Fim das restrições do algodão indiano

A Índia colocou um ponto final nas restrições das exportações de algodão. Depois de comunicar a decisão, Alberto Paccanelli – presidente da Euratex – explicou que a imposição que aconteceu em dezembro do ano passado, de uma quota de exportação de 720 mil kg de algodão, provocou uma grave situação no que teve como conseqüências o aumento dos preços e escassez de fornecimento. Paccanelli acrescentou ainda que esta decisão das autoridades indianas (de voltar com as exportações) é um sinal positivo que se dá ao mercado e que ele espera que venha contribuir para aliviar a pressão e a especulação que sofreu a commodity.

Segundo afirma a associação empresarial europeia, a notícia resultou de uma ação coordenada e consensual de seus membros, que negociou com a delegação indiana.
Dias antes a Euratex já havia denunciado, através de comunicado, que o crescimento das economias emergentes, como China, Índia e Brasil, provocou que o acesso às matérias-primas têxteis fosse cada vez mais difícil e que o seu preço disparasse.

Para o presidente da associação, este problema agravou-se com as medidas unilaterais e restritivas tomadas por certos países, como a Índia, para limitar as exportações de matérias-primas ou produtos semi-acabados, como o caso das fibras e fios de algodão.

A Euratex apontou ainda que o problema não se limitou somente ao algodão, mas afetava todas as matérias-primas têxteis, naturais ou não-naturais. De acordo com a organização empresarial, os preços em geral aumentaram em média entre 35% e 100% de dezembro de 2009 a dezembro de 2010 – uma situação que foi ainda mais agravada neste início de 2011.

Ainda neste cenário, Paccanelli sinalizou outros elementos-chave que também influenciaram nos valores das fibras, como a capacidade financeira de países como a China, que promovem compras extensivas e estratégias de acumulação de estoques para ajudar a indústria do país e aumentar a especulação e a intervenção de operadores financeiros no mercado das commodities.

A associação empresarial europeia referiu que, nesse contexto, as empresas do setor assumem um aumento de custos que acabará sendo pago pelos consumidores. E é neste ponto que a Euratex quer pressionar a Comissão Europeia a tomar medidas como atuar contra essas ações restritivas que limitam o acesso às matérias-primas e, em segundo lugar, implementar leis de vigilância dos mercados a fim de limitar a intervenção dos especuladores – através de um melhor intercâmbio de informação e de transparência na produção, no consumo e no armazenamento para aproximar-se da realidade do mercado.

PORTUGAL TÊXTIL | FOTO: REPRODUÇÃO