Denim Première Vision Milão traz inovações e apelo à moda sustentável

A conexão entre moda e sustentabilidade sob um olhar minusioso e estratégico, calcado na criatividade: este foi o foco da Denim Première Vision Milão. O salão mostrou um apelo urgente para o closet de um consumidor em constante evolução e conveniente para o lifestyle atribulado atual, sem deixar de lado uma reflexão sobre as visões de enfrentamento comercial colocadas no mercado.

Mesmo com a moda enfrentando tempos de dificuldades e rupturas, a recente edição do evento, que aconteceu entre os dias 28 e 29 de maio, recepcionou um público internacional robusto. As tendências para o Inverno 2020 apresentadas refletiram uma espécie de senso de urgência no cuidado com o planeta e com as pessoas.

Tecelagens como Calik Denim, Orta, a chinesa Prosperity, as italiana Albiate 2030 e Berto, bem como as paquistanesas Artistic Fabric & Garments Industries, Chottani, e Denim Clothing Company ilustram a relevância da curadoria de tecidos agrupadas pela feira. A brasileira Nicoletti levou para o evento a visão nacional de que um denim mais vaidoso e trabalhado pode ser produzido com sustentabilidade.

Entre as conquistas sustentáveis divulgadas pela companhia, destaque para a redução de 30% no consumo de água, uso de energias renováveis e a prática do não descarte de substâncias perigosas no meio ambiente. Também a Vicunha representou a qualidade do nosso país, levando seus lançamentos ao evento.

Em uma categoria onde toda marca em qualquer nível oferece uma skinny, empresas de vestuário e confecção estão investido em conceitos mais criativos para impulsionar as compras. A necessidade de criar novidades através de itens representativos das tendências de moda foi consenso. Nos espaços de lavanderias e tecelagens, novas texturas e superfícies criadas a laser foram o tópico.

Já no espaço reservado aos looks, ao longo dos novos fits propostos, destacaram-se os modelos de jeans com entrepernas relaxados e cinturas clochard, companhias de roupas e beneficiamentos definiram-se por temas que orbitaram entre o utilitarismo, streetwear, luxo e hibridização da moda.
Atendendo a demanda por estilos de fácil coordenação, uma das tendências mais fortes orbitou ao redor do workwear.

Em paletas de cores pastel variando entre tons como creme, cáqui, bege e tabaco, as araras que seguiram esse estilo sublinharam a importância de peças-chave como macacões protetivos com acabamentos a laser e calças cargo em tons terrosos. As companhias também destacaram bastante os tecidos com visual bruto e natural.

A influência do esporte, por sua vez, foi representada por marcas que focaram menos na forma, no fit e em peças elásticas. Ao invés disso, o look com pegada sporty enfatizou peças com cintura e shape relaxados, combináveis com os demais temas da estação. Coletes térmicos, estética jogger relaxada, jaquetas de jersey e mix confortável definiram essa direção, que também apresentou uma fatia enfeitada, com pedrarias e franjas de cristal adornando golas de camisas western e key itens interpretados em tonalidades de black denim.

O código das cores teve sua representatividade graças a popularidade do denim colorido e à urgência com que marcas relevantes mostraram novos caminhos para o tingimento. Acabamentos ácidos variando entre o black e o purpura em uma alusão ao estilo rocker dos anos 80 foram recorrentes.

Neste sentido, a alquimia entre o tingimento over dye e a lavagem acid wash mostraram-se efetivas. Tonalidades como verde folha, menta e violeta também participaram desse visual. Também neste mix, salientaram-se as investidas em aspectos metalizados em tons fashionistas para a estação.

A fixação na estética da desconstrução e nas silhuetas híbridas permeou principalmente o look dos tecidos mais tradicionais, como o xadrez antiquado e os quadriculados ultrapassados. Jeans, blazers, saias evasé em denim mixadas com padrões “antiguinhos” definem esse mix.

Fonte: Vivian David | Fotos: Divulgação