Geração Z prefere a terapia do consumo

Mesmo conhecida por dar valor a conceitos como sustentabilidade, a geração Z não está deixando de comprar. Os mais jovens têm usado o consumo como forma de se sentirem bem com eles próprios e lidar com o estresse do dia a dia.

Segundo dados revelados pela AT Kearny, empresa de consultoria empresarial norte-americana, a geração Z é a mais preocupada com a saúde mental. No novo relatório, os consumidores apontaram algum stress face às redes sociais e afirmaram que essa fragilidade está a influenciar a forma como pensam e compram.

Neste cenário, o Future Consumer Report decidiu explorar as características entre os nascidos de 1990 até o início do ano 2010, em estudo envolvendo 1.500 consumidores dos Estados Unidos e do Canadá. A primeira informação a salientar é o facto da geração Z ser “uma geração em crise“, estando tão preocupada com o bem-estar físico e psicológico quanto os baby boomers, ao contrário dos millennials.

Como consequência destas preocupações, os consumidores da geração Z compram produtos ligados à saúde e bem-estar mais regularmente que outros grupos, sendo que 46% referiram estarem “muito” preocupados com estas temáticas. Com menos 1% seguem-se os baby boomers como resultado dos problemas de saúde que podem surgir com a idade.

O preço da sustentabilidade

Ao que tudo indica, a geração “inconstante” deseja viver em um mundo melhor, mas não está disposta a pagar um preço elevado por isso. Os mais jovens indicaram valorizar produtos simples e sustentáveis, ainda que não queiram adquirir se considerarem o artigo caro. Deste modo, 67% preferem produtos feitos com ingredientes que consigam entender, 65% escolhem embalagens simples e 58% querem que a embalagem seja amiga do ambiente. Metade dos entrevistados da geração Z disse preferir produtos de origem local e 57% procuram produtos ambientalmente sustentáveis.

No entanto, apenas 38% aceitariam pagar uma maior quantia pelos produtos de origem local e 33% pelos produtos com embalagens sustentáveis. Esta geração de consumidores abrange as faixas etárias mais jovens pelo que o facto de terem um menor rendimento disponível pode ser a causa justificável para estes resultados. O estudo concluiu que a geração Z opta por gastar mais em produtos supérfluos do que nas principais necessidades.

“Diante de tudo isto cabe às marcas obter a equação de valores correta, com a sugestão de que os produtos de menor custo ou de margens menores possam ser algo em que os fabricantes e retalhistas devem apostar”, destacou a AT Kearny.

Desconectar na loja física

Apesar de serem conhecidos como nativos digitais, os membros da geração Z afiançaram depender das lojas físicas. A experiência de compra em loja é mais valorizada em todas as fases para os nascidos entre 1990 e 2010 do que para os millennials e a geração X.

A geração Z foi a que teve mais entrevistados a garantir que as lojas permitem “desconectar das redes sociais e do mundo digital”. Esta declaração deve ser motivo de reflexão, uma vez que as lojas físicas estão a adicionar cada vez mais elementos digitais à experiência de compra. Para outras gerações, estas inovações podem ser uma das principais atrações para a deslocação, mas o que leva a geração Z até à loja é a descoberta de novos produtos, a possibilidade de poder experimentá-los e recebê-los no momento de compra.

Não se trata de uma forma de escape do digital mas sim do fator personalização, que é de grande importância para a geração Z. Ainda assim dizem valorizar “uma experiência de loja bem organizada e focada num número limite de produtos”.

Necessidade de aprovação e intolerância

As tendências estão na origem da pressão que a geração Z alega sentir. Dos entrevistados, 26% veem as compras como uma forma de elevar a confiança mesmo que isso os deixe com dificuldades financeiras. Já 30% chegam mesmo a comprar produtos que não podem pagar porque, segundo algumas justificações, fazer compras ajuda a sentirem-se mais seguros e confiantes.

Ainda no âmbito da conexão pessoal, 26% admitiram comprar produtos semelhantes aos dos influenciadores para se sentirem conectados com eles próprios e até mesmo com as figuras digitais, 27% confirmaram sentir essa ligação.

“Mais do que qualquer outra geração, os membros da geração Z confiam na opinião dos influenciadores, das figuras públicas e também de pessoas próximas”, sublinha a AT Kearny. “No que toca a decisões, a opinião dos influenciadores pesa muito mais que a opinião dos amigos”, garante.

A última conclusão do estudo é que as empresas devem estar atentos ao serviço que apresentam, visto que a geração Z é intolerante e não deve realizar compras abaixo do nível a que está habituada. Os seus membros são mais intransigentes no que diz respeito a um mau serviço do que as outras gerações. Como consequência, uma má experiência pode impedir compras futuras muito facilmente, ao contrário de outras gerações.

Fonte: Portugal Têxtil | Foto: Reprodução