Nova Era da Moda: SENAI CETIQT apresenta projetos focados na indústria têxtil sustentável

No último dia 22, alunos do SENAI CETIQT e empresários realizaram um encontro, na Unidade Riachuelo, onde apresentaram nove projetos de confecção e tecelagem, elaborados a partir do Projeto Biostartups Moda, uma parceria com o SEBRAE/RJ.

No período de seis meses, as equipes formadas por alunos e egressos dos cursos técnicos, e também das graduações de Design de Moda, Engenharia Química e de Produção, foram orientados para desenvolverem soluções ligadas a produtos inteligentes e resíduos têxteis"

O projeto foi criado buscando identificar soluções eco inovadoras para responder às tendências do mercado globalizado, aumentando a produtividade, a competitividade e a sustentabilidade da cadeia produtiva da moda. Os alunos receberam orientações tecnológicas nas plantas e laboratórios do SENAI CETIQT, o que enriqueceu muito o aprendizado e o desenvolvimento das futuras startups", afirmou o coordenador do projeto, Bernardo Queiroz.

Fabiana Pereira, coordenadora de moda do Sebrae/RJ, bate na tecla da necessidade de apoiar este tipo de trabalho, que precisa ser discutido nas universidades, e que é o grande desafio da indústria da moda. “Queremos fazer cada vez mais e melhor, sem causar tantos danos", comemorou.

Essa iniciativa se integra a um projeto do SEBRAE/RJ intitulado de “A Nova Era da Moda”, que incentiva práticas que proporcionem melhores relações com o meio ambiente. As inovações foram diversas, indo desde o desenvolvimento de corantes naturais a partir de resíduos vegetais, até a produção de revestimentos de pisos com o reaproveitamento de resina, fibra sintética e pneu.
Nina Braga, diretora do Instituto-e, uma das empresas parceiras presentes no evento, parabenizou o SENAI CETIQT pela iniciativa. "

A indústria têxtil gera um grande passivo ambiental, por isso, é tão importante que esses jovens, que estão começando a carreira, já comecem a pensar na sustentabilidade. Hoje é comprovado que 20% dos efluentes que saem das atividades industriais provém da indústria têxtil, então, usar tingimentos orgânicos e/ou naturais, por exemplo, é fundamental para diminuir esse índice e, consequentemente, esse passivo ambiental. É uma forma de incentivar uma indústria que é a segunda maior empregadora no Brasil", ressaltou Nina.

Após as apresentações, os produtos desenvolvidos foram expostos no hall do edifício José Alencar. Nesse momento, os alunos tiveram a oportunidade de explicar, mais detalhadamente, suas ideias para os investidores, que percorreram o espaço conhecendo de perto as inovações.

Nina Braga, que também é uma das mentoras do Programa de Mentoria do SENAI CETIQT, se disse honrada por ter contribuído com o projeto Biostartups Moda. "O que diferencia o SENAI CETIQT de outras instituições são esses programas e oportunidades que os alunos têm de colocar a mão na massa", concluiu.

As apresentações contaram com a participação de representantes de
empresas como DeMillus, DeLaurentis, Movin, Maria Filó, Pólen, Sai do Papel Incubadora, Toreg, Nidas e Firjan. A apresentação das futuras startups foi apenas o início das ações de empreendedorismo do SENAI CETIQT. Em 2019, a instituição investirá em novos projetos e continuará apoiando os grupos para que se tornem startups, por meio da incubação no Fashion Lab, que será inaugurado no próximo dia 12.

Abricó: O projeto tem o objetivo de produzir sapatos de maneira sustentável e ecológica, por meio da reutilização de pneus e outras borrachas, passando por processos químicos. Também é feito o reaproveitamento de tecidos e/ou couro para o cabedal.

Adere: Produzir pisos a partir da combinação de resina, resíduos de fibras sintéticas e de pneus, que já não fazem parte de uma cadeia produtiva, dando um destino sustentável e proporcionando uma pisada mais segura.

Arte Fato: Artefatos feitos com tecidos de origem naturais que necessitam de pouco beneficiamento e recebem um tingimento natural a partir de resíduos do café. Esse tingimento especial foi desenvolvido com reagentes orgânicos, como a oxidação de metais e materiais culinários, possibilitando mais uma forma de reaproveitamento com parafusos e placas enferrujadas.

Biocor: Produzir corantes naturais de qualidade com variedade de cores e alto valor agregado, a partir de resíduos vegetais coletados em hortifrútis. O resultando são corantes naturais de custo acessível a todas as empresas que queiram contribuir com a sustentabilidade e reduzir o impacto ambiental.

Green Palm:  O objetivo é produzir solados/palmilhas por meio de resíduos têxteis gerados pela indústria de moda. Desta forma, os produtos que seriam descartados são reinseridos no ciclo produtivo dando um novo fim aquela matéria prima que seria queimada ou jogada em aterros.

Helpet: Linha de roupas pós-cirúrgica para cães que possui ergonomia, modelagens adaptáveis e grades adequadas à espécie, melhorando o bem-estar e a recuperação do animal, facilitando assim a vida do tutor.

HTex: Desenvolvimento de um produto que tem a capacidade de ser repelente a água e aos mosquitos, dando assim características únicas.

Revert: Promove alternativas ecológicas para os excedentes têxteis de pequenas e médias empresas. Dentre os tecidos a serem recolhidos, está o algodão. Será realizado um tratamento bruto, desfibrilando e tecendo para formar outro tecido. Também serão agregados o poliéster e a poliamida, que receberão tratamento químico e injetando em moldes para confecção de aviamentos.

Rubber Boom: Criação de um novo produto que busca proporcionar outro fim que não seja o lixo para os calçados. Rubb é a mistura de alguns polímeros com a sola descartada desses calçados virando assim uma liga polimérica que tem propriedades parecidas com as da borracha, porém com características melhoradas como a durabilidade, a maleabilidade e a dureza, além de possuir um menor preço, sendo bastante atrativo no mercado.

Fonte: Redação | Fotos: SENAI CETIQT