Anos 80 e desempenho definem tendências da Pitti Uomo

Roupas altamente funcionais, veganismo em evidência, avanços no sentido de um modo de fabricação cada vez mais limpo, e qualidades cada vez mais nobres intrínsecas nas roupas. Estes foram os principais apontamentos colocados para o Inverno 2020 pela Pitti Uomo, que aconteceu entre os dias 8 e 11 de janeiro, em Florence. Menos roupas expostas, foram compensadas por uma lista de funções cada vez mais extensa, qualificando cada item lançado. Some-se a isso a continuidade do olhar no passado voltado para a energia das cores e materiais remanescentes dos anos 80.

Em termos de visitação, a Pitti Uomo apresentou ligeira queda de 8% a menos de frequentantes domésticos, enquanto os estrangeiros – a maioria proveniente da Alemanha, França e Inglaterra – se mantiveram estáveis. Já no tópico design e mix ofertado, foram menos casacos de pele e trajes formais, e uma quantidade muito maior de jaquetas internas, casacos longos e parkas preenchendo os locais de destaque dos halls.

Os anos 80, como já mencionado, continuam como a imagem de uma das décadas mais atraentes para povoar o imaginário coletivo e se transformar em apelo comercial. Cores brilhantes, metalizados e superfícies lisas com logos evidentes caracterizaram o mix de diversas marcas, como Gas, Rifle, Replay e Canadian. O amarelo, por sua vez, foi o tom predominante da estação – do fluorescente ao ensolarado – permeando tanto produções monocromáticas completas, quanto contrastes de looks total black e grafite.

As coleções de jeans, em particular, foram marcadas pela divisão entre o visual clean altamente funcional; e a redescoberta dos estilos com inspiração étnica. Roy Rogers, por exemplo, apresentou uma coleção completa de peças mesclando o denim bruto ao nylon técnico, agregando assim funções altamente protetoras aos itens. A marca também apostou fortemente em uma oferta maior de coloridos nas coleções femininas. Já a Levis, apostou em jaquetas decorativas com franjas, patches em diferentes tonalidades e desenhos de jacquard.

Mas nem todo argumento direcional do Inverno 2020 vai ser relacionado ao visual. A estação destaca também, aquela novidade que é invisível a olho nu e precisa ser comunicada. Entre os exemplos colocados, a feira trouxe a marca Save the Duck, que colocou em evidência seu novo mix de roupas livres de produtos com origem animal, através do feito do alpinista vegano Kuntal A.Joisher, que escalou 8.516 metros vestindo a marca. Também a North Sails, grife que ofereceu um mix de jaquetas e bolsas confeccionadas a partir de velas de navios reciclados.

A lista continua com a Replay, que laçou uma linha eco-friendly: a Hyperfelex Clouds, uma seleção de five-pockets confeccionada com tratamentos especiais usando 80% a menos de água, substituindo o uso de permanganato, pedra-pomes e químicos por enzimas naturais. E finaliza com bons cortes italianos, ilustrados pela Stories Milano, que ofereceu a primeira jaqueta “made in Italy” biodegradável do mercado global. Confira nossa galeria.

Fonte: Vivian David | Fotos: AKAstudio