Compliance: mais oportunidades do que motivos para culpa

O painel “Atuação de Governos e Instituições nas Demandas Internacionais de Compliance”, realizado em 17 de outubro, durante a IAF World Fashion Convention, no Rio de Janeiro (RJ), contou com discussões em torno de conformidade e quais são as possibilidades para as empresas diante de um mercado com cada vez mais exigências.

Renato Jardim, superintendente de Políticas Industriais e Econômicas da Abit, contou sobre os projetos da Entidade para viabilizar mais transparência e convergências às empresas do setor. “Nós vemos uma oportunidade para que as companhias sejam mais produtivas e tenham mais resultados. Mais inovação e dinamismo para um mercado que está em plena transformação. Nas empesas pequenas é mais difícil cumprir os requisitos de compliance. O que acaba fazendo com essas iniciativas produzam o efeito contrário ao que se propôs a fazer, o que é a exclusão das cadeias de valor. Temos que ter cuidado para que o compliance não seja um meio excludente para estas empresas. A Abit vê isso como ações colaborativas e não para apontar culpados”, destacou.

Roel Nieuwenkamp, CEO da OECD, contou um pouco sobre o trabalho da instituição, que é um como se fosse um órgão de responsabilidade corporativa voltado para países desenvolvidos. Desta forma, os governos destas nações têm o compromisso legal de estar de acordo com o requisitos da OECD. Entretanto a adesão das empresas não é obrigatória. “Somos um mecanismo de resolução de problemas. Portanto é uma iniciativa pro-empresas. Recebemos reclamações da sociedade civil em relação a algumas marcas e fazemos a mediação entre ambas as partes. Se a negociação falhar, fazemos uma avaliação de situação. Estamos ajudando as empresas em expectativas irrealistas”, afirmou. Ele ainda conclui: “Não precisa ser perfeito de início. Mas é importante sempre estar em processos de melhoria”.

A apresentação de Peter Poschen, diretor da OIT no Brasil, foi ao encontro à de Roel. “Melhorar parâmetros de trabalho não está apenas relacionado a direitos humanos, melhora a produtividade e competitividade”, disse Poschen. A Organização conta com um projeto chamado “Better Work”, com mais de 60 marcas que cresceram 25%, após a participação do programa. O executivo ainda afirma que o futuro do setor conta com a transformação da indústria e o cumprimento da exigência do mercado. “Melhorar o trabalho pode ser uma chave de melhora na competitividade, neste processo devem ser inclusos funcionários para um resultado mais transparente”, concluiu.

Fernando Pimentel, presidente da Abit, fez considerações sobre o tema. “O compliance tem que ser uma vida de mão dupla. Do fornecedor para o comprador e vice-versa. É um processo coletivo e não de fachada. Temos muitas convergências com o varejo. O Brasil está à frente nesta linha de políticas de sustentabilidade abrangente. São várias ações que vão convergindo para um estandarte”, avaliou.

FONTE: Abit | Foto: Guilherme Taboada