Abit traz assuntos relevantes na 3ª edição do Congresso Internacional

A Abit promoveu entre os dias 17 e 18 de outubro, em São Paulo, a 3ª edição do Congresso
Internacional Abit onde durante dois dias foram discutidos assuntos relevantes para o setor.

O presidente Fernando Pimentel fez a abertura oficial do evento ressaltando aspectos
relacionados ao tema “Pessoas: transformando e sendo transformadas na era digital”. Pimentel
destacou a importância de qualificar e requalificar os indivíduos. “O evento é uma oportunidade
para discutirmos o futuro que juntos estamos construindo para o setor têxtil e de confecção”,
enfatizou.

Flavio Roscoe, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG)
afirmou que os dias atuais são desafiadores e merecem atenção. “Temos um grande desafio, pois
estamos em uma fase muito importante na história recente do Brasil. Temos uma oportunidade
de nos engajarmos na vida política brasileira e na transformação do nosso ambiente de negócios”,
frisou.

O ministro Marcos Jorge de Lima, do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços
(MDIC), ressaltou a necessidade de discutir as novas tecnologias e como as indústrias têm buscado
se adaptar ao novo cenário. “O MDIC tem uma série de ações para escalar o nosso parque
industrial para a indústria 4.0. Entre elas, o financiamento de projetos inovadores está no nosso
foco. Também zeramos o imposto de importação para robôs industriais (sem similar nacional)”,
apontou. “Desejo que o Congresso Abit traga contribuições para tornar a indústria cada vez mais
moderna e competitiva”, finalizou.

Estiveram presentes ainda o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, Juan Quirós, presidente da SP
Negócios, do presidente emérito da Abit e vice-presidente do CIESP, Rafael Cervone, que
representou a FIESP, entre outras autoridades.

A palestra de abertura ministrada pela sócia da consultoria McKinsey & Company, Ana Karina
Dias, trouxe o tema “Dogmas em risco: O futuro da força de trabalho em um ambiente de rápida
mudança”, abordando os resultados das pesquisas realizadas pela McKinsey. De acordo com a
amostragem, se toda tecnologia existente for automatizada, a ação impactaria em $ 14,6 trilhões
os salários e até 5% de profissões deixariam de existir. “Neste meio consideraremos que desde
operadores de máquinas de costura até designers de moda podem ser automatizados, esses
últimos com menor possibilidade”, afirma.

Outro ponto abordado por Ana girou em torno do perfil dos trabalhadores. “Existe um mito, por
exemplo, sobre os Baby Boomers não serem adaptáveis. Mas na realidade, muitos deles estão no
mercado para complementar a renda e querem flexibilidade para atuar”, desmistifica. O estudo
ainda detectou o crescimento da Gig Economy – economia baseada em curtos ciclos de trabalho,
utilizada principalmente por pequenas companhias. “Sabemos que até 2020, cerca de 40% dos
colaboradores atuará desta forma, como freelancers ou intermitentemente”, alerta.

O primeiro painel realizado no dia 17 de outubro e, moderado pelo economista José Mendonça
de Barros, revelou a importância da formação profissional na indústria 4.0.

Gustavo Leal, diretor de Operações SENAI (Departamento Nacional), afirmou que a educação de
qualidade será determinante nesse cenário de mudanças. “A falta do trabalhador qualificado
ainda é a principal dificuldade das empresas”. Segundo ele, o SENAI tem buscado ações
imediatas para mostrar para as empresas que a indústria 4.0 é factível. “Ela ainda é incipiente no
Brasil e isso tudo é muito pouco entendido pelas empresas: 42% delas desconhecem a importância
das tecnologias digitais para a competitividade da indústria e 52% sequer utilizam tecnologia
digital. Mas, no entanto, é preciso iniciar e o processo deve ser gradual”, argumentou Leal.

