Maquintex e Signs Nordeste expõe sinergia entre setor têxtil e comunicação visual

Em um futuro muito próximo, a criatividade que tem definido a indústria da comunicação visual, irá migrar para o setor têxtil. Foi prevendo essa direção de mercado, que a Maquintex 2019, evento que contempla a indústria dos fios, químicos beneficiamento e confecção, ocorreu juntamente com a feira Signs Nordeste entre os dias 10 e 13 de setembro, no Centro de Eventos do Ceará.

Enquanto a experiência, a surpresa e a irreverência foi extremamente assídua na Signs, dedicado à impressão digital, repleto de DJs, performances de envelopamento e interatividade, a Maquintex se apresentou como uma feira totalmente dedicada à indústria do vestuário. O foco seguiu sendo o encurtamento dos processos produtivos, a sustentabilidade e a automação, em diversos níveis.

“Temos um olhar crítico com as novidades do mercado, estamos antenados com o que está acontecendo no mundo e buscamos trazer isso para o Brasil da forma mais rápida e barata possível, explica o diretor de marketing e comunicação da FCEM/Febratex group, Hélvio Roberto Pompeo Madeira Junior.

“Aqui no Ceará temos uma indústria têxtil forte, e a união entre a comunicação visual aconteceu devido a uma sinergia entre o têxtil e o plástico: daqui a uns anos tudo isso vai migrar para o têxtil, então estamos aproximando estas duas linguagens”, afirmou.

De acordo com Hélvio, o público tem se expandido: no início 90% dos visitantes correspondiam ao Ceará, e hoje percebemos uma diversificação com visitantes do Rio Grande do Norte, Natal, Maceió, e Recife também procurando as soluções da Maquintex para prover suas confecções.

Em um cenário onde a indústria 4.0 é o ideal, mas precisa partir de um patamar desigual – já que nem todos constam no mesmo nível evolutivo – nem tudo foi inédito. Muitos produtos foram recolocados para os visitantes, mas encontrar tanto o lançamento quanto o que mercado já oferece, reunido em um mesmo local, é muito conveniente até mesmo para que as empresas que estão mais abastadas da automação tomem coragem para dar seus primeiros e providenciais passos nessa direção.

Iniciando pela etapa da lavagem do jeans, Bellfer lançou a máquina Mustache, equipamento apto a reproduzir efeitos de estampas, ripped e simular o look vintage por meio do laser com economia de até 90% de água e o diferencial da tecnologia 100% nacional. Durante a feira, a companhia realizou diversas demonstrações ao vivo personalizando sacolas de denim e retalhos, e apresentando a nova solução para os visitantes de maneira mais interativa, além de colocar em evidência peças desenvolvidas em parceria com o Senai.

Já os equipamentos voltados para a costura industrial do jeans, seguiram a tendência do encurtamento e flexibilização dos processos em chão de fábrica. Sansei apresentou uma máquina de caseados que costura e corta simultaneamente, podendo ser regulada para alternar tamanhos e variar o desenho da extremidade entre o formato reto e o formato chamado “piano”. Silmaq deu visibilidade à máquina MOLL 254 da JUKI, capacitada para aplicar passantes diretamente no cós reunindo as funções de dobra, corte e pesponto com agulha dupla; eliminando a necessidade de manipulação individual dos mesmos.

Ainda no espaço Silmaq, foi ofertada a máquina NIPPON, apta a realizar sozinha os três processos que envolvem a aplicação de bolsos planos: dobrar, aquecer e pregar. Também a máquina de cós automático (para cós reto e anatômico), que realiza o fechamento deixando as pontas abertas e cortadas, dispensando a necessidade de desmanche geralmente executada por um auxiliar.

A etapa do corte também encontrou seu respaldo na máquina alemã BULLMER, cujo forte é o corte com simetria superior, e capacidade produtiva de 6.000 peças por dia. Painéis fornecendo dados informativos da produção, metas e dados foram consenso entre as ferramentas disponibilizadas.

Considerando que muitas confecções ainda estão em fase inicial de automatização, a Metalsete Indústria e Comércio reapresentou para o mercado a enfestadeira manual com alinhamento automático de auréolas. Destacando o mesmo cuidado do posicionamento impecável no fio, Enfesmak, premiada pela participação assídua nas feiras de tecnologia da indústria têxtil, deu visibilidade ao modelo FXA, equipado com um sensor de alinhamento automático que identifica o tecido e faz com que todas as paredes se posicionem corretamente.

Para alimentar a produção das marcas com DNA enfeitado, que tanto definem o setor denim nacional, as maquinas de bordados atraíram interesse dos visitantes. ZSK apresentou a máquina com programação apta a bordar e agregar miçangas no bolso de uma peça já fechada em um único processo. Equipada com um bastidor viabilizando a retirada opcional da mesa de bordado, o equipamento permite uma melhor manipulação do tecido ou peça conforme a necessidade.

Barudan do Brasil, novamente chamou a atenção com a sua máquina de bordado para grandes extensões de tecido, capaz de aplicar diferentes cores de paetês e bordar a mesma arte com variações de cores e materiais: uma ferramenta relevante para as marcas de jeans com produção expressiva, que buscam equipamentos para preencher com desenhos bordados grandes áreas do jeans, como o entrepernas por exemplo.

Madeira, frutas tropicais e texturas naturais inspiraram muitos aviamentos, assim como cores vividas dos anos 80 e 90. Etical apresentou um mostruário com tons vibrantes em pink e verde neon para o segmento infantil, além de dourados polidos ideais para atender ao retorno dos coloridos. Ainda na Etical, os metais envelhecidos assumiram uma versão mais decorativa, através de desenhos geométricos vazados, texturas e mix entre banhos diferentes constando em argolas, e conjuntos e botões e placas.

A Acessórios de moda Perfeito, por sua vez, trouxe uma linha de botões e fivelas sustentáveis feitos com sabugo de milho, resíduo de coco, e madeira reflorestada. Soeiro, expôs aviamentos de metal simulando o look da madeira, proporcionando assim o visual natural da madeira com o respaldo de uma durabilidade maior. Ainda no stand da companhia, encontramos penduricalhos perfeitos para o shortinho jeans, explorando motivos tropicais como banana, palmeira, e pluma.

Quebrando um pouco o ritmo das máquinas com o olhar criativo do design de moda, o espaço dedicado às empresas regionais do Ceará colocou em evidência as peças de showroom da Santana Têxtil, desenvolvidas em parceria com a Hi Tech, refletindo a permanência do look trabalhado em desfiados, e das tendências que giram em torno de inspirações com visual upcycle para as próximas temporadas.

Paralelamente à feira, a indústria 4.0, sustentabilidade, e a conexão entre a a automação e o consumidor foram foco de debates e palestras no Fórum de Informações Maquintex 2019, outro destaque do evento, que além de reunir nomes importantes também dedicou espaço aos novos talentos através da apresentação do desfile de uma coleção cápsula dos estudantes Luis Butrago e Vitor Cunha da universidade Uniateneu. Neste cenário, a feira Signs Nordeste contou com eventos mesclando premiações e cativantes campeonatos de envelopamento relacionados ao setor de comunicação visual.

A próxima Maquintex e Signs, que passará a se chamar Signs Norte e Nordeste, já está marcada para acontecer entre os dias 14 e 16 de setembro de 2021.

Fonte: Vivian David | Fotos: Divulgação