Novos Modelos de Negócios no Vestuário

O ano de 2012 mostrou novas regras para definir os negócios, o consumo e o gosto. A moda rápida e acessível tem conseguido impor uma nova lógica. O discurso já não basta: para vender, é preciso ter produto inovador e preço atrativo. Além de tudo isso, as vendas on-line mostraram o seu poder de abalar as estruturas do varejo tradicional.

No segundo semestre do ano, dois estilistas brasileiros – nomes fortes da safra que despontou a partir dos anos 90 – anunciaram mudanças radicais de percurso. Walter Rodrigues, um dos mais criativos do segmento prêt-à-porter de luxo, anunciou sua aposentadoria das passarelas. Já Isabela Capeto desfez o negócio com o grupo Inbrands (dono de grifes como Alexandre Herchcovitch, Ellus e Richards), e apostou em duas pequenas linhas de roupas e acessórios.

O ano de 2012 também foi marcado pela consolidação de marcas estrangeiras no território brasileiro. O tão aguardado shopping JK Iguatemi abriu as portas em junho, trazendo para o país marcas como Lanvin, Goyard, Miu Miu e a tão temida Topshop – o fast-fashion mais cultuado do mundo. A partir de julho, o shopping passou a abrigar a primeira loja da Gucci 100% masculina da América Latina. A loja é uma das seis apenas masculinas que existem no mundo, e vende a coleção completa de prêt-à-porter, além de sapatos, bolsas e outros acessórios.

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), o volume de artigos importados que entra no mercado, entre tecidos e roupas prontas, cresce ano após ano. A importação representa hoje 25% do consumo aparente. Nos últimos sete anos, as importações da cadeia aumentaram 222%. Para piorar o quadro desfavorável para a indústria nacional, os impostos correspondem a 40% do valor de uma peça de roupa feita no Brasil.

O segmento do varejo atravessa um período inédito. De acordo com a pesquisa WebShoppers, do e-bit, a categoria “moda e acessórios” já ocupa o terceiro lugar entre os artigos mais vendidos pela web, no Brasil, com uma fatia de 11%.

VANESSA BARONE | VALOR ECONÔMICO | FOTO: REPRODUÇÃO