Fashion Tech fala da moda como ela realmente é

Novas tecnologias, tecidos funcionais, sustentabilidade. Todos tópicos em evidência que sinalizam progresso na moda. Mas, você já parou para pensar que todos eles dão passos para trás por causa da imagem? Já filosofou sobre como a indumentária atual seria se o consumidor, priorizasse esses conceitos ao invés da aparência do look em si? Parece mais uma conversa de filosofia – mas é um dilema muito real, que só poderia mesmo ter surgido do agrupamento de profissionais altamente entrosados com o funcionamento da cadeia têxtil de moda. Fashion Tech Berlim: eis a origem dessa, entre várias outras discussões que emergiram entre profissionais decisivos da moda global. O longo e difícil ciclo produtivo, a falta de flexibilidade no giro de insumos, a atuação internacional em um mercado global e complexo. Todos assuntos que surgiram entre debates, somas de experiências e know how.

Entrar em uma feira e dar de cara com atendentes com um conhecimento profundo e técnico de como a moda realmente funciona. Iniciar sem muita pretensão uma conversa sobre técnicas de entrelaçamento de fios e tecidos, ou cadeia de matérias primas, ou até mesmo QR codes; e repentinamente ver-se rodeado de pessoas que sabem exatamente para onde todos esses assuntos estão evoluindo. Essa proposta diferenciada sintetizou o formato do evento, criado pelo Grupo Premium, para promover o encontro de profissionais e experts do setor.

Na mistura de estilos, e no lifestyle de Berlim – onde tudo o que foge do comum ganha aceitação – essa nova proposta encontrou contexto para emergir como um novo e influente formato de feira. A tecnologia foi o tópico. Mas convenhamos, moda é e sempre será emoção: eis aí outra produtiva conclusão capturada entre as conversas informais e murmurinhos. Ainda que para alguns seja vista como algo puramente funcional, e para outros represente unicamente uma ferramenta para definição e construção da própria personalidade, ela não é racional. E nesse cenário, o que é certo ou errado, praticamente não existe quando se consegue ser fiel à própria essência.

Tecnologia está à disposição, mas a sua adoção é um processo lento: apenas mais uma das conclusões. Novamente surge o assunto do visual: como tornar a funcionalidade protagonista maior do que a própria imagem, se na indústria do vestuário a demanda maior é a emoção do consumidor? Tanto a moda, quanto a tecnologia da moda, ainda tratam mais do look do que funcionalidade técnica.

Algumas vezes é difícil diagnosticar o óbvio: a indústria da moda não está de fato solucionando e mapeando esses problemas, no entanto existem muitas pessoas dispostas e aptas a ajudar trazendo soluções inovadoras. Como nota especial, Fashion Tech Berlim conferiu também um novo destaque à segmentação dos consumidores. Trabalhar fazendo tecnologia gera uma propensão maior à segmentação dos clientes. O acréscimo de grandes grupos escaláveis que vestem corretamente uma determinada demografia.

O Fashion Tech Berlim, criado em 2015, teve sua mais recente edição nos dias 29 e 30 de junho. O ponto de encontro de todos esses promissores debates foi o Kraftwerk: uma fábrica antiga e abandonada da cidade, que cessou suas atividades em 1997, e desde então se transformou em sede de eventos inspiradores. Distribuída em três níveis, reuniu nos dois primeiros, marcas com foco em produção sustentável. E no mais elevado, dedicou sua área exclusivamente à tecnologia da moda e inovação: incluindo uma organizada conferência criada pelo Premium Group.

Fonte: Vivian David | Fotos: Reprodução