Denim by Première Vision: do jeans com soja à estampa digital

Soja participando da composição do jeanswear, relações comerciais incluídas na visão de sustentabilidade e estampas digitais simulando jeitão das roupas de mergulho. Estas são algumas inovações anunciadas como possibilidades para o Verão 2021, que reafirmaram a feira Denim by Première Vision como um inspirador observatório a ser obrigatoriamente considerado antes de cada estação.

O evento, que aconteceu nos últimos dias 3 e 4 de dezembro, retornou a Londres mais uma vez, elegendo a avenida Printworks como local para sediar a participação de 97 companhias relacionadas ao denim. Marcaram presença desde tecelagens até fabricantes de roupas e aviamentos, além das instalações e exposições especiais da própria feira.

Entre os espaços direcionais reservados para inspirar marcas e criadores, destaque para a configuração futurista e tátil do projeto Habitat 21. Mantendo a coerência com as exigências por eco-responsabilidade, o espaço da instalação foi dedicado aos têxteis inovadores dos expositores da Berto, Kilim Denim e Orta Anadolu.

Outro grande redesenho, foi o workshop de costura Re-Trace, comandado por Alessio Berto, fundador do The Tailor Pattern. Como vivência, o mesmo convidou os participantes a desenhar o jeans perfeito através do estudo de três modelos icônicos do M.O.D.E, o museu do denim, inaugurado em Verona no ultimo verão pelo grupo italiano Elleti Group.

A edição atual do Denim by Premiere Vision, também sediou uma instalação imersiva com uma curadoria de peças escolhidas a dedo do arquivo do museu.

Injetando o evento com ainda mais criatividade, a seção do Maker Lab recebeu um punhado de artesãos da moda e do denim incluindo especialistas em bordados da cadeia, como Giulo Miglietta, um artista dos bordados muito conceituado da capital londrina, que estava disponível para compartilhar insights e experiência práticas sobre a linguagem.

A sustentabilidade, como esperado, imperou de forma suprema, tanto tematicamente através do conceito da feira, quanto nos estandes individuais. Refletindo esse conceito, transparência foi uma das estratégias mais decisivas para os negócios da feira, e diálogos envolvendo quantidade e uso de água e processos foram definitivos para o fechamento dos negócios. Logo, todos os expositores tiveram que ir além em suas estratégias provando continuamente avanços no sentido da sustentabilidade.

Orta Anadolu tem apostado no cânhamo a algum tempo, mais precisamente duas temporadas atrás, quando lançaram a coleção Gen H, diferenciada pela mistura de  6% da fibra sustentável na composição. Desta vez, a companhia trouxe a família completa de tecidos com misturas do ingrediente, indo desde os mais robustos aos mais leves chegando ao percentual de 20% de presença da planta ao todo.

Já a Paquistanesa Indigo apresentou uma seleção de tecidos sustentáveis, diferenciando-se por incluir a soja como principal ingrediente inovador. O visual, que lembrou bastante o tercel, leva na composição 22% de soja e 78% de algodão o a nova promessa eco alternativa que emergiu no mercado.

O modo de oferecer os tecidos, pensando na flexibilidade da produção das marcas também foi adicionado como lógica sustentável. A fabricante Prosperity, apresentou em diversas criações o tecido Bright Dragon, cujo diferencial principal não foi a composição ou a reciclagem mas sim a oferta mais flexível em termos de quantidades e pequena produção.

Siddiqsons foi a primeira fabricante de denim nativa do Paquistão a adotar o sistema de lavanderia 5.0, o Aqua laundry, da Jeanologia, o qual elimina os ingredientes perigosos da produção do denim. Em substituição, o sistema recicla a água, usado o ozônio para eliminar os químicos do alvejamento. Enquanto isso, a Calik levou uma diversificada gama de coleções. Entre as mais notáveis, o mix listrado explorando tonalidades neon em cartela candy — um dos pontos altos do Verão 2021. 

No que diz respeito às tendências para o denim no Verão 2021, escolhas sábias, cores silenciosas como oliva, marrom e mostarda foram iluminadas frequentemente (pense que o brilho neon continua em alta aqui). Além disto, o destaque também fica com os toques macios, looks autênticos em denim foram elementos chave para a textura.

Iskur e Kipas estavam entre as tecelagens que ofereceram tecidos da nova era com fibras sustentáveis aptas a manter as características do denim autêntico, e da mesma forma as fabricantes Paquistanesas de índigo o fizeram.

O visual upcycle, a mistura de toques e tecidos, permaneceu uma estética forte especialmente na italiana Fashion Art, que recentemente foi requisitada a compartilhar seu expertise com casas como Chanel e Balmain. Com força equivalente, a estampa digital surgiu em leituras criativas e originais no outerwear denim.

A demanda pela estética fiel as origens do denim, se mostrou um tópico forte mas que apenas se consolida se acompanhado de conforto extremo — especialmente no segmento masculino. Um direcionamento, que resgatou o visual jogger como tendência nos materiais e aviamentos de modo geral.

Fonte: Vivian David | Fotos: Reprodução