As mudanças que o consumo vai impôr à indústria denim

Sustentabilidade é um tópico que nunca vai perder importância – mas é também um daqueles que vive motivando mudanças na indústria da moda, e colocando-a em constante vigilância. O crescente surgimento de marcas sustentáveis é um indicador do aumento da consciência quanto a este tópico, e do chamado das pessoas e designers para que a industria da moda produza de uma forma diferente, dotada de maior transparência quanto aos processos de manufatura.



Durante o evento Panorama Berlim em Julho o painel de discussão “Share a Vision, Start Your Action” abordou este cenário atual, em um inspirador debate em busca de novas metas com base nos hábitos de consumo. Adriano Goldshmied; Marco Lucietti, diretor global de marketing da tecelagem Isko; Maria Giovanna Sandrini, diretora de marca e comunicação da Aquafil; e Fares Gabriel Hadid, diretor de vendas da feira Panorama; formaram o cérebro desta discussão.



A primeira reflexão coletiva, buscou medir o quanto as pessoas realmente se importam com o tema sustentabilidade. Adriano Goldshmied deu o pontapé inicial para a reflexão, afirmando o fator transparência como conduta chave deste contexto. Na contrapartida, Marco Lucietti lembrou que nem sempre é possível tomar tal caminho, justificando que o mercado devim, muitas vezes, força a adoção de outros meios.



Os hábitos de consumo dos Millenials entraram também em pauta. De acordo com Lucietti, trata-se de uma geração que fideliza-se com as marcas, somente quando se conecta a uma experiência diretamente ligada ao consumo. Porém de acordo com Adriano Goldshmied, este mesmo consumidor não está preparado para pagar mais. No que se conclui, de acordo com a reflexão do expert, que a sustentabilidade é a missão de quem produz – e não de quem compra. Investir em tecnologia e no barateamento dos processos do segmento é uma responsabilidade da indústria, afirma. “Se você tem uma visão correta o custo dos produtos sustentáveis é muito mais baixo do que o custo dos produtos não sustentáveis”, pontua.



Mas Maria Giovanna Sandrini somou uma perspectiva oposta, sinalizando que existe uma movimentação de mudança no comportamento de consumo das pessoas. De acordo a diretora de comunicação da Aquafil, os consumidores já mudaram sua visão e estão buscando mais por produtos reciclados e sustentáveis – dispostos a pagar um valor maior.



O grande alerta dos rumos que esta questão tende a tomar no mercado global, pode ser sintetizado pelas opiniões radicais e corajosas dos participantes. Enquanto Goldshmied definiu sustentabilidade como uma obrigação, enfatizando que o ideal é não oferecer nenhuma outra opção de compra que não seja a eco-friendly; Fares Gabriel Hadid apontou a redução do consumo como um caminho a ser considerado. Neste caso, quesitos como valor de produto, durabilidade, e processo de descarte tendem a assumir uma importância cada vez maior.

VIVIAN DAVID | FOTOS: DIVULGAÇÃO