Alta dos tecidos funcionais eleva patamar da Techtextil no cenário global

Com um número recorde de expositores e nível de internacionalização mais alto por parte dos visitantes, as feiras Techtextil e Texprocess encerraram-se na última semana em Frankfurt, na Alemanha. E não foi a euforia marcante dos eventos de moda que definiram a relevância de ambas e sim, a proposta de focar em tecidos técnicos.

Ambos os eventos reuniram um total de 1.818 expositores, provenientes de 59 nações, contabilizando um aumento de 1,6% no portfólio em comparação com a edição de 2017. O nível de internacionalização, também foi sentido nos 47 mil visitantes provenientes diferentes 116 nações – duas a mais do que em 2017, quando foram registradas 114 diferentes procedências.

A feira agrupou uma curadoria de manufaturas de tecidos técnicos para os mais diversos setores, agrupando desde variedades para a indústria do vestuário e moda, até a mobília e produtos de couro. Ao invés de stands decorativos, os visitantes receberam muito conteúdo escrito e informativo para ler. Considerando que ao todo, os tecidos técnicos já contabilizam 17% da produção têxtil, a Alemanha consta na liderança em exportação mundial em vendas anuais pelo mundo neste setor.

O tópico sustentabilidade, vale destacar, teve protagonismo de ambas as feiras. A Techtextil e Texprocess realizaram uma abordagem sustentável dos expositores. Entre as iniciativas que sublinharam essa nova visão, destaque para o guia oferecido em separado, apresentando ideias e produtos com viés eco-friendly aos visitantes interessados.

Digitalização e sustentabilidade ao longo da cadeia têxtil foram os tópicos mais relevantes em ambos os eventos. A Texprocess, por exemplo, focou em soluções digitais para o setor, desde uma linha de produção com networking completo no formato de minifábricas, até máquinas auto-suficientes para cooperações baseadas na tecnologia de compartilhamento pela nuvem entre designers, desenvolvedores de produto, fabricantes e varejistas.

Tejidos Royo apresentou o ARMALITH®, um tecido feito de estrutura de algodão com fibra UHMWPE, o polietileno de alto peso molecular que se caracteriza pela alta resistência à abrasão e baixo coeficiente de atrito, geralmente usado em coletes anti-balas. Já o Oekotech mostrou uma nova variedade de tecidos feitos a partir de poliéster reciclado, algodão orgânico e poliamida reciclada, além de linhas com cortiça integrada nos filamentos. BASF colocou em foco tecidos metalizados para o segmento esportivo feitos com Elastollan (TPU – poliuretano termoplástico), caracterizado pela maciez, transparência e qualidade anti-inflamável.

Na Techtextil, fabricantes de roupas com tecidos funcionais e inteligentes integrando funções térmicas, luminosas ou sensitivas ganharam visibilidade, especialmente para os segmentos do esporte, moda, e roupas profissionais para o workwear. Companhias como Schoeller, Freudenberg e Lenzing, atraíram designers, diretores de produtos e compradores de fábricas renomadas como Mammut, Tommy Hilfiger e North Face com um portfólio seguindo tais moldes.

A integração da luz aos produtos têxteis, de acordo com evento, será extremamente comum em um futuro muito próximo. Estampas eletrônicas e fios elétricos conduzidos poderão ser integrados aos têxteis, com naturalidade se em problema algum, e de acordo com os dois eventos, em breve serão comuns no setor. Sequência luminosas em movimento em bolsas, jaquetas.

Pontos de luz discretos no underwear, de acordo com os eventos, também são uma tendência próxima. Amann, uma das companhias líderes na produção de fios, apresentou o Smart Yarns, os fios inteligentes que funcionam como sensores de dados e energia, com capacidade para por exemplo, aquecer e resfriar o tecido conforme as necessidades do corpo.

A exposição especial “Urban Living, City of The Future” apresentou inovações mostrando como os produtos têxteis e vestuário podem melhorar a existência humana no ambiente urbano, abordando desde a construção e arquitetura até a medicina e vestuário, em uma área de 500 metros quadrados. Este será o contexto, de acordo com a feira, que ditará o estilo das pessoas no futuro. Logo, representa também um novo ponto de partida realista e inevitável para a criação.

Fonte: Vivian David | Fotos: Reprodução