Chic Shangai anuncia o que o país está fazendo para sobreviver no mercado de moda

Estamos acostumados a vislumbrar nos eventos da China um perfil de negócios que segue tendências, e agrupa marcas internacionais – especialmente as americanas. Mas principalmente, que oferecem serviços de manufatura para marcas gigantes. Mas é bom ficar de olho no mercado de olhos puxados, pois a mais recente edição da feira Chic Shangai, que aconteceu entre os dias 12 e 14 de março, sinalizou uma forte movimentação do país para o atendimento das demandas de moda com foco em seu próprio potencial.

Em um futuro muito próximo, a China pretende alimentar seu imenso mercado interno com marcas próprias, foi o que os idealizadores do evento anunciaram.  “China é o maior mercado do mundo e seu potencial de crescimento é imenso”, disse Dapeng Chen, Vice Presidente da Associação Nacional de Tecidos da China, também organizador da feira.

A segunda geração dos proprietários de fábricas chinesas desenvolve gradativamente marcas próprias para o mercado doméstico, em substituição aos contratos de manufatura tradicionais.  Os consumidores, especialmente as gerações mais novas, também desejam consumir a moda local, que entende melhor suas necessidades. Chen acredita que é muito improvável que estas companhias ofereçam seus produtos para o mercado internacional em um futuro próximo. “Nós ainda temos muito o que fazer no mercado interno”, explicou.

Muitos expositores presentes na Chic, estão a um passo de se tornarem marcas. Entre os exemplos, Gusking, fundada em 2008 e especialista em jaquetas fashionistas masculinas. “Somos bem conceituados em todo o mercado, mas o consumidor não nos conhece como marca”, explica o diretor de vendas da companhia. A marca de Denim Mqber também tem produzido coleções há 16 anos para grandes nomes, e agora quer se tornar uma marca própria. A coleção “Korean Style” apresentou lavagens claras e looks com muita exposição da pele, refletindo a visão do país que vislumbra na moda do Japão e da Coréia um referencial a seguir para formação da sua própria identidade.

A indústria de moda chinesa está investindo alto em tecnologia – com o provimento de suportes governamentais para produção de métodos envolvendo tecnologia da informação (TI), IDC (internet data center) e AI (Inteligência Artificial). E isto, tanto para fazer moda quanto para atender a demanda de modelos mais personalizados.

Inúmeras companhias também apresentaram suas soluções para personalização, recorrendo a scanners de corpo e apps de smartphones. A forma como a China pretende apoiar os negócios de moda do futuro foi exposta no estande do E-Fashion Town. O espaço agrupou uma ampla área com as criações atuais que prometem acelerar a digitalização das marcas de moda, e que deverão estar plenamente operantes até o ano de 2020. Não por acaso, a sede se localiza próxima a gigante do varejo Chinês Alibaba.

Se essa movimentação descende de uma mudança das companhias gigantes que fecham suas peças no país, e agora sinalizam novos modos produtivos; ou de uma consciência e visão de negócios da própria China, somente os envolvidos podem confirmar. Muito o mais provável, é que a equação seja o resultado da soma destes dois fatores, acelerada pelas mudanças no perfil de consumo, cuja dimensão é global.

Fonte: Vivian David | Fotos: Reprodução