O formato 4.0 da profissão | Guia JeansWear

O formato 4.0 da profissão

Enquanto uma célula fecha braguilhas, outra agrega o cós. Enquanto uma revisa, a outra prega os passantes. Antigamente – e ainda hoje – é assim que se projetava a imagem de um costureira(o) no setor de moda. Mas o futuro da Indústria 4.0 promete mudanças para esse profissional de suma importância para o mercado têxtil.

Nele, haverá menos espaço para repetição daquela velha tarefa de costurar muitas e muitas vezes o mesmo corte. E mais amplitude para a iniciativa, tomada de decisão, e conectividade figurando entre as competências da(o) costureira(o).

Tecnologia e qualificação: de acordo com esse cenário futuro, estas são duas palavras chave para prospecção do novo contexto e perfil que irá vestir esse profissional no novo modelo de indústria inteligente 4.0.

“A costureira exerce um papel fundamental e essencial que é o de tornar real o que foi produzido”, afirma Anderson Lourenço, Gerente de Marketing da Silmaq máquinas e equipamentos. “O ato de costurar influencia diretamente no acabamento final da peça. É verdade que as máquinas e automações contribuem diretamente para o resultado final, mas a presença da costureira faz toda a diferença”, afirma Anderson.

“Por mais que haja investimento em tecnologia, eu não consigo mensurar uma roupa sem a mão de uma costureira envolvida na confecção desta peça”, define Flávia da Silva, integrante do corpo docente do Senai Cetiqt – uma das unidades Senai dotadas da fábrica modelo 4.0. “Mesmo visitando empresas eu visualizo que isso não é tão possível. Em algum momento ela vai pegar essa peça e vai costurar. É um papel importantíssimo e por um bom tempo não haverá como não utilizar essa mão de obra.”

Perante tantas mudanças, como máquinas de costura com smartphones acoplados, capazes de calcular ajuste de linha e ponto de maneira digital e ainda gerar relatórios de produtividade em tempo real – tecnologias já existentes na Silmaq; a profissão vai exigir adequações. “Como 4.0 é um processo muito informatizado, com processos bem pensados e estruturados, a costureira vai precisar ser mais capacitada e qualificada” comenta Flavia. “Uma das coisas fundamentais é que ela vai precisar conhecer todo o processo e entender que ela mesma também poderá ser 4.0, de alguma forma”, alerta.

“A costura deixou de ser um movimento artesanal e puramente mecânico: hoje é tecnológico”, afirma Anderson. “A chegada das máquinas inteligentes, onde parâmetros de ajustes dos equipamentos podem ser ajustados por softwares vai exigir que o profissional de costura saiba lidar com esses novos equipamentos”, complementa o Gerente de Marketing. “O profissional de costura não pode ter medo de utilizar essas tecnologias”, conclui.

O que pode e precisa ser melhorado nas condições de trabalho dessa classe? A resposta desta questão é um consenso tanto entre os profissionais que fabricam a tecnologia da costura, quanto os que qualificam estes profissionais.

“Respeito e a valorização da classe é a principal mudança necessária”, apologiza Anderson. “Não adianta a marca ter o melhor estilista, o melhor modelista, o melhor PCP, o melhor fornecedor de tecidos e aviamentos e não ter quem faça a união disso tudo para a composição do produto final. Uma peça piloto não é nada se não puder ser reproduzida com a mesma qualidade e acabamento”, afirma o Gerente de Marketing.

“Mesmo longe do trabalho de costureira há alguns anos, entrando nas fábricas ainda visualizo más condições de trabalho, com ambientes mal organizados, e salários muito baixos”; desabafa Flávia. “Ainda se vê a costureira como uma simples trabalhadora braçal. E ela não é só isso, ela é responsável por muita coisa e ela precisa se apaixonar pelo trabalho dela”, conclui a docente.

Para onde vai o papel das costureiras na indústria 4.0? Imaginamos que vai para um lugar melhor: mais conectado e digital. E ao mesmo tempo mais humano, flexível e criativo. O dia 25 de maio é o dia da costureira. Sem ela, nenhuma roupa, nenhum jeans ganha vida. Celebramos esta data com os melhores votos de renovação tanto do status quanto do papel desse profissional na cadeia produtiva de moda. Parabéns, e um agradecimento especial aos profissionais chave dessa transformação, que contribuíram com seus depoimentos.

Abaixo, vídeo com as tecnologias Silmaq desenhadas para essa nova realidade.

 

Fonte: Vivian David | Fotos e Vídeo: Reprodução

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