H&M evidencia novos ciclos para a indústria do fast­-fashion

A indústria da moda atualmente está vivenciando um momento de mudança singular: tanto a

busca pelo inédito, quanto a sua força criativa sendo cada vez mais direcionada, para soluções

que atendam às exigências de sustentabilidade: e não estamos falando

apenas da busca por matérias primas mais éticas, ou redução no desperdício. Tais tópicos

transcendem a etapa desenvolvimento e incorporam também novos modelos de negócios, novos

giros para a indústria, ciclos experimentais caracterizados pela reciclagem na

indústria têxtil, além de tecnologias passíveis de criar novos paradigmas para o fashion business.



À medida que a pressão populacional cresce, retalhistas influentes aderem à esta movimentação.

Um exemplo recente é a H&M, que vem demonstrando preocupação com a

escassez de matérias primas como o algodão ­ fibra altamente dependente de água e pesticidas.

Como resposta, a companhia sueca anunciou o futuro lançamento de uma linha de

jeans produzida à base de algodão reciclado, e no intuito de encontrar

tecnologias limpas mais eficazes, irá oferecer um prêmio anual de 1 milhão de euros a criadores

de novas técnicas de reciclagem de roupas. De acordo com o presidente ­executivo da

companhia, Karl­-Johan Persson: “O maior potencial (do prêmio) está em encontrar uma nova

tecnologia que signifique que podemos reciclar as fibras com qualidade inalterada”.



Anne­Charlotte Windal, analista da Bernstein, sustenta que a tendência de sustentabilidade da

indústria reflete o dilema que enfrentam as empresas de fast-­fashion. “O modelo só funciona se

eles incentivarem compras muito frequentes, mas os consumidores estão cientes do efeito

nefasto que esta atitude tem sobre o meio ambiente”, explica.



Outro caminho para a sustentabilidade que vem sendo explorado, porém por empresas menores,

é a responsabilidade com o produto até o final do ciclo. Entre os exemplos temos a Mud

Jeans, empresa holandesa que aluga vestuário aos consumidores e, em seguida,

oferece-­lhes uma peça de substituição anualmente; repara e revende as peças usadas e ainda

recicla o tecido.



Atualmente, apenas um máximo de 20% do algodão reciclado pode ser usado num novo par de

jeans porque o comprimento das fibras é reduzido no processo de reciclagem, afetando a sua

qualidade. Além da H&M e Kering, a britânica Marks &

Spencer e a italiana Calzedonia também vem aderindo ao caminho

da reciclagem através do recolhimento de artigos usados nas suas lojas.



Numa escala inferior, os empresários finlandeses Pure Waste Textiles

conseguiram produzir camisetas de algodão 100% reciclado após o aperfeiçoamento das

técnicas de reciclagem existentes. No entanto, outros acreditam que a reciclagem é apenas uma

distração do verdadeiro desafio da indústria da moda: persuadir os clientes a prolongar a

utilização das suas roupas.



REDAÇÃO | FOTO: REPRODUÇÃO