Algodão orgânico e com certificação BCI em alta

Matéria prima principal da indústria denim e fibra mais amada da moda global, o algodão tem sido também o protagonista de uma guerra comercial entre os EUA e a China, a qual tem provocado queda nos seus preços de mercado, mesmo com a produção em crescimento. Porém, ao mesmo tempo em que existe essa previsão de retração no consumo, provocada pelo abrandamento da economia mundial, um cenário onde o algodão com origens mais sustentáveis, tende-se a valorizar e tornar-se alvo de cobiça para conversão em valor imaterial no setor de vestuário se anuncia.

Prova disso é o anúncio recente das empresas Walmart e Benetton, as quais divulgaram recentemente que tem como meta utilizar somente algodão 100% sustentável em seus produtos, até o ano de 2025. A justificativa, segundo as duas gigantes do varejo global, é justamente o impacto causado pelas plantações de algodão.

Para alcançar esta meta, as mesmas anunciaram que usarão apenas algodão orgânico, reciclado ou certificado pela Better Cotton Initiative – cumprindo aspectos como modo de produção sustentável, relações de trabalho sadias e cuidados com o solo, entre outros. Ponto para o Brasil, que o é o primeiro colocado em sustentabilidade na produção do algodão com esse tipo de certificação.

Já no contexto mundial, desde que a China implementou uma taxa retaliatória de 25% sobre as importações de algodão americano em julho do ano passado, observou queda de 44% nas suas importações provenientes do país, o equivalente a 868 mil fardos de acordo com dados divulgados pela Cotton Ink.

Uma dessas consequências, foi o beneficiamento em termos de volume, dos países com colheita mecânica de origens distintas dos EUA. As importações chinesas do Brasil e da Austrália, por exemplo, subiram 1,5 milhões de fardos em termos anuais no período – mais 396% e 153%, respectivamente.

Fonte: Vivian David | Foto: Reprodução