A evolução da cadeia têxtil segundo novo estudo encomendado pela ABIT

Para analisar os dados e transformações do mercado têxtil no Brasil, a ABIT – Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção encomendou à consultoria suíça Gherzi, o estudo “Cadeia Global de Valor” que apontou algumas informações interessantes, como por exemplo – o crescimento do PIB que está relacionado à demanda têxtil global, estimado em 12kg per capita para o ano de 2016. Em relação à produção de têxteis, os artigos técnicos representam 32% da produção total, com o crescimento dos não tecidos.

O algodão continua estável, mas os sintéticos estão em alta. E o consumo global de fibras vem crescendo 3% ao ano. Outro dado significativo é que as novas tecnologias vêm impulsionando a cadeia têxtil em diferentes segmentos.

Entre as principais tendências observadas destacam-se:

Recursos – reuso de descartes a partir de roupas, têxteis e não-tecidos e sobras de tecidos. Novas tecnologias deverão aumentar a eficiência da produção de matérias-primas naturais como o algodão; Em contrapartida vem crescendo os tecidos com mistura de fibras devido o aumento da demanda por produtos mais dinâmicos e fáceis de cuidar e pelas limitações relacionadas às matérias-primas naturais, além das questões de sustentabilidade;

Design – durabilidade em produtos mais conscientes que possam ser usados por mais tempo e que tenham mais qualidade não somente para as marcas premium. Smart textiles – nicho de mercado que vem crescendo com produtos inteligentes. Customização em massa – personalização do produto através da crescente automação da indústria.

Produção – proximidade da cadeia de valor: produção local facilita a gestão de qualidade do processo e comunicação entre fornecedor e cliente. Costura automatizada – utilizando cada vez mais sistemas integrados e robôs.

Varejo – e-commerce: mais de 50% dos consumidores compram online. Nova experiência de consumo: a experiência de compra tradicional em lojas físicas vem sendo ameaçada por serviços como o e-commerce, consultorias, customização e facilidade em comparar preços. Coleta de roupas usadas para serem customizadas e recicladas. Economia compartilhada como biblioteca de roupas, trocas e alugueis.

Consumo – consumidor consciente que busca cada vez mais informações sobre a origem, matéria-prima e o processo de produção. As empresas devem estar preparadas para oferecer todas as respostas à esses questionamentos. Activewear segue na tendência de uma vida mais saudável com roupas que possam ser usadas tanto no dia a dia quanto na prática esportiva.

Ciclo de vida – tendência do upcycling, reciclagem de fibras

Sistemas – desenvolvimento de ferramentas que permitam o monitoramento, diagnóstico e ações a serem realizadas durante o processo produtivo. Responsabilidade social – já não é mais uma imposição, mas é realizada de forma voluntária, além das obrigações legais e corporativas. Transparência com os consumidores sobre produtos, serviços, etc. Rastreabilidade – possibilidade de saber a origem e o processo produtivo do que está sendo consumido.

O estudo ainda elencou 10 estratégias para impulsionar o setor de têxteis e confeccionados:

1. Evolução da cadeia de valor: maximizar o valor adicionado;
2. Capacitação: melhorar habilidades e produtividade;
3.Matérias-primas: melhorar vantagens do algodão e endereçar gaps de MMF;
4.Marketing e promoção: aumentar a visibilidade da cadeia têxtil e de confecção do Brasil;
5. Integração Global: conexão com a cadeia global de valor;
6.Negócios: melhora da competitivade;
7. Acesso a mercados: maior acesso às exportações brasileiras;
8. Financiamento: financiamento competitivo para investimentos e inovação;
9. Cluster: criação de mini eco-systems (centros de excelência);
10. Sustentabilidade: melhoria da sustentabilidade social e ambiental.

Denim
No mercado jeanswear, segundo dados da ABIT, o Brasil é o quarto maior produtor mundial de denim, atrás de China, Índia, Turquia. Tendo como base os anos 2016/2017, são produzidas em torno de 500 milhões de metros lineares de tecidos denim por ano. A produção mundial gira em torno de oito bilhões de metros, e portanto, a participação brasileira seria de 6,25% do total.

Em 2016, o Brasil exportou U$58 milhões de dólares de tecido denim, cerca de 20 milhões de metros. No mesmo ano, as importações foram de U$5,7 milhões de dólares, aproximadamente dois milhões de metros.

FONTE: Vanessa de Castro | Foto: Reprodução