As novas mudanças no mundo da moda discutidas durante o Brasil Eco Fashion Week

Durante a programação apresentada no Brasil Eco Fashion Week, realizado na semana passada em São Paulo, aconteceu a Mesa de Conversa – Panorama da Moda e o Momento de Transição com mediação de Luciane Robic do IBModa e participação do historiador e professor da história da moda, João Braga, Ana Sudano da marca Grama e idealizadora do evento, Gabi Mazepa da Re-Roupa e, a pesquisadora, Lilyan Berlim.

A conversa teve início com a apresentação do panorama do mercado de moda durante os últimos 20 anos: a tecelagem e a mão de obra empregada diminuíram pela metade, porém, as confecções se expandiram e pulverizaram, ao mesmo tempo em que a produtividade multiplicou por 4. A consequência desse cenário foi que o Brasil ficou mais competitivo e menos fechado, mudamos em qualidade de produto, no mix de oferta e a cadeia se integrou em todos os sentidos, mas principalmente na parte comercial.

Quanto à produção de vestuário, entre 2012 e 2016, caiu 7% em peças, mas com crescimento de 23,3% em valores nominais. Para 2017, as estimativas são de alta de 3,9% em peças e de 7% em valores nominais.

João Braga comentou sobre um termo alemão que pode ser sinônimo de moda – Zeitgeist – que significa o espírito de uma época ou sinal dos tempos. “Moda é uma constante mudança, ela está se adaptando e criando outros Zeitgeist”, afirmou João.

Segundo ele, sobre o viés histórico da moda, foi a partir da segunda metade da década de 80 que começaram a pensar sobre os cuidados com o meio ambiente quando aconteceu o acidente nuclear de Chernobil, em 1986, em seguida houve a queda do Muro de Berlim (89) e o movimento New Age. O início dos anos 2000 trouxe o conceito de sustentabildiade que atualmente está muito além da questão ambiental, mas também na ordem cultural, social, econômica.

Gabi, da Re-Roupa, contou um pouco sobre o seu projeto: Roupa feita de roupa, no mercado há 10 anos. “O Re-Roupa é uma metodologia que propõe a criação de roupas novas a partir de matérias primas que eram consideradas resíduo: fins de rolo de tecido, retalhos, roupas com pequenos defeitos, propondo ir na contra-mão do processo acelerado que dita as tendências da moda cuja lógica são produções efêmeras”, afirma Gabi. Ela acredita também que os processos do século passado não fazem mais sentido.

A pesquisadora Lilyan, disse que o negócio da moda vem se transformando à medida que vamos nos transformando e, que desde a década de 60 o mercado vem passando por críticas. Na década de 90 grandes empresas e magazines começaram a ser questionadas pelas legislações trabalhistas americanas e europeias e migraram suas produções para países mais pobres, onde não existem regras rígidas, aumentando os lucros em 400%. Surgiram os grandes varejistas globais e conglomerados.

Atualmente todas estão repensando seus processos, inclusive as fast fashions. “Se a marca não se adequar aos novos consumidores elas vão sumir”, disse Lilyan. “As produções são mais éticas e transparentes e principalmente, mais responsáveis”, completa. Os consumidores querem saber quem fez a sua roupa, do que é feita, para onde vai depois e pensam muito antes de adquirir uma nova peça.

A marca Grama está há três anos no mercado e nasceu com o propósito de oferecer uma roupa de maneira diferente, minimizando o impacto negativo ao meio ambiente. Ana realiza parcerias com artesões de diferentes regiões do país, entre outras ações.

FONTE: Vanessa de Castro | Fotos: Equipe Guia JeansWear