Priscilla Fialho, economista da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), enfatizou de que maneira as mudanças tecnológicas, a globalização e o envelhecimento da população poderão afetar as profissões futuramente. Nesse contexto, ela destaca a importância para a formação de adultos. “Aqui no Brasil, as instituições do Sistema S – SESI, SENAI,
SENAC, SESC, SEBRAE, além do Pronatec, a Rede Certific e a Escola do Trabalhador (Ministério do
Trabalho) atuam em diferentes plataformas”. De acordo com Fialho, as instituições de ensino
também têm o desafio de alinhar a oferta de cursos com a demanda do mercado. “É preciso
desenvolver um sistema capaz de identificar as necessidades de competências do país”.

Encerrando o painel, a especialista de Integração do BID, Ana Inés Basco, apresentou dados que
mostram que o Brasil está aberto a novas tecnologias. “Nossos estudos identificaram que Brasil e
América Latina pensam que os robôs são um perigo para a humanidade. Mesmo assim, os
brasileiros demonstram que estão abertos a novas tecnologias”, comenta. A educação surge como
um ponto forte para os dias que virão. “Cerca de 60% dos brasileiros acreditam que ela será
responsável pelos empregos do futuro”.

O segundo painel do dia, trouxe o tema a “Interação Academia Indústria no Desenvolvimento de
Ecossistemas de Inovação” onde foram discutidos assuntos como os estímulos mútuos para que
companhias e universidades realizem progressos na ciência e tecnologia em busca de solução para
problemas dos clientes e da sociedade.

Naira Bonifácio, vice-presidente SCI-BR Foundation, falou como a fundação quer criar um diálogo
possível para que o ecossistema da inovação seja cada vez mais viável para o mercado e para a
pesquisa. “Nós conectamos acadêmicos, cientistas e empreendedores. Além de levar a ciência e
novas tecnologias para fora do Brasil”, relata.

Como modelo de universidade que incentiva pesquisas e negócios, Anthony Knopp, diretor do
Programa de Relações Corporativas do MIT, contou como o instituto atua para a promoção da
ciência por meio do mercado. “Temos mais de 150 laboratórios e centros de pesquisas que giram
em torno de perguntas que não têm resposta”, revelou.

Para mostrar o vínculo entre empresas e academia na prática, Gabriel Gorescu, diretor de
pesquisa e inovação na América Latina da Rhodia, mostra como a indústria pode contar com a
colaboração de pesquisadores. “Temos convênios em universidades estrangeiras e hoje no Brasil
não temos isso, porém estamos trabalhando para isso. Um exemplo, é o desenvolvimento do fio
Amni Soul Eco, no qual contamos com o apoio da academia”, disse.

Gorescu ainda completa: “A interação com as universidades não precisa se dar apenas por bolsas
de mestrado e doutorado, podemos fazer convergências diferentes. Algumas missões podem ter
interesses em comum, como progresso cientifico e tecnológico. Uma dica: procurem nas
universidades competências complementares àquelas que a sua organização tem”.

Já o terceiro painel falou sobre a importância e maior produtividade do profissional que é feliz no
trabalho.

Segundo Grasiela Moretto, diretora Administrativa da Ufo Way Denim Brasil, sua empresa
proporciona mais do que um trabalho, e sim sonhos de vida. A empresária de Criciúma (SC)
enumerou ações desenvolvidas para fortalecer a relação com os trabalhadores. “As pessoas são o
nosso maior patrimônio. Precisamos oferecer serviço de qualidade e excelência para os nossos
clientes e são os colaboradores que fazem esse trabalho”, reforçou. “Na Ufo Way, trabalhamos na
valorização, no respeito ao colaborador, independentemente do cargo que ocupa. O colaborador
precisa se sentir dono de parte do seu negócio para se sentir engajado com o produto”,
complementou. “Como segurar os talentos na empresa? Proporcione um ambiente de trabalho
inspirador e feliz. Assim eles não irão embora na primeira oportunidade que surgir”, aposta a
executiva.

