Fast-fashion decreta declí­nio das outlets

Um dos efeitos da crise econí´mica e financeira mundial foi uma maior conscientização do valor dos artigos por parte dos consumidores. Se nomes como Zara, H&M, Primark e Uniqlo já vinham ganhando terreno e dimensão face í s cadeias com estratégias de preço no segmento médio e médio-alto; os orçamentos mais apertados dos consumidores os têm levado cada vez mais a estes conceitos de varejo.


Em um segmento ainda mais acessí­vel, a venda de vestuário em grandes espaços comerciais, como é o caso dos hipermercados, tem-se acentuado. Não é de estranhar que cadeias como Zara, Wal-Mart e Target se encontrem na liderança das vendas de vestuário nos mercados nos quais atuam.


Perante os preços imbatí­veis apresentados por estes players e as coleções cada vez mais apelativas em termos de informação de moda, qual é o papel que resta í s lojas outlet que, apesar de venderem marcas a preços mais acessí­veis do que as lojas tradicionais, o fazem na modalidade de escoamento de estoques de artigos teoricamente ultrapassados?


A Inditex, por exemplo, tem utilizado no seu mercado de origem uma estratégia para as suas vendas outlet. Através da Zara Lefties, a gigante espanhola procura muito mais marcar presença no segmento de muito baixo custo do que escoar os seus artigos ultrapassados que, como se sabe, são em quantidade reduzida.


E para as demais marcas? O que ganham com os outlets? Quais são os reais danos que uma polí­tica de redução constante de preços provoca na base de clientes fiéis da marca e na sua imagem de mercado?


Para muitos especialistas, as lojas outlet, apesar de um meio eficaz para escoar estoques junto aos clientes que de outra forma nunca comprariam a marca, podem desencorajar fortemente a compra nas lojas tradicionais e danificar consideravelmente o valor da grife.


Por outro lado, o conceito outlet, visa atingir um consumidor sensí­vel ao preço, desencorajando aqueles que privilegiam o fator moda, devido í  comercialização de coleções antigas. Mas a oferta competitiva de cadeias como Wal-Mart é imbatí­vel em preço, já a proposta de redes como a Zara e a Uniqlo é imbatí­vel no biní´mio preço+moda, deixando o conceito outlet em uma zona competitiva perigosa.


Da mesma forma que o conceito outlet surgiu nos Estados Unidos, o fení´meno do seu enfraquecimento poderá também acontecer no Paí­s. A rede Liz Claiborne, após 10 trimestres consecutivos de perdas, decidiu abandonar as 87 lojas outlet que detinha na América.


Segundo presidente-executivo da empresa, William McComb, estas lojas serviam para o escoamento de estoques das marcas da empresa. Uma estratégia que deixou de fazer qualquer sentido do ponto de vista econí´mico, afirmou o gestor.


Um sinal de que o modelo de fast-fashion, descoberto e implementado pela Inditex, é a solução para as cadeias de varejo de moda, e de que os consumidores estão mesmo ficando mais exigentes e conscientes do valor — eles buscam uma moda atual e sabem bem onde podem adquiri-la a preços acessí­veis.

PORTUGAL TíŠXTIL | FOTO: REPRODUí‡íƒO