Jean School Amsterdam revela detalhes sobre a nova filial Brás/SP

A notícia de que no ano que vem a região do Brás contará com uma filial da Jean School, dada durante a primeira edição da Denim City em São Paulo, encheu de entusiasmo a comunidade de profissionais do nosso setor. Nosso país está repleto de denim lovers e profissionais criativos, empreendedores e atuantes. Mesmo que o cenário ainda seja carente de cursos que falem diretamente com a área.

Nosso próprio portal, o Guia Jeanswear, promove workshops voltados exclusivamente para essa demanda, e justamente por isso, vibrou com o anúncio da abertura da filial da instituição alemã por aqui, proporcionando conteúdo e formação específica para o segmento.

Seguindo esse entusiasmo, nossa CEO Iolanda Wutzl, conversou pessoalmente com James Veenhof, fundador da primeira Jean School de Amsterdam. Público alvo, tempo de duração, conteúdos abordados pelo curso. Todos esses tópicos foram abordados com exclusividade, para responder à curiosidade dos nossos leitores que estão ansiosos para se especializar. Confira a entrevista!

GJ: A Jean School de Amsterdam já está em funcionamento há seis anos desde sua fundação, logo, já existem profissionais que se formaram e estão influenciando o grande mercado azul. Que ganhos esses ex-alunos – e empresas por onde passaram – tem relatado como mérito da formação recebida pela instituição?

James: Nossos talentos estão em posições influentes neste exato momento, em marcas como Edwin, Calvin Klein e Tommy Hilfiger. Eles estão criando acabamentos de forma autossuficiente, comprovadamente mais limpos. Embora não tenhamos mantido contato com esses ex-alunos, tem sido visível que as empresas em que estão lotados, estão se tornando cada vez mais sustentáveis em seus processos, e essa é a movimentação desta geração que se formou em nosso estabelecimento e está começando a trabalhar.

Eles estão colocando em prática no mercado uma consciência maior, uma preocupação maior com a sustentabilidade. São garotos legais, que tem energia para colocar essas ideias em prática e estão mudando a indústria para melhor. Por isso penso que levar a Jean School para o Brasil é uma excelente ideia – é um país com muita gente jovem e criativa.

GJ: Há alguma mudança positiva percebida na indústria denim alemã que possa ser atribuída a atuação e visão diferenciada desses novos profissionais?

James: Não posso dizer que existam mudanças provenientes exclusivamente pela fundação da Jean School. Sustentabilidade, que é o maior tópico em evolução no nosso setor, e o pensamento que incentivamos, é uma movimentação global. Desde que abrimos a Jean School já atuamos em São Paulo, na Kingpins, em diversos lugares. E percebemos que o mundo todo está tomando esse rumo, da sustentabilidade.

GJ: A que devemos a honra de ter nosso país escolhido, entre tantas outras opções, como ponto estratégico para instalação de uma filial Jean School?

James: Foi o Brasil que nos escolheu. Nós nos deparamos com esse sonho durante a realização do Denim City e simplesmente aceitamos. No ano passado encontramos um grupo de empreendedores de São Paulo, que manifestaram a intenção de levar uma filial da Jean School para o Brasil. Como podemos fazer isso acontecer? Perguntaram. Então eu disse: vamos precisar de um pouco de dinheiro, e de um local. Formem um time que tenha essas duas coisas. Pensem sobre o assunto. Dez dias depois nos ligaram dizendo que já haviam conseguido todas as condições. Quando perguntei qual seria o local eles me disseram que seria uma fábrica do Brás. Recebi as passagens e encontrei gente muito profissional. Canatiba, Vicunha, Tommy Hilfiger, Calvin Klein, além de muitas marcas da área do Brás. Fomos até a Abit, Escola Politécnica para apresentar a ideia, e todos disseram: Ok, vamos levá-la adiante!

GJ: O que você acha que esses empreendedores vão ganhar com isso?

James: São pessoas que gostam do que fazem, e querem ter ganhos promovendo ganhos para a indústria. Querem treinar as novas gerações, ajudando-as a mudar o rumo da indústria.

Por exemplo, no Brasil existem muitas lavanderias pequenas. Profissionais mais treinados poderiam ajudá-las nessa transição para os processos mais sustentáveis. São visões que compartilhamos: nós apologizamos esta forma de pensar. Então decidimos fazer isso juntos.

