Festivaleiros loucos por compras

Nos últimos anos, marcas têm vindo a criar artigos de moda especialmente para festivaleiros – frequentadores constantes de festivais. Porém, os festivais de música estão a tornar-se cada vez mais importantes não apenas pelo que os consumidores compram para usar durante os eventos, mas também pelo que compram dentro do próprio. Um novo estudo, realizado pela Barclaycard no Reino Unido, estima um crescimento de 12% das receitas nos festivais de verão nos próximos cinco anos.

Este verão, os consumidores britânicos deverão gastar, no total, cerca de 1,2 milhões de libras (mais de R$ 5 milhões) em lojas nos festivais. A maioria desta quantia será utilizada em alimentação, mas o vestuário, o merchandise relacionado com o evento e as experiências também terão o seu peso.

A pesquisa aponta que 37% das pessoas que marcam presença em festivais afirmam que “preferem fazer compras no recinto do festival em vez de online ou na high street”. Neste cenário, as marcas têm vindo a responder a esta necessidade, através de campanhas de marketing associadas a festivais. Só no início deste ano, a plataforma mundial de pesquisa Lyst registou um aumento significativo em pesquisas relacionadas com festivais.

Ao invés de olharem para os festivais como uma clara oportunidade de negócio, mais de 80% das marcas veem os eventos como “terreno fértil para testar ideias. Metade testa produtos que, mais tarde, descarta do ponto de vista comercial”, apontou a Barclaycard.

Porquê os festivais?

Mas, afinal, o que é que torna os festivais tao apelativos? “A envolvência do público, o maior período de permanência no espaço e a sua vontade de descoberta criam a oportunidade perfeita para as marcas estabelecerem ligações com os festivaleiros”.

A Mintel estima que o mercado britânico de concertos e festivais de música valha, atualmente, 2,46 mil milhões de libras, e, por isso, a Barclaycard quis explorar o assunto com maior profundidade inquirindo 2 mil adultos e 200 responsáveis de marcas que estão presentes em festivais.

A Barclaycard refere que o típico festivaleiro gasta cerca de 67 libras por dia em alimentação, artigos de moda, produtos de merchandising e atividades no local.

As decisões de compra “são motivadas pelo desejo por produtos únicos que podem não ser encontrados noutros locais” (80%), assim como o facto de terem as emoções em alta (73%) e a mente aberta (19%). Enquanto 40% preferem comprar no recinto em vez de online ou nas lojas físicas, 31% consideram que festivais são melhores locais para achar novas tendências e 45% “preferem a oferta invulgar que descobriram ao explorar as lojas pop-up”.

O envolvimento dos consumidores (81%), o espaço para criar experiências memoráveis relacionadas com a marca (80%), os maiores tempos de permanência no local (67%) e a sede pela descoberta (28%) foram citados como fatores essenciais que encorajam os britânicos a gastar mais dinheiro nos festivais, enumera a Barclaycard.

“É essencial ter em conta o impacto que ver concertos ao vivo tem no estado de espírito e emocional das pessoas, com 73% dos adeptos de festivais a admitirem que nos festivais se tornam mais receptivos a experimentar novos produtos ou marcas”, afirma o levantamento.

Independentemente das suas emoções, parece que muitos consumidores simplesmente apreciam o fato de poderem levar uma recordação do festival. Alguns também confessam que “se sentem mais ligados” aos produtos que compram num evento de música ao vivo, face a artigos que adquirem online ou nas lojas físicas.

Todos estes fatores ganham maior importância tendo em conta que 36% dos adultos no Reino Unido planeiam ir a um festival este verão. 84% das marcas declaram ter testado produtos em festivais e 50% acabaram por lançar esses produtos a uma maior escala.

Uma razão pela qual fazem isto é para obter o feedback de consumidores de todo o mundo, que estão abertos a experimentar artigos diferentes e é também uma forma de ver o quão atrativos podem ser artigos de nicho e mais invulgares.

Arriscar na alimentação e na moda

A alimentação e as bebidas são as categorias de produto mais vendidas nos festivais, com os gastos médios diários a rondarem as 46 libras por pessoa. Os consumidores estão mais abertos à experimentação. Os inquiridos afiançaram que provaram comida indiana (16%), sul-coreana (14%), caril de peixe (14%), e até insetos (6%).

Já os empresários acreditam que as opções alimentares e de bebidas mais ecológicas se tornarão ainda mais importantes nos próximos anos, prevendo ainda mais ofertas com base em experiências, como comédia, yoga, discotecas silenciosas e workshops.

52% dos inquiridos consideram quem a moda se irá tornar uma categoria mais importante nos festivais. Além disso, anteveem um crescimento nas compras de artigos para o lar. Os festivaleiros podem não estar preparados para comprar uma cama ou um sofá num festival, mas em relação a artigos mais pequenos o potencial parece ser de crescimento.

“As lojas pop-up estão a prosperar nos recintos dos festivais no Reino Unido, com as marcas a competir para providenciarem a melhor experiência possível para os fãs”, disse Daniel Mathieson, diretor de marketing na Barclaycard.

“Com mais formas de envolver a audiência, bem como com a procura dos consumidores por uma ligação mais forte com os produtos que experimentam e compram, os festivais estão a tornar-se um terreno fértil para que todos os tipos de empresas cresçam. Com o incremento dos gastos nos festivais, o meu conselho para as marcas britânicas é que explorem esta oportunidade ou arriscam-se a ficar para trás dos vossos rivais mais arrojados”. completou

Fonte: Portugal Têxtil | Fotos: Reprodução