CEO da lavanderia Pizarro detalha conquistas sustentáveis e parcerias no Brasil

Tudo começou no ano de 1983, época em que a indústria das lavanderias de jeans ainda era um novo negócio ensaiando seus primeiros passos. Foi quando Manuel Pizarro vislumbrou, naquele fascinante mundo dos acabamentos, um caminho apaixonante com potencial para revolucionar o mercado. Nascia então, em Portugal, a Pizarro SA.

A companhia precisou desenvolver estruturas e máquinas em seus primeiros anos em atividade, pois as mesmas sequer existiam. Pioneira na atividade, hoje a gigante das lavandeiras soma 36 anos de estrada, sem jamais se desviar do seu invejável posto de referência mundial no acabamento do jeans.

Hoje, a Pizarro ocupa 32.000 m2 e conta com 400 funcionários. A gama de clientes passa por gigantes como Inditex, Levis, Gucci e Nude. A empresa mantém estratégias atuais que se refletem nas parcerias com empresas nacionais como a tecelagem Capricórnio e o grupo GB Customização. Além disso, sua postura inovadora ganha peso com a de reciclagem de 100% da água utilizada e a própria Tecnoblu, que desde 2018 conta com um showroom – o Casa Europa – dentro da companhia.

Em entrevista exclusiva à nossa CEO Marlene Fernandes, Manuel Pizarro, fundador e CEO da Pizarro, compartilhou em detalhes a visão que manteve a companhia sempre entre as melhores do cenário mundial; bem como os objetivos e metodologias envolvidas nas parcerias evolutivas com as empresas nacionais do nosso setor.

GJ: Qual o segredo para uma lavanderia se manter ao longo dos seus 36 anos de existência entre as melhores do mundo?

MP: Quando comecei em 1983, tive sorte por conhecer esta área logo no início e foi uma paixão à primeira vista. Logo percebi que era algo que eu gostava, achava que ia transformar e revolucionar o mercado. Evidente que para manter uma indústria destas, foi preciso muita coragem e sacrifício. Foi muito difícil, pois não havia máquinas e ainda não existia estrutura. Então, tivemos que desenvolver tudo isso. Fui criando, decidindo construções e máquinas; e em paralelo, pensando sobre tecnologia, ambiente, sustentabilidade.

GJ: Quantas peças são lavadas por dia?

MP: Normalmente lavamos de 20 a 30.000 peças de jeans por dia, e tingimos de 12 a 15 toneladas.

GJ: Conte para nós como a Pizarro evoluiu seus processos em termos de sustentabilidade.

MP: Em 1993, fizemos nossa primeira revolução, que foi a automação da tinturaria. Hoje temos capacidade de tingir 15 toneladas com cinco pessoas por turno. E então criamos uma percepção de sustentabilidade, que na época ninguém tinha que era a otimização dos produtos usados no acabamento. Nossa mentalidade é a de entender que precisamos alterar nossas escolhas, ainda que implique em um custo alto. Atualmente, estamos trabalhando internamente a otimização do esgoto. Esta semana temos uma vitória para compartilhar: embora a sala não esteja pronta, nosso equipamento de reciclagem de água já está trabalhando, habilitando-nos a fazer a gestão da fábrica, sempre com a mesma água reciclada dos rios.

GJ: E essa água pode ser usada quantas vezes?

MP: Sempre, a perda é zero. A água perde apenas a umidade que sai do produto, na fase de centrifugação. Como ela é tratada sem químicos, pode ser usada infinitamente.

GJ: E vocês têm alguma parceria com tecelagens para conhecimento do tecido?

MP: Fizemos agora uma parceria no Brasil com a Capricórnio. É uma parceria que acho que vai ser muito importante. Nós vamos ajudar a produção, orientar a qualidade de alguns tecidos e promover a diminuição do número de referências. E acima de tudo perceber o que os tecidos proporcionam para as lavagens, para então criar uma estrutura junto à Capricórnio. Queremos fazer as coleções interligadas com a Europa e com a Pizarro, e ajudar as marcas brasileiras e clientes da Capricórnio, somado à parceria com a Tecnoblu, a criar um conceito diferenciado para o mercado. Creio que isso será muito importante.

GJ: No Brasil, você também tem parceria com a GB?

MP: Sim, temos parceria com a GB Lavanderias. Marco Brito (presidente do Grupo GB) teve coragem de renová-la e reestruturamos dentro do espaço disponível da lavanderia. Atualmente, ela está capacitada para fazer um trabalho muito bom.

GJ: Vocês têm parcerias com as tecelagens dos seus clientes?

MP: Temos algumas parcerias com grupos, pois é o que nos dá consistência e nos obriga a otimizar os recursos possíveis. Acreditamos que a industrialização tem haver com energia, ambiente, com aspecto social e otimização dos processos. São os quatro fatores que te obrigam a ser competitivo e induzem as empresas a pensar sobre onde estão e para onde querem ir.

GJ: No Brasil, as lavanderias argumentam que tem grande dificuldade de fazer com que o cliente pague o valor real investido na peça. Você tem algum conselho para dar a estas empresas?

MP: Acho que é tempo das pessoas pensarem em se valorizar e ser parceiros, pois se não conseguirem e o mercado for só por preço. Esta variável vai desaparecer e não haverá mais pessoas para trabalhar em lavanderia.

Fonte: Vivian David | Foto: Reprodução