12 inovações para pensar em sustentabilidade | Guia JeansWear

12 inovações para pensar em sustentabilidade

Um estudo publicado pela Cradle to Cradle Products Innovation Institute – uma organização sem fins lucrativos dedicada à sustentabilidade – enumerou 12 desenvolvimentos no âmbito da sua iniciativa Fashion Positive, em parceria com a Fundação H&M.

Foram mais de 40 candidaturas de projetos inseridos no Emerging Material Innovator Report, e após avaliação, foram selecionados com base na probabilidade de cumprirem as exigências do nível ouro (o quarto mais elevado) da certificação Cradle to Cradle, cujos critérios levam em conta a saúde humana e o meio ambiente, possibilidade de reciclar, utilização de energia renovável, gestão de carbono, contenção de uso de água e justiça social, com os materiais usados pensados para se manterem em um ciclo perpétuo de utilização e reutilização.

Aliado a isso tudo, cada inovação deve representar uma alternativa a uma série de categorias de materiais, incluindo fibras técnicas ou biológicas, corante/pigmento, acabamento, fecho ou linha de costura. Uma outra exigência do projeto é que a proposta tem que poder ser aplicada a uma vasta gama de produtos têxteis e de moda, para permitir um impacto em escala, representar uma oportunidade para resolver um desafio material da indústria, revelar um elevado potencial para eliminar químicos tóxicos e para reutilização de materiais e necessitar do apoio de um investidor para atingir a escala de produção comercial.

Os primeiros 12 projetos que cumpriram com os critérios estabelecidos e foram selecionados pela Fashion Positive e pela Fundação H&M são: seda de banana, fibra de urtiga dos Himalaias, pele falsa Malai, fibra de biopoliéster, fibra biodegradável de Calotropis Procera, o couro não-animal, corante/pigmento IndiDye, pigmento biodegradável, tingimento de algodão com solventes, membrana/revestimento Dimpora, revestimento autorreparador e fecho Klos.

Saiba um pouco mais sobre cada um deles:

Seda de banana

A “Sustainable Textiles Supply Chain” focou em fibras obtidas a partir de resíduos, como a seda de banana, produzida 100% a partir de fibras do caule da bananeira. Ao juntar tecnologia ancestral e contemporânea, os engenheiros indianos desenvolveram máquinas inovadoras de extração de fibras para criar seda de banana sustentável, de elevada qualidade e biodegradável.

Fibra de urtiga dos Himalaias

A urtiga dos Himalaias é uma fibra natural e sustentável extraída de uma variedade de urtigas que crescem nas florestas montanhosas dos Himalaias. Trata-se de uma fibra longa, resistente, sedosa e brilhante e destaca-se pelo seu núcleo oco, que lhe confere leveza e propriedades térmicas. A planta é colhida anualmente pelos agricultores de subsistência dos Himalaias fora da época normal de colheitas. A “Himalayan Wild Fibers” usa um processo próprio de extração e segue práticas sustentáveis para extrair e processar a fibra.

Pele falsa Malai

O Malai é um material biocompósito fabricado a partir de celulose bacteriana e fibras naturais. É durável, flexível, resistente à água e 100% biodegradável, podendo ser customizado em folhas, padrões ou até moldado, sem costuras, em formas tridimensionais.

Fibras de biopoliéster

As fibras de biopoliéster completamente biodegradáveis da “Mango Materials” são uma alternativa sustentável ao poliéster à base de petróleo e podem ser combinadas com outros materiais têxteis de origem natural. As fibras são obtidas a partir de resíduos de metano, usando um processo bacteriológico natural.

Fibras biodegradáveis de Calotropis procera

Produzida pela “Migo Ranch & Farms” a partir da Calotropis procera (conhecida também por bombardeira, algodoeiro de seda ou rosa cera), que cresce naturalmente em zonas áridas e semiáridas, a fibra é naturalmente biodegradável com características entre o algodão e a seda. Pode ser combinada com outros tipos de fibras para criar uma fibra diferente com propriedades únicas.

Couro não-animal

A “Modern Meadow” é uma empresa de bioengenharia para a criação de materiais avançados a partir de colágeno não-animal, que tem como meta trazer uma nova categoria de materiais para o mercado. O processo ainda está em desenvolvimento, mas a empresa afirma que terá vantagens em termos de utilização de solo, água e emissões de CO2.

Corante/pigmento IndiDye

A “IndiDye” utiliza uma tecnologia de tingimento patenteada que combina corantes naturais à base de plantas com um processo ultrassónico de tingimento de fibras que consome pouca água, não recorre a químicos perigosos e não produz águas residuais. As fibras não são branqueadas antes do tingimento, o que poupa água, energia e o uso de agentes de branqueamento perigosos. Os fios melange resultantes são 100% biodegradáveis. O tingimento ocorre ao nível da fibra, em que o corante e a fibra são expostos a ondas de pressão ultrassónicas que empurram os pigmentos de cor para o núcleo da fibra.

Pigmentos biodegradáveis

As bactérias que produzem pigmentos da “Faber Futures” são cultivadas diretamente no tecido, reduzindo significativamente a utilização de água, bastando 200 mililitros para tingir uma t-shirt. Os padrões e estampados com solidez de cor podem ser criados sem a utilização de químicos perigosos, que são muitas vezes necessários e usados durante o ciclo de tingimento. Os padrões e estampados podem ser controlados com recurso a uma seleção de ferramentas e protocolos próprios.

Tingimento de algodão com solventes

O “Instituto de Investigação de Têxteis e Vestuário de Hong Kong” desenvolveu um método de tingimento com solventes para fibra de algodão que envolve a utilização de um sistema de emulsão com solventes “verdes” a base de silicone como meio de tingimento. Este método não só produz tecidos tingidos comparáveis aos obtidos com métodos convencionais, como também poupa 90% de água. As águas residuais são mais fáceis de tratar porque a fixação do corante acontece na ausência de sal.

Membrana/revestimento Dimpora

Uma membrana funcional com mudança de fase para vestuário e calçado que é fabricada com materiais “amigos” do ambiente, que podem substituir os químicos perfluorados perigosos. A membrana mantém o utilizador seco e, ao mesmo tempo, é permeável.

Revestimento autorreparador

O Tandem Repeat é um revestimento biodegradável autorreparador pensado para minimizar a poluição causada pelo plástico. O revestimento, quando aplicado a um tecido, aumenta a sua vida útil e integridade. É fabricada a partir da proteína nos anéis de dentes dos tentáculos das lulas e é completamente natural. A proteína é dissolvida num ácido ou num solvente orgânico e aplicada nos têxteis através de spray ou de um processo de imersão no revestimento. Estudos iniciais mostram que a libertação de microfibras pode ser evitada com a aplicação deste revestimento no têxtil.

Fecho Klos

A Zipr Shift produz o Klos, um fecho inspirado na natureza que mimetiza a espinha para conferir propriedades essenciais para um fecho flexível, durável e hermético. Os fechos podem ser feitos de qualquer material rígido ou flexível.

Fonte: Portugal Têxtil | Fotos: Reprodução

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