Kingpins amplia visões de sustentabilidade no jeanswear

No mercado mundial da moda, cada um tem direito a formular sua própria versão, completamente pessoal, para o sentido da palavra sustentabilidade. E todas elas juntas, somam um novo caminho – especialmente para o segmento jeanswear. Este foi o principal recado deixado pela mais recente edição da feira Kingpins, que aconteceu entre os dias 23 e 24 de outubro, em Amsterdam.

Incertezas politicas e econômicas, bem como dificuldades de mercado não são páreas para a inovação. A equipe do Guia JeansWear participou do evento com a missão de realizar a habitual curadoria, triagem e decodificação das tendências – de moda e mercado. Neste caso, visando a temporada equivalente ao Verão 2021.

E entre formas e acabamentos, o que de fato definiu as direções do influente evento foi a pegada diversificada atribuída ao conceito eco-friendly. O emprego da fibra de Cânhamo, mesclada ao algodão, assim como fibras naturais que não requisitam tanta água e pesticidas na produção com potencial para agregar atitude casual para qualquer estilo de denim, bem como a comunicação de trajetórias cada vez mais transparentes quanto à procedência e modo de produção de cada artigo apresentado são alguns exemplos.

E como novidade para a estação, o evento apresentou também a tão pronunciada palavra sustentabilidade, renovada pela recente associação da mesma com a experiência de bem-estar em contato com a pele do consumidor.

Após o lançamento do Regen, feito com fibras recicladas de Refibra, e Relast, produzido com algodão orgânico e elastômero reciclado, a tecelagem Candiani Denim adicionou um terceiro grupo à sua família de tecidos sustentáveis: o Resolve. O novo artigo denim é composto por algodão orgânico combinado à uma fibra de elastano premium personalizada e biodegradável da Roica.

Já as tecelagens Neela, Sharabati, Iskur e Artistic Milliners ofereceram variedades do jeans reciclado a partir do reaproveitamento de sobras do tecido descartados antes e depois do uso do consumidor, uma mistura que resultou em uma melange de diversos tons claros de denim.

Ainda entre as ofertas de tecidos eco-friendly, constaram os fabricantes Orta, Bossa e Cone Denim. Naveena introduziu o Denim X.0, uma variedade de tecidos mais sensitiva ao laser, com destaque para o Beam Denim, produto desenvolvido especialmente para a as aplicações a laser, projetado para reduzir o uso de energia, água e retrabalho ao menor percentual possível. Enquanto isto, a Tecidos Royo apresentou a sua tecnologia Dryindigo, caracterizada pela capacidade de tingir o índigo sem uso de água respeitando integralmente sua tonalidade original.

Um toque mais gentil para a pele do consumidor final, como já mencionado, também voltou a figurar como uma busca e um diferencial entre as tecelagens. Refletindo esse ideal, composições com misturas skin friendly voltaram a protagonizar algumas criações, como a variedade de tecidos CBDenim, da Orta, que agrega as propriedades relaxantes e refrescantes da molécula CBD, popular na indústria cosmética.

Além disso, também participaram desta tendência as variedades de tecidos leves da Tencel e o tecido da família Buttery Soft, da fabricante Artistic Milliners, que ofereceu tanto variedade de denim regular quanto selvedge, usando varias tecnologias. Entre elas, estavam as tramas especiais no avesso, Modal, Tencel e algodão Supima, para adicionar um novo toque mais gentil e fresco aos tecidos.

Produtos com algodão reciclado, mesclas com Tencel, linho e viscose também endossaram a tendência da sustentabilidade em versão skin friendly na brasileira Canatiba. A tecelagem aproveitou a visibilidade do evento para lançar o Biosoul, denim diferenciado pela presença de poliamida biodegradável, além de uma gama de tecidos livres de anilina.

Vicunha, por sua vez, enfatizou a questão do rastreamento do algodão orgânico e reciclagem de algodão nos artigos apresentados no evento, e novamente reforçou a transparência dos recursos hídricos empregados no algodão dos seus artigos: segundo a tecelagem, 97% proveniente da própria água da chuva.

Toda essa diversidade de pontos de vista para a questão do denim eco-friendly culminaram em uma estética acolhedora que destacou o estilo casual tanto nas peças quanto nos acabamentos dos mostruários sugeridos pelas tecelagens. A própria água, inspirou algumas personalizações e o visual tie-dye, como pinturas manuais de peixes e superfícies colorida aquareladas.

Texturas criativas também foram exploradas, assim como a estética upcycle, que em alguns momentos elevou suas suas interpretações  para o patamar de arte, indo além de detalhes frayed e construções “enrugadas” e incorporando também pinturas manuais e abstratas, mencionando novamente a energia da Action Painting.

Fonte: Vivian David | Fotos: Equipe Guia JeansWear e Reprodução