A importância da felicidade no ambiente de trabalho também foi enfatizada por Hassan Callegari,
gerente Comercial da Love Mondays. “Colaboradores infelizes produzem 40% menos. O
profissional feliz é mais produtivo”, declarou. Segundo ele, hoje as pessoas escolhem as empresas
em que elas querem trabalhar e a pesquisa por novas carreiras é feita pela internet.
“Identificamos que 80% das pessoas confiam em avaliações online”, cita Callegari. Na Love
Mondays, plataforma de informação sobre novas oportunidades de trabalho, os itens que os
profissionais mais elogiam são ambiente de trabalho, reputação da empresa, benefícios
corporativos, progressão na carreira e competência dos colegas. Já as maiores críticas são: salário,
falta de reconhecimento e de plano de carreira, liderança da empresa e falta de qualidade de vida.

Caio Infante, gerente Geral Latam/TMP Worldwide, também fez parte da discussão. De acordo
com ele, “as pessoas felizes no trabalho vão replicar essa experiência para outros”. E dá um
conselho aos empregadores: “tratar bem o colaborador é tão importante para seu negócio como
tratar bem seu cliente. Competir por talentos não é diferente de competir por consumidores”.
Entre os pontos que torna a empresa única, Infante atribui questões como a diversidade e
inclusão, a avaliação se o site de carreira promove uma imersão na marca empregadora e se os
líderes são capazes de fomentar a cultura da empresa, entre outros.

O último painel do dia tratou da transição do mercado de trabalho na era digital. Mario Conde,
líder de Prática de Digital da Bain & Company, apresentou dados que reforçam como o perfil da
cultura empresarial está sendo alterado. “Os três principais pilares atualmente são: mudança
demográfica, modelo organizacional e automação. Dentro desse contexto, nos próximos 20 anos,
o número de pessoas que vai entrar no mercado é de ¼ do que foi há duas décadas. Essa retração
será compensada pela produtividade da automação”, alerta.

O especialista expôs como as organizações que mais obtêm sucesso estão buscando um perfil de
time “ágil”. Isso quer dizer que os departamentos não precisam mais esperar o feedback de outras
áreas para prosseguir com uma determinada estratégia. “Essa definição traz muito mais resultado
e em cinco anos, os colaboradores atuarão em missões críticas multidisciplinarmente” ressalta.

Com uma pergunta pragmática, a gerente de DHO da Cedro Têxtil, Paula Pizzani, iniciou seu
painel: “Sabe por que o retrovisor é melhor que o para-brisa? Porque o caminho que vem à frente
é mais importante do que o ficou para trás. Dados revelam que 40% das empresas na lista da
Future 500 Companies de 2011 não existirão mais em pouco tempo”, adverte Pizzani.

A líder afirma ainda como a participação dos colaboradores é essencial para a existência e
longevidade da tecelagem. “Na Cedro, desde 2010, temos um programa de ideias. Registramos
mais de 19 mil sugestões vindas dos trabalhadores das mais diversas funções, principalmente da
área operacional. Essa política nos fez passar pela crise de 2015 imunes”, salienta.

Pensando no contexto digital e como o consumidor impulsiona as mudanças também do mercado
de trabalho, Paulo Correa, CEO da C&A Brasil, exibiu as ações realizadas pela varejista neste
sentido. “Estamos em um novo contexto, onde quem comanda é o cliente, além da relevância e da
velocidade. Para tanto, fizemos um experimento criando um verdadeiro squad com um time de
várias áreas focado na criação de coleções semanais. Essa ação gerou um outro nível de rapidez e
simplicidade na missão executada. Imagino que, em breve, as reuniões dessa equipe especial
contarão com a participação online em vídeo de fornecedores e terceirizados para ajustar detalhes
e facilitar ainda mais o processo”, disse.

Fonte: Vanessa de Castro | Foto: Ricardo Keuchgerian