Fashion Revolution divulga relatório de transparência

Fala-se em sustentabilidade. Divulgam-se ações condizentes com tal meta. Mas em fatos, como está o alinhamento das indústrias do nosso país, comparadas às metas reais? É o que responde o primeiro estudo feito pela Fashion Revolution para a América Latina, realizado em parceria técnica com o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (FGVces), e institucional com Abvtex e Abit. O projeto, foi financiado pelo Instituto C&A, que mantém uma equipe voltada exclusivamente para pesquisa e desenvolvimento nessa área. De acordo com ele, 20 dos maiores varejistas de moda do Brasil tiveram má classificação no índice que avalia as práticas sociais e ambientais.

A companhia que alcançou melhor classificação foi a holandesa C&A, com 53%, seguida da brasileira Malwee. Riachuelo com 23%, Osklen com 34% e Havaianas com 36% foram também, companhias que ostentaram percentuais superiores à média geral. Já Renner e Pernambucanas, acusaram crescimento do índice, confirmando o potencial de estímulo do projeto. Nas demais companhias, o estudo pontuou uma média de 17%.

E um dos dados mais chamativos deste estudo, é que destes, metade não respondeu qualquer informação. Ellus, John John, Cia Marítima, Brooksfield, Melissa e Moleca exemplificam a lista. O motivo, de acordo com o estudo, foi a ausência de informações em websites, e de respostas quanto à um questionário envolvendo áreas de rastreabilidade ao longo da cadeia têxtil – matéria-prima, serviços terceirizados, etc – e suas políticas. “A informação sobre a logística dos produtos e manufatura está muitas vezes escondida ou alojada em websites externos que são difíceis de encontrar, em relatórios anuais com mais de 300 páginas ou simplesmente não estão disponíveis”, constata Eloisa Artuso, diretora de projeto da Fashion Revolution Brazil.

“Como é que podemos tomar melhores decisões sobre o que compramos quando a informação está completamente ausente ou se apresenta em formas tão diferentes ou protegidas?”, questiona a diretora de projeto.

O Brasil tem a quarta maior indústria de vestuário do mundo, com 1,5 milhões de trabalhadores diretos, sobretudo mulheres, de acordo com a Fashion Revolution. A indústria é fragmentada e informal, com milhares de emigrantes subcontratados na Bolívia e no Paraguai costurando as roupas em fábricas sem condições dignas para varejistas brasileiros conhecidos. Segundo a Fashion Revolution, foram encontradas fábricas sem condições que produziam vestuário para a Zara – que surge no terceiro lugar neste índice – em 2011, depois de um fornecedor ter sido acusado de trabalho escravo.

“Somos a favor da transparência global, não apenas na indústria têxtil mas em todos os setores”, assegura Fernando Pimentel, presidente da ABIT – Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção.

E nós, do Guia JeansWear, acrescentamos o alerta. Estamos em uma fase de transição e evolução do comportamento de consumo. Este, caminha para um patamar cada vez mais elevado em termos de consciência. Logo, chamamos a atenção dos nossos leitores, para a oportunidade de se estandardizar essas informações – que falam de transparência – nos espaços digitais das marcas. Pois se antes os consumidores não buscavam esses dados, hoje eles representam um argumento decisivo para fidelização e concretização do impulso de compra. Inclusive para o consumidor final.

Fonte: Vivian David | Fotos: Reprodução