Estreantes e veteranos mostram moda criativa na Casa de Criadores

45º edição da Casa de Criadores que começou no último dia 3 de julho e termina hoje, continua com sua essência criativa, única, atemporal, seguindo diferentes públicos, gêneros e tamanhos. Certo é que algumas coleções saíram somente do “conceito passarela” para um mundo mais real, diretamente para as araras e vitrines, atraindo não somente nichos, mas também uma gama de público abrangente, e isso é ótimo – saber mesclar sua identidade com um viés comercial é fundamental nos dias de hoje.

Muitas marcas trouxeram o jeans e a sarja como peça principal ou complemento de modelos conceituais. Igor Dadona para Blaze Supply se apresentou no primeiro dia etrouxe o universo do skate e da alfaiataria unindo um mix de xadrezes, tecidos, de lavagens e cores como o azul e vermelho. Calças croppeds, blazers e casacos, jaquetas com capuz e ilhoses, bermudas chamam atenção pelas propostas modernas e atuais.

Já o segundo dia da Casa de Criadores trouxe a marca Renata Buzzo que trabalha uma moda vegana e slowfashion em um lindo trabalho de curvas, zigzags, cirandas, órbitas e linhas tortuosas que lembram a moulage, enriquecendo o denim premium.

“As formas amplas e as tiras drapeadas que decoram todas as peças do desfile mostram os caminhos tortuosos que as pessoas precisam chegar para encontrar a si mesmos. Esse encontro, muitas vezes, é uma volta ao original, à infância”, afirma Renata.

Surgem tons suaves de azuis e rosas em peças com volumes, casacões com mangas bufantes, pantacourts, saias e vestidos evasês, macacões. Sarjas tecnológicas no tom branco ganha aspecto encerado, com brilho, já os artigos no bege garantem a estrutura necessária, mas com toque suave para compor os modelos estruturados.

Jorge Feitosa utilizou tecidos reaproveitados da Santista em uma coleção inspirada no pai do estilista. “Peguei um retrato do meu pai bem tradicional do Nordeste e usei várias referências do que ele gostava nas minhas estampas”, conta o pernambucano.

Tais padronagens deram um colorido diferente para peças tal pai, tal filho (bebês estiveram presentes na passarela) e muitos volumes em patchworks, colagens, sobreposições juntamente com leggings e tons que começam no branco caminham para o rosê, passam pelos azuis vivos do denim e chegam ao preto em peças confortáveis que unem algodão, moletons e nylon. O jeans limpo e clean pode ser visto no blazer com mix de lavagens, recortes e franjas aplicadas. Há ainda camisas com brilho, calças mais largas e saias com plissados.

A marca do estilista Tom Martins aposta nas clássicas listras e shapes oversizeds, todos em tamanho único e sem gênero, democratizando a moda. Com um quê dos anos 80 surgem blazers com ombreiras, camisas, saias desconstruídas, vestidos, coletes e calças pantacourt. O denim bruto ganha costuras marcadas e botões diferenciados e o brilho das fibras nobres.

David Lee estreia na Casa de Criadores com sua moda masculina que mescla alfaitaria, sportswear, inspiração militar com toques artesanais como o crochê. A coleção apresentada, “Um lugar seguro”, explora sensações de conforto e hospitalidade associadas a elementos de proteção e segurança.

As peças em crochê super coloridas combinam perfeitamente com as sarjas nos tons preto e marrom com aspecto utilitário e bolsos aparentes. Faixas refletivas conferem aspecto urbano e esportivo em casacos e jaquetas amplas.

Weider Silvério trouxe o tema Grécia em tons de rosa, off white e azul em tecidos leves, transparências, plissados e estampas geométricas. Aqui entram saias clochard, calças alongadas, camisas, pantalonas e vestidos com a cintura marcada. As sarjas com caimento perfeito ganham sobretingimentos e desbotes no verde e no uva em calças afuniladas com passantes saias e casacos.

Fonte: Vanessa de Castro | Fotos: Marcelo Soubhia / Fotosite