Novos tempos, novos costumes, nova moda

A segunda edição de 2018 do Senac Moda Informação aconteceu no último dia 4 de outubro no Mundo Pensante, no Bixiga, em São Paulo e trouxe temas relevantes para o atual cenário fashion mundial, abordando desde o mundo do design até os valores e a autonomia da moda brasileira.

Confira os destaques apresentados.

Tatiana Souza, diretora do birô Ouïe e integrante do núcleo de design da Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal) que mediou todo o evento, falou sobre conexões e histórias que se criam dentro do universo da moda. “Criar através de histórias, entender quem é a marca, quem é você e criar um produto como se fosse presentear alguém. É uma sinergia de coisas, quebra de padrões, onde todos os departamentos precisam conversar”, avaliou Tatiana. As novas ações das empresas valorizam esse “match de valores com a marca”, onde muitas vezes, a informação está dentro da marca, na sua história e evolução e não lá fora. “A moda é um campo muito fértil e muitas pessoas atualmente querem empreender na moda. Por isso, é preciso pensar no que você pode trazer de diferente, atendendo um público que busca algo que não é mais o mesmo”, comentou Tatiana.

Fábio Kadow, head de Marketing da Puma Brasil trouxe o Talk Branding e Criação destacando a importância de levantar bandeiras e ser engajado em ativismos, pois a nova tendência é o “Storydoing”, diferente de contar histórias como no já batido “Storytelling”, a marca tem que fazer parte da história, transformar intenções em ações. Ele apresentou ações como o Fashion Pop Cult onde pessoas convidadas customizavam um tênis da Puma e podiam compartilhar com 50 amigos em comemoração aos 50 anos de um modelo específico da marca. “A gente criou conteúdo em cima de todas essas histórias. A gente tem que ser aquilo que as pessoas estão interessadas, tem que ser relevante para eles”, afirmou Fábio. Ele ainda trouxe uma pesquisa revelando que 55% das pessoas acreditam que as marcas têm que fazer mais que o governo e 65% não comprariam de marcas que não se posicionam.

Dentro da Arena Tradução de Tendências, estiveram presentes o designer Gustavo Silvestre, do Projeto Ponto Firme; Andrea Bisker, da Stylus, e Tatiana Souza, da Ouie Estúdio.

Gustavo falou sobre seu Projeto Ponto Firme, do qual é docente voluntário na Penitenciária Desembargador Adriano Marrey, em Guarulhos, desde 2015, ensinando aos detentos como confeccionar peças em crochê. O trabalho cresceu tanto que virou um desfile apresentado na última edição do São Paulo Fashion Week.


Gustavo contou que há 10 anos atrás já não via a moda como conhecia antes e, que ela não fazia mais sentido para ele. Viajou para China e conheceu a rotina de fábricas de roupas então decidiu realmente que não queria fazer parte daquela indústria de fast fashion, de formatos quadrados, além do universo da cópia, que segundo ele, é horrível.

Foi a partir desse momento que começou a investir no slowfashion, fora de calendários de moda, com peças atemporais que agregam valores sociais e ambientais. “A moda é contagiante. Boas práticas podem ser usadas como contágio, com iniciativas que vão além do consumo”, afirma Gustavo. “Por que tenho que olhar as tendências de fora? No Brasil tudo é muito diferente, temos outras belezas”, continua Gustavo.

Gustavo, hoje, é mais reconhecido como artesão e realiza seus trabalhos sob encomenda no ateliê compartilhado da Casa do Povo, no Bom Retiro, sem classificá-los por coleção. Dentre as famosas que vestem suas criações, estão as cantoras Karina Buhr e Pitty.

Voltado a pesquisas sobre as manifestações culturais de diversas periferias pelo Brasil, o laboratório carioca Coolhunter Favela apresentou no Senac Moda Informação 2.18, a experiência de shooting da Galeria de Sensações. A ação foi capitaneada por Rafa Joaquim, criativa à frente do laboratório que, com seu olhar atento, tem colaborado com marcas de moda para o desenvolvimento de campanhas que celebrem a diversidade da cena urbana atual.

No Talk, Comportamento de Consumo, Marcos Hiller, do True Stories, trouxe insights sobre as novas conexões do marketing com as pessoas. Estimulado cada vez mais pela informação que recebe em tempo real em seu smartphone, o consumidor veio estreitando seu relacionamento com as marcas de tal forma nos últimos anos que, hoje, quando se engaja em alguma campanha e a compartilha em sua rede social, assume tanto a posição de público-alvo como a de cocriador do conteúdo.

Na Resenha: Novos Modelos de Negócios, Mariana Wakim, do Enjoei, contou um pouco sobre a história da empresa, que começou com um blog que postava a foto das roupas e sua história. O modelo cresceu e se tornou o site que conhecemos. A ideia é facilitar a compra e venda de roupas de segunda mão. Hoje, além dos vários adeptos ao site, a Enjoei conta até com lojinhas de celebridades e planejam facilitar ainda mais a venda de produtos com o Enjoei Pro, onde é oferecido o serviço de foto, postagem, descrição e venda dos produtos pela própria empresa.

No Talk: Print This! Estamparia e Processo Criativo, Mário Schik, da Digitale Têxtil, contou sua jornada com a empresa, desde fabricante de tecidos até a estamparia digital. Ele diz que um empresário não deve ter medo de mudar. A própria Digitale passou por uma grande reviravolta em 2008 quando percebeu que a produção de tecidos já não era mais rentável no novo contexto de mercado. Assim começou com a estamparia digital. Mário também alertou sobre a importância de encontrar um nicho “Especialize-se e vire referência no que faz”.

Fonte: Vanessa de Castro | Fotos: Divulgação