CINM discute sobre consciência e diversidade no segmento fashion

Em pleno século XXI, chamado o século da indignação, em que o mundo se encontra fora da ordem conhecida até então, as marcas estão em defasagem com o ser humano. Necessidade de um propósito, de olhar para o consumidor, de ser consciente, de desenvolver melhor os serviços prestados, de atender à diversidade foram alguns dos pontos abordados no terceiro e último dia do 5º Congresso Internacional dos Negócios da Moda (CINM) , inserido dentro da I Semana de Moda Brasileira, realizado pelo IBModa, com direção executiva da André Robic e coordenação de programação de Luciane Robic. O evento, que aconteceu entre os dias 26 e 28 de outubro na USP Leste, em São Paulo, SP, reuniu especialistas, acadêmicos, profissionais e estudantes de moda. “O Congresso foi criado por que sentimos que há uma necessidade latente de se discutir nosso papel dentro do segmento fashion”, explicou Luciane.

Com os temas Propósito como Motor das Marcas e Mercado os palestrantes foram André Carvalhal, cofundador do espaço de moda colaborativa Malha e criador da marca Ahlma; Jaime Troiano, fundador e presidente da Troiano Branding; Fábio Mariano, diretor executivo da Insearch – Tendências e Estudos de Mercado; Carolina Althaller, head business inteligence nacional na Artplan; Bruno Capão, militante da ONG Lado B do Capão; Mario Hirata, presidente da empresa de roupas terapêuticas Invel; Hugo Lopes, gerente de merchandising e marketing da Granado/Phebo e Lívia Barros, cofundadora e sócia da Ken-gá Bitchwear.

Confira alguns dos pontos abordados pelos palestrantes:

Ultimamente tudo o que os profissionais de moda têm feito se reduz e preço e produto, segundo André Carvalhal. De acordo com ele essa uniformização e falta de expressão individual estão levando a movimentos que questionam esses processos tradicionais, como O Fashion Revolution. “Há uma necessidade de se expandir a consciência para trazer mais luz à questão. Vamos conforme crescemos abandonando nossos sonhos, deixando nossas vocações e talentos para trás. Vemos hoje pessoas abandonando seus antigos empregos onde atuavam como executivos para realizar trabalhos mais artesanais e que oferecem compensação emocional”, justificou.

Marcas sem propósito são marcas sem alma; temos que pensar o que o mundo perderia caso nossa marca desaparecesse amanhã, discorreu Jaime Troiano. Segundo ele, propósito não é missão, visão e nem valores, nem mesmo uma causa ou um slogam. “O que diferencia uma empresa é sua história; o propósito precisa ser revelado nossa razão de existir; o propósito engaja as pessoas e constrói valor”, afirmou, concluindo que o maior perigo para uma empresa é não correr riscos.

Estudos mencionados por Fabio Mariano revelaram que o tempo, no Brasil, para uma pessoa negra ser atendida numa loja é sete minutos maior do que uma pessoa branca; jovens sem estar acompanhados de um responsável aguardam ainda mais para ser atendidos; jovens geralmente são muito mal atendidos nos estabelecimentos comerciais. “Quando comprar virou um momento de tensão?” perguntou o profissional. “Estamos numa era viral, no império do clínico-orgânico (as marcas se referem a DNA, neural), estamos na era do pós-gênero e a indústria de moda está em atraso”, justificou, afirmando os desafios que a modelagem enfrenta para atender a todos. Se posicionar com cidadania é dever do gestor atual, a marca será somente consequência disso, concluiu.

Já Carolina Althaller mostrou que é preciso entender o comportamento, olhar com respeito e duas vezes para o consumidor. “Não fomos ensinados a questionar, a analisar criticamente; a pressão da positividade na sociedade atual (vide o Facebook onde nós somos o produto) gera um cansaço fazendo você se tornar seu próprio vilão”, disse. De acordo com Carolina a superprodução nem sempre é positiva, a produção singular é necessária e possível. Concluiu explicando que opiniões divergentes é que fazem um diálogo e que é preciso entender a experiência humana por meio da arte.

Bruno Capão mostrou que existe diferença entre inclusão e diversidade na prática, no cotidiano. “A diversidade é quando se tem uma política séria e que garante que ela se expanda”, explicou. Hoje gestor ambiental, o militante da ONG Lado B do Capão mostrou que há necessidade de se reinventar as marcas, para que elas atendam a diversidade existente, colocando autenticidade em tudo o que se pretende realizar.

A eficiência do tecido terapêutico desenvolvido pela Invel, em que o fio do tecido é encapado pela biocerâmica MIG3, foi mostrada inclusive com gráficos, pelo CEO da empresa Invel®, Mario Hirata. O tecido, em contato com a pele, melhora a circulação sanguínea, regulando-a. Vale dizer que o MIG 3 foi patenteado como um produto brasileiro.

Os pontos de experiências do consumidor nas lojas de shopping aumentaram as vendas em drogarias e farmácias dos produtos Granado e Phebo, contou Hugo Lopes. “O valor sensorial passou a ser mais importante que o preço”, justificou o executivo. Lopes explicou ainda que é importante que o produto colocado em destaque na vitrine esteja logo nas primeiras gôndolas da loja. “Se enganam aqueles que pensam que o produto no fim da loja pode levar a outras compras; muitas vezes no meio da loja o consumidor se distrai com outras coisas, como atender um celular, e pode sair sem comprar nada; se o produto visto está logo ali, essa compra é mais garantida”, justificou.

Livia Barros contou a experiência da marca Ken-gá Bitchwear tendo como plataforma de vendas a rede digital Instagram e o site. A marca tem apostado e acertado na diversidade do público consumidor.

Fonte | Assinatura: MARTA DE DIVITIIS | FOTO: DIVULGAÇÃO