GJ: O perfil dos nossos leitores é formado tanto por acadêmicos que estão se formando em moda, quanto por profissionais que já atuam na área e criaram seu próprio expertise. Para que tipo de público o currículo da Jean School, que será instalado no Brás, será voltado?

James: Nós vamos começar em São Paulo inicialmente com workshops, e turmas de treinamento para pessoas que já estão na indústria. Uma vez que tivermos inaugurado a Jean School, ela terá duas facetas. Será tanto voltada para os profissionais, quanto para empregar jovens e criar oportunidades. Nós também faremos um trabalho com a Abit, como por exemplo: um livro. Além de ferramentas online. Então sintetizando, será para profissionais da indústria, da confecção, e designers formados, com o tempo incluirá também iniciantes.

GJ: Quanto tempo de duração terá o curso?

James: Ainda não sabemos exatamente. Este é um tópico que está em discussão no momento, possivelmente será adaptável. A escola será aberta entre setembro e novembro do próximo ano.

Como teremos ofertas de cursos tanto para profissionais do mercado, quanto para designers, provavelmente, teremos diversas opções. Isso significa que as pessoas vão poder realizar suas escolhas de acordo com suas necessidades. Teremos cursos de um dia, dois dias, cinco dias, três meses, um ano: pois é essa a demanda que o mercado brasileiro pede.

GJ: Poderia dar exemplos do programa que a Jean School irá ofertar? Além dele, quais tecnologias e práticas serão oferecidas?

James: Exemplos de cursos de um dia, como um jeans é feito? Desde a costura até o beneficiamento. Quais são as singularidades que fazem a diferença nestas etapas? Cursos de dois dias envolverão decisões na escolha de tecidos, decisões na etapa da lavanderia, o que se deve solicitar aos fornecedores. Os conteúdos vão incluir tanto profissionais atuantes na indústria, quanto novos profissionais que pretendem ingressar – desde a lavanderia tradicional ao laser. Também o treinamento das novas gerações para o uso de novas máquinas que estão surgindo – pois eles aprendem rápido. São dotados de um novo ponto de vista, uma nova mentalidade. Teremos níveis básico, intermediário e com o tempo pretendemos alcançar o patamar MBA, porque não?

GJ: Como denim lovers que somos, gostaríamos de saber, como o denim brasileiro é visto no exterior como um todo?

No exterior nós não conhecemos o denim brasileiro. Pois, para o mercado internacional ele ainda é muito fechado e caro para os investidores. O Brasil é o 7º mercado da América, muito próximo dos Europeus. Para mim foi muito interessante conhecer todas essas marcas, as quais eu nunca vi antes. O exterior não conhece o denim brasileiro como um todo.

O Brasil tem uma grande quantidade de marcas, criativas e originais. A Europa, por sua vez, se caracteriza por algumas marcas conhecidas e de peso. É isso não é melhor nem pior – é simplesmente interessante, pois é uma organização muito diferente.

Na Europa, por exemplo, existem apenas três tecelagens. E no Brasil existem várias. Que parte disso é diferente? Entendemos que o Brasil é um grande mercado, com um preço variando de 20 a 40 Euros; ao passo que na Europa os preços são bem mais altos.

GJ: Quais são as cinco principais marcas de jeans mais importantes no mundo?

James: Levi’s por ser original, e ter a habilidade de redefinir o denim, também por serem a marca mais limpa para o meio ambiente. Denham Jean Maker, por representar o espírito antigo, e pela capacidade de trabalhar uma linha muito premium conectada com a inovação. Contam com o melhor tecido, o melhor design, e concluem tudo em uma interpretação moderna usando elementos vintage, a Californiana Everlane, pois é radicalmente transparente em seus processos, em mostrar como o jeans é feito, os químicos usados, etc.

Esse é um grande tópico para a fase de transição em que vivemos. Gostaria de mencionar a Denim City, pois além de estar ligada ao Jean School, tem a missão de inspirar a indústria. Por fim a C&A, porque está realizando inovações reais em sustentabilidade em um preço que faz sentido para o consumidor.

Arriscando um “muito obrigado” em português, James se despediu da nossa equipe com muita simpatia, agradecendo o espaço, e aproveitou para conhecer um pouco dos eventos do nosso portal, como o Denim Meeting, bem como os workshops de formação. Na ocasião, nossa CEO Iolanda Wutzl, manifestou oficialmente a admiração e intenção de colaborar e somar para este belo projeto que promete elevar ainda mais o expertise da indústria denim nacional.

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Vivian David | Foto: Guia JeanWear