MODA CIRCULAR: 3JNS apresenta modelo de negócios inédito para o jeans

Muitas nomenclaturas surgiram em meio a conceitos que envolvem moda e estilo de vida sustentável. Upcycle, consumo consciente, economia circular. Este último, um dos maiores desafios do mercado têxtil e de vestuário atual, tão viciado no modelo linear com produção e consumo terminando em mero descarte. Porém nessa busca, o jeans, conta com duas importantes características a seu favor: em primeiro lugar a durabilidade, que o torna potencialmente apto a perseverar pelos anos e estações. E em segundo, a crescente associação da visual roupa reaproveitada com o sentido de valor agregado, que mantém sua habilidade de renovação.

Desse contexto, conclui-se que toda peça confeccionada em denim, já nasce com uma incrível vocação para continuar girando pelas estações. No Brasil, existe apenas uma marca de jeans que adota o formato de economia circular: a gaúcha 3JNS. Criada em julho de 2017, a empresa trabalha a venda do jeans prolongada por uma vida útil de três ciclos – incluindo retorno por parte do consumidor e recolocação da mesma para venda, com reformulação do estilo. Maria Fernanda Satin, fundadora da marca, conta que após anos de trabalho em uma grande rede de lojas, reconheceu no modelo de negócios com economia circular uma grande oportunidade, induzida por sua formação em economia. “Eu queria conciliar estes dois mundos, o do consumo e da sustentabilidade, pensando como poderíamos consumir artigos de moda com um viés ambientalmente mais positivo”, conta.

No modelo de negócios inédito no Brasil, o jeans é concebido em estética atemporal – recebendo a etiqueta de 1º ciclo para marcar o início da sua trajetória comercial. Após a compra por um consumidor, ele pode ser devolvido em troca de um cupom de desconto, para aquisição de uma peça nova da marca. Ao receber a peça usada, uma equipe de estilo realiza uma análise para identificar o potencial e definir qual processo mais adequado para transformá-la: desde uma nova lavagem até a customização por rasgos, ou completa reestruturação em um novo item de moda. Feita a mudança de visual, a peça volta a circular pelas leis da oferta e procura no website da marca, com a etiqueta de 2º ou 3º ciclo.

“Nós usamos apenas denim Vicunha 98% algodão e 2% elastano”, conta Maria Fernanda. “Isso permite que a calça seja confortável e que o tecido se mantenha íntegro durante os processos a que vai ser submetido ao longo de sua vida”, justifica a fundadora. Perguntada sobre como essa longa trajetória é possível, Maria explica: “as peças do primeiro ciclo recebem uma lavagem mais light, e vão se tornando mais claras e desgastadas no segundo ciclo.” De acordo com ela, a ideia é que ao chegar no terceiro ciclo elas sejam ainda mais detonadas e destacadas em seus níveis de desgaste.

Toda a trajetória das roupas confeccionadas pela 3JNS fica devidamente identificada, sendo possível realizar o rastreamento do seu histórico de vida desde a criação. A devolução é feita pelos correios, sem custo, e o desconto é aplicado via código de cupom. Na loja virtual, a marca oferece um mix diversificado de modelagens trabalhadas: cigarretes, pantacourts, shorts, calças flare, clochards, pantalonas e boyfriend. Além do jeans, chemisiers, jaquetas e maxi-coletes são ofertados. Bordados manuais, trabalhos de nuances em tons médios de índigo, rasgos e devorês constituem as informações de moda mais trabalhadas nas interpretações. “Uma das características que queríamos trazer para a 3JNS eram peças ligadas à modelagem clássica que não perdessem o componente de moda; pois analisando o mercado de peças sustentáveis percebemos que era muito direcionada ao cliente alternativo”, conta a fundadora. “Nossa proposta era justamente fazer uma moda para pessoas mais contemporâneas, ligadas ao ambiente cidade”, conclui.

Quem toca toda a parte administrativa da marca, é a fundadora Maria Fernanda juntamente ao seu sócio Jair Kievel. O volume de vendas ainda é modesto: 100 unidades por mês. De acordo com Maria, trata-se de uma realidade natural haja visto o nível de maturação do mercado brasileiro. “Observamos o que está acontecendo nas economias mais desenvolvidas, e sabemos que depois de cerca de 5 a 10 anos se torna realidade nos países menos desenvolvidos como o Brasil; então esta questão do consumo consciente já é muito forte na Europa, e em breve vai ser forte aqui também”, contextualiza. “Acreditamos muito no nosso modelo de negócio, e sabemos que é só uma questão de maturidade do mercado: no futuro, vamos nos beneficiar por ter sido pioneiros”.

“Hoje todas as nossas peças são 100% desenvolvidas em uma única empresa; em Criciúma, importante polo produtivo de jeans nacional – inclusive o processo de lavagem que é onde tem mais geração de resíduo”, conta.  “Dessa forma conseguimos garantir que todos os processos estão em concordância com a legislação ambiental, e que a mão de obra é 100% legalizada, seguindo uma das principais preocupações da atualidade”, afirma Maria Eduarda. O centro de distribuição, por sua vez, está localizado no município de São Leopoldo, Rio Grande do Sul; e o escritório tem sede na capital gaúcha Porto Alegre.

Fonte: Vivian David | Fotos: Santana Textiles