Mudanças previstas para a indústria têxtil

O futuro é agora. Com certeza vocês já devem ter ouvido falar nessa frase que pontua todo o mercado de moda atual. E é exatamente esse o caminho que deve ser seguido pelo setor têxtil. Mudanças rápidas e urgentes são necessárias para acompanhar a velocidade de informações e os anseios dos novos consumidores, principalmente os millenials que vêm ditando as regras do jogo. Foi exatamente isso que a empresa de consultoria McKinsey &Company abordou no relatório anual The State of Fashion 2019.

Segundo o estudo, as marcas precisam ser ágeis, priorizando as plataformas digitais. Além disso, será necessário assumir novas posturas sociais e satisfazer as demandas dos consumidores por transparência e sustentabilidade.

A previsão de crescimento para o setor têxtil vai girar em torno de 3,5% a 4,5%, com melhores expectativas para o mercado de luxo que deve ganhar força na Ásia. Além disso, espera-se que a China ultrapasse os EUA no segmento de moda mundial.

Confira a seguir as tendências que vão permear o mundo da moda neste ano, segundo o The State of Fashion 2019.

Cautela

70% dos entrevistados pela empresa de consultoria estavam preocupados com a perspectiva macroeconômica global em 2019. Com uma previsão de crescimento mais tímida, este será um ano de prudência. A queda nos principais indicadores econômicos e a desaceleração do mercado irão redobrar o cuidado dos investidores. Para compensar esse cenário, as empresas buscarão oportunidades para aumentar a produtividade.

Ascensão indiana

A China deverá ultrapassar os EUA como o maior mercado da moda neste ano, mas não será o único país asiático a chamar atenção da indústria têxtil. Graças ao fortalecimento da classe média e do setor manufatureiro, a Índia receberá grandes investimentos em 2019. O país vai triplicar o número de usuários de smartphones até 2022.

Relações comerciais

De acordo com 62% dos empresários que responderam a pesquisa, mudanças na política comercial representarão riscos potenciais para o crescimento econômico global.

Todas as empresas precisarão preparar planos de contingência para enfrentar uma potencial mudança nas relações comerciais ao redor do globo. Os negócios relacionados ao vestuário poderão ser reformulados por novas barreiras e tensões econômicas, mas oportunidades de crescimento devem surgir com a abertura do mercado sul-africano.

Desapego

Segundo 44% dos entrevistados, os modelos de negócios voltados à locação serão mais relevantes em 2019. A vida útil das roupas e acessórios está se tornando mais volátil à medida que os negócios de locação e produtos usados continuam a evoluir. Os empresários da moda devem investir mais nesse nicho para ter acesso aos consumidores que buscam acessibilidade e sustentabilidade.

Atenção às causas ambientais e sociais

Escândalos relacionados ao trabalho escravo devem diminuir nos próximos meses.

A paixão dos mais jovens por causas sociais e ambientais prejudicou várias marcas em 2018, e para este ano a tendência é que essa preferência cresça. As empresas devem dar mais atenção a esse fator para manter seus antigos consumidores e conseguir outros novos.

Na Finlândia, por exemplo, uma equipe diversificada da Universidade de Aalto projetou e produziu um vestido de noite feito de bétulas finlandesas, usando uma tecnologia sustentável chamada Ioncell que cria fibras têxteis de qualidade a partir de uma variedade de matérias-primas, incluindo madeira, jornal reciclado ou papelão e tecidos velhos de algodão.

Agora ou nunca

Com o crescimento do e-commerce, a lacuna entre a descoberta e a compra tornou-se um ponto problemático para o consumidor de moda mais impaciente, que procura adquirir os produtos de forma imediata. As marcas vão investir em prazos mais curtos e mais disponibilidade de itens anunciados. A Amazon, por exemplo, entrega seus produtos nos EUA em 24 horas.

Transparência

Para 65% dos entrevistados pela McKinsey & Company, a confiança é fator decisivo na hora da compra. Até então, as companhias restringiam seus dados aos departamentos internos e empresas terceirizadas, mas o consumidor ficou mais desconfiado e passou a exigir transparência. Para que as marcas reconquistem a confiança de seus clientes, elas precisarão expor informações ligadas a custo-benefício, integridade criativa e responsabilidade social.

Mudanças no DNA

Esta é a tendência mais bem posicionada entre os executivos de moda. Marcas tradicionais estão começando a alterar seus modelos de negócios e imagem em resposta às demandas da nova geração, que cada vez mais deixa o tradicional de lado para buscar as novidades. A regra é clara: quem não muda fica para trás.

Exploração das plataformas digitais

Plataformas de compras on-line ganharão mais destaque neste ano. A disputa pelo comércio digital vai se intensificar neste ano. Marcas devem investir cada vez mais no e-commerce, e novas plataformas de consumo on-line devem ser criadas. O Instagram, por exemplo, prepara-se para lançar seu aplicativo de compras. Pontos físicos passarão a servir como posicionamento de marca e canais de experiência com os clientes.

Sob demanda

A automação de dados permitiu que as marcas atingissem uma produção ágil sob encomenda, assim reduzindo a perda de produtos e o estoque excessivo. Essa possibilidade dá ao mercado a chance de responder mais rapidamente às tendências.

 Fonte: Redação | Foto: Reprodução