTINS.TOM

Com coleção genderless inspirada na cantora Clara Nunes, Tom Martins debutou na Casa de Criadores destacando suas peças amplas e alongadas que apostam no conceito de tamanho único. Carro-chefe de suas criações, o jeanswear apareceu no visual authentic denim, com destaque para o denim Tasmania, artigo clássico de composição 100% algodão.

CARTEL 011 POR CRISTIAN RESENDE

Ney Matogrsso inspirou a coleção idealizada por Cristian Resende, que transferiu para suas criações a essência livre, leve e cheia de atitude do artista. Com roupagem contemporânea e urbana e um contexto politicamente incorreto, os looks ganharam vida em tecidos como a sarja Ypoá, ideal para shapes de alfaiataria, e o brim com mini estampas florais, que apareceu em modelagens maxi e desestruturadas.

IGOR DADONA

Em sua coleção inspirada no tema “Caça às Bruxas”, o estilista apostou em sarjas resinadas e acetinadas, evidenciando ummix de texturas e gramaturas. Tech, de estética leve, e Kidman, brim com visual refinado, estão sempre presentes em suas criações.

NERIAGE

Íris é uma continuação da coleção de estreia da marca, da estilista Rafaella Caniello. Com um ar poético e feminino, plissados, aplicações e tecidos naturais rechearam os looks da estilista. Os brins White Jeans, Jerry e Husky, nas cores bordô e azul, apareceram em casacos e calças com modelagens delicadas e amplas. “Eu gosto muito de brincar com a gramatura dos tecidos. As sarjas Vicunha, que se misturaram a peças e acabamentos em cetim, finalizam em um mix perfeito para essa coleção” afirma.

BRECHÓ REPLAY

Em sua estreia na Casa de Criadores, Brechó Replay fechou o evento com uma performance recheada de beleza gráfica. Os artigos Madrid, elegante e de aspecto despojado, e Tech, ideal para looks do sportswear, apareceram em modelagens provocativas e inovadoras. “A coleção é inspirada em um musical chamado contracultura, dividido em 3 atos. No 2º, usamos tecidos Vicunha nas jaquetas oversized criadas em parceria com Tom Martins,” conta Eduardo Costa.

FELIPE FANAIA

O estilista trouxe uma uma tribo de surfistas havaianos da década de 90 que precisou abandonar as águas e se adaptar as selvas de pedra, fugindo dos ataques de tubarões. Tiveram que adequar todo o seu guarda-roupas sem perder a essência do Surf! Os tecidos mais usados foram o Neoprene, nylon e os jeans metalizados feitos em parceria com a Vicunha, nos pés os tênis da Pace.

FONTE: Vanessa de Castro | Fotos: Marcelo Soubhia/FOTOSITE