Forever 21 à beira da falência põe em cheque futuro das fast fashion

Em seus dias de glória, a Forever 21 ditou tendência entre os mais jovens com roupas baratas, inspiradas em coleções de grandes grifes. A chegada da fast fashion no Brasil, em 2014, levou mais de 2 mil pessoas para sua loja em um shopping de São Paulo – que esperaram mais de três horas em fila quilométrica.

A ascensão, contudo, tomou sentido oposto e a empresa vive seu pior momento em 2019.

A rede varejista anunciou um pedido de falência nos Estados Unidos e Canadá recentemente, que levou ao fechamento de diversas lojas pelo mundo, incluindo 178 das 500 unidades nos Estados Unidos e todas as 44 unidades canadenses. “Aquilo que pretendemos com essa etapa é simplificar as coisas para voltar a fazer aquilo que fazemos de melhor”, afirmou a CEO da empresa, Linda Chang, na ocasião.

Com o fracasso da empresa, que mantém o mesmo modelo de mercado de gigantes como Zara, H&M e Primark, o futuro das fast fashion se tornou uma preocupação. O cenário vê a moda sustentável e a preocupação com o ambiente como principal pauta de seus consumidores, da Geração Y e Z, que já não veêm o alto volume e as roupas baratas como atrativo.

“Obviamente, existem outros lugares onde os consumidores podem comprar mercadorias semelhantes”, apontou professor John Pracejus, diretor da Escola de Comércio da Universidade de Alberta, ao portal Stylo Urbano. “Certamente há uma mega tendência em direção à sustentabilidade. Estamos realmente começando a nos preocupar com quem fabrica nossos produtos, e observando o desperdício e a quantidade de materiais usados ​​em cada peça de roupa que consumimos”, completou.

O conceito de fast fashion nasceu nos anos 70 – ainda que o termo só tenha sido cunhado em meados dos anos 90 -, com empresas produzindo peças em larga escala e mantendo renovação constante de suas coleções. O que sobra, acaba indo para as famosas liquidações. A estratégia não tem encontrado os mesmos resultados apresentados inicialmente.

O consumidor de hoje, principalmente os mais novos, tem adotado aos poucos a tendência slow fashion, buscando roupas com longa duração e marcas que estejam alinhadas à sustentabilidade. Neste sentido, o consumismo desenfreado já pode ser considerado “fora de moda”.

Em contraponto a situação da Forever 21, a Zara mantém seu crescimento cuidadoso em meio as mudanças no mercado. A empresa espanhola, que instituiu o conceito de fast fashion, concentrou seus esforços no terreno digital e passou por cima de uma crise de imagem vivida em 2011, quando foi acusada de usar trabalho análogo em sua produção. A empresa, inclusive, anunciou recentemente que pretende se tornar totalmente sustentável até 2025.

A incerteza sobre um futuro próspero, contudo, segue inserida entre as grandes redes de fast fashion.

Fonte: Thaina Barros | Foto: Reprodução