Adriano Goldschmied traça trajetória de sua carreira profissional e o futuro do denim | Guia JeansWear

Adriano Goldschmied traça trajetória de sua carreira profissional e o futuro do denim

Grande profissional dentro do segmento jeanswear, Adriano Goldschmied contou sobre sua trajetória dentro do universo denim e abordou o futuro do mercado durante evento da Vicunha Têxtil, realizado em maio.

Sua primeira loja foi aberta em 1971 e seus jeans tornaram-se famosos através de celebridades como Brigitte Bardot. “Naquela época não havia stretch e muitas mulheres deitavam no chão para fechar o zíper”, relembra Adriano. Ele falou também que o jeans era muito diferente e não era elitizado, representava um produto de classe mais baixa.

Em 1978/79, fundou a Diesel e Genious Group e depois a Replay, que era dedicada às camisas. Adriano sempre investiu em design e inovações tecnológicas como a lavagem do denim reproduzindo em lavanderia o aspecto usado. Esse foi um dos grandes desenvolvimentos do jeans e os japoneses foram espertos ao recuperar teares antigos. Foi nessa época que surgiram os primeiros stone washeds, com pedras.

Em 1992, percebeu a importância do trabalho sustentável, evitando danos ao meio ambiente. Nesse sentido, buscou novas fibras como o tencel, consumindo menos água, produtos químicos e terra no plantio do algodão.

Já em 1996, surgiu a primeira linha sustentável na marca que leva seu nome, AG, em uma coleção de denim de luxo . Os anos 90 marcaram também o jeans hand made, que dependia da habilidade dos operadores e eram difíceis de serem repetidos. Hoje a tecnologia permite uma maior produção, em grande escala.

Entre 2000 e 2005 a sustentabilidade chegou ao seu amadurecimento. O stretch também foi muito importante, porém no início era limitado e o aspecto não era tão bonito. Depois surgiram tecidos com elasticidade extraordinária.

“A tecnologia mudou as regras do jogo ao realizar produtos mais consistentes, produtos sofisticados”, comentou Adriano
Em 2013 surgem estilos mais relaxados, sportswears e urbanos. Nessa época Adriano trabalhou numa nova concepção de tecido de cria o tingimento em máquinas circulares, tecidos de malha com super conforto, o atual denim com aspecto de moletom. As grandes empresas de esportes também invadem o denim.

De 2015 a 2017 essa questão da tecnologia tem papel fundamental no desenvolvimento de novos produtos e inovação, e não somente a preocupação com o meio ambiente, mas também com as condições de trabalho dos empregados.

A velocidade de informações colaborou ainda para que os consumidores mudassem de passivos para clientes com voz ativa, com vontade de dialogar com quem desenha e quem produz.

Principais Fits da Temporada

Adriano também listou as principais modelagens do mercado jeanswear que prometem estar em alta durante as próximas estações.

Em primeiro a skinny, uma novidade criada por Adriano e que faz parte do guarda-roupa de qualquer mulher atualmente. Agora ela vem com a cintura mais alta, que torna o jeans sexy e atraente. A mom jeans também faz sucesso com pernas menos justas. Destaque ainda para a straight leg, cigarrete e as croppeds – taperd e culotte. Segundo Adriano, shapes mais largos andam fazendo mais sucesso que as skinnies que vêm perdendo espaço dentro do mercado jeanswear.

Entre os tecidos, as coleções masculinas vêm ganhando cada vez mais stretch e as mulheres estão interessadas no denim pesado de 11, 12 e até 13 oz em construções diferenciadas em 3×1 com rings marcados.

Jeans adornados com bordados, tachas e estampas chamam atenção juntamente com o denim luxuoso. “Conseguimos levar o denim a esse nível nos desfiles. Não há uma coleção de Dior, Gucci, Balenciaga que não tenha uma forte presença do jeans. O artigo chega também à outras fronteiras com aspectos diferentes como a seda”, abordou Adriano.

Outra inovação dentro do segmento foi o Método de Trabalho, que passou por grandes transformações. Estamos na era digital, o mercado pede uma grande velocidade de produção e é preciso introduzir métodos diferentes que irão revolucionar os sistemas de trabalho. “Tecnologia e inovação digital são o futuro e irão mudar os processos em um caminho mais sustentável. Nós temos um lindo planeta, não vamos destruí-lo por causa de um par de jeans”, finaliza Adriano.

Fonte: Vanessa de Castro | Foto: Reprodução

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