A indústria 4.0 no setor têxtil e de confecção avança no mundo

Brasil, Itália, Suíça, Alemanha. Em que cada um desses e outros países têm avançado quando o assunto é indústria 4.0? Esse foi o ponto principal do último painel do Congresso Internacional Abit 2018, que foi debatido por especialistas nacionais e estrangeiros.

Bruno Jorge Soares, coordenador do Programa de Indústria 4.0 da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), destacou que a entidade tem a estratégia de transformar a indústria de hoje e criar a do futuro. Com esse direcionamento, já desenvolveu em parceria com a Abit, em 2015, o projeto “Confecção do Futuro” e a empresa Sol Paragliders foi selecionada como “business case” para tecnologias e processos de produção. Ele também comentou como a ABDI tem atuado tem atuado diante os desafios para a indústria. “Temos hoje um projeto com investimento de R$ 3 milhões, incluindo 10 fábricas do futuro (testbeds), com processos de produção e validação de tecnologias”. E já temos um novo processo para empresas, com inscrições abertas no nosso site”, anunciou.

Os impactos da indústria 4.0 na educação foram considerados por Robson Wanka, gerente de Educação Profissional do Senai/Cetiqt, no Rio de Janeiro. Ele lembrou que a instituição lançou, em outubro de 2017, a primeira fábrica de confecção das Américas. Wanka e defendeu que automação deve ser vista como oportunidade. “Estudo recente do Fórum Econômico Mundial traz que a quantidade de empregos extintos pela automação será inferior aos criados por ela. Pensamento analítico e inteligência emocional são competências que ganharão protagonismo”, acredita ele. Entre iniciativas desenvolvidas pelo Senai/Cetiqt rumo à indústria 4.0, Robson Wanka destacou a realização do Master Business Innovation (MBI) com a participação de 32 empresas e entidades do setor. “Temos no nosso site um curso gratuito à distância, com 20h, desvendando a indústria 4.0”.

Na opinião do sócio da consultoria Gherzi, Laurent Aucouturier, a indústria 4.0 traz desafios e oportunidades. “Essas mudanças no nosso setor acontecem no aqui e agora”, complementou. O especialista da empresa dedicada à indústria têxtil e sediada na Suíça apresentou exemplos de projetos e programas já desenvolvidos em indústria 4.0 em países como Espanha, Suécia e Itália, entre outros. “Cada um desses países desenvolveu e lançou seus programas nacionais de pesquisa e aprendizado sobre o tema”, sublinhou. “As empresas Rieter, Benninger e Karl Mayer trarão soluções muito em breve. Elas já têm tecnologia avançada nesse assunto”, antecipou.

Da Alemanha, Yves Gloy, diretor da Área Científica do Instituto de Pesquisa Têxtil da Saxônia disse que o instituto atua arduamente no tema. “Trazemos inovação para o nosso cliente. Fazemos pesquisa, transferência de conhecimento e traduzimos em prática”, conta. Ele observa que é importante preparar as pessoas para as mudanças tecnológicas que estão por vir. “A população alemã está envelhecendo e precisamos preparar os jovens.Temos que treinar as pessoas e, para isso, precisamos da tecnologia”, salienta. “Quais são as qualificações do futuro? Vai haver uma mudança no perfil das pessoas e surgirão atividades mais complexas. As tarefas mais monótonas serão extintas”, afirma Gloy. O especialista apresentou cases de empresas que já usam tecnologias avançadas nos processos produtivos, mas adverte que ainda há muito a ser feito. “Buscamos soluções para um melhor resultado com qualidade em todos os níveis”.

Fonte: Redação | Foto: Ricardo Keuchgerian