O futuro do mercado da moda em pauta no Iguatemi Talks

A terceira edição do Iguatemi Talks Fashion, promovido pela Iguatemi Empresa de Shopping Centers, segue sendo realizada até esta quinta-feira. O evento tem como objetivo informar e inspirar as pessoas com assuntos relevantes sobre sustentabilidade, novas tendências, comportamentos e conteúdos inovadores do setor de moda e varejo através de encontros, palestras, bate-papos, workshops e mentorships.

Entre os destaques, a palestra “Inovação no Varejo de moda” contou com a presença de Isabel Humberg, fundadora do e-commerce Fashion Code, Andrea Bisker, diretora da Sytlus Brasil, com mediação de Patrícia Carta.Juntas, elas apontaram as principais inovações para o mercado de moda.

Isabel deu início à conversa afirmando que muitos pensaram que as lojas físicas iriam acabar depois do boom do e-commerce, mas não é isso que vem acontecendo, mas sim o crescimento do conceito omnichannel, unindo o ambiente físico e digital.

“Temos jornadas físicas e online, e o Brasil está nesse momento”, afirmou Isabel. E, comentou sobre o maior portal de compras do mundo, o Alibaba com mais de 241 milhões de clientes, que já em 2016, um de seus fundadores, Jack Ma, dizia que é preciso desconstruir essa barreira entre online e off-line.

O Fashion Code, por exemplo, não vende somente roupas, mas também oferece consultoria de como usar aquela peça adquirida. “Mesclamos curadoria com algoritmos. Esse é o caminho do varejo de moda. Quanto mais dados tivermos de nossos clientes, mais saberemos sobre ele e suas preferências”.

Segundo a fundadora, o cliente responde um questionário super completo e em seguida o site seleciona oito peças de acordo com seu estilo, orçamento e gostos para então enviar para a sua casa, onde a pessoa escolhe o que irá comprar, devolve o restante e ainda responde por que não gostou das peças devolvidas.

Outro ponto abordado foi a importância da personalização no varejo de moda. Para Andrea Bisker, existem quatro pontos de personalização:

#Tecnologia 3D: Com interação nas lojas, marcas integradas com smartphones;
#Sustentabilidade: Menos estoques e gastos;
#Geração Z e Millennials: Jovens que se preocupam com sua liberdade, individualidade ao extremo onde a customização das peças é sempre muito bem-vinda;
#Inclusão na moda: Numerações corretas e maiores.

Omnichannel unindo online e offline

Outro questionamento importante citado na conversa é O que fazer para tirar a nova geração de casa, com todas essas facilidades digitais? Como atrair o cliente para a loja física? Para Andrea Bisker, a loja precisa ser um ponto de experiência, de conexão, com uma nova cara, arquitetura atraente, onde o cliente vai se divertir, adquirir conteúdo.

Já Isabel acredita  que é muito importante coletar dados, saber exatamente quem é o seu público-alvo para entregar sempre o que deseja. Ela diz ainda que a logística do e-commerce é um dos elementos mais caros, por isso a loja física é bem útil e serve como um ponto de troca e experimentação do produto.

A fundadora do Fashion Code afirmou que, com o sucesso dos e-commerces, atualmente o custo de aquisição do cliente é muito alto (o quanto se paga ao Google). Antes era muito mais barato e agora está congestionado, cada vez mais caro ter relevância no site de busca. Por isto, o ponto físico pode ser mais barato.

Outro assunto abordado na palestra foi sobre a Geração X e Baby Boomer, um pouco esquecida dentro do varejo de moda.

Segundo Andrea, as gerações de 16 a 24 anos e de 25 a 34 anos vão crescer em consumo, 1,2 bilhão até 2020. Contudo, 25% da população brasileira tem mais de 50 anos e, essa faixa etária não se vê representada dentro do mercado de moda. É necessário, sim, olhar para a geração Z que é o futuro e para a influência no consumo dos Millennials, mas o poder de compra do público mais velho é maior. Os membros da faixa etária já estão estabilizados financeiramente, querem e podem gastar, não pretendendo deixar herança para seus filhos.

As mulheres entenderam que beleza é muito mais que juventude. Por isso, vale a pena investir nesse público”, afirma Andrea. Ela acrescenta que não há muitas opções de modelagens e estilos e comunicação para esse consumidor.

Sustentabilidade

Sustentabilidade é uma realidade não mais somente um conceito distante. Então, o que fazer dentro de um mercado onde a produção de peças de roupas dobrou em 15 anos, onde ainda gasta-se muito água, produtos químicos e gases são emitidos? Será que os brechós online são uma boa saída? Estas estão entre as questões abordadas por Patrícia Carta.

Segundo as convidadas, esse é um dos caminhos e um segmento que vem crescendo muito mais que a moda tradicional (cresce 24 vezes mais). “O brasileiro tem um preconceito com roupas usadas, mas isso vem mudando também com a democratização do mercado de luxo e, a valorização do empreendedorismo por parte da nova geração”, diz Andrea.

Isabel aborda o aluguel de roupas que vem fazendo sucesso, onde o cliente pode usar uma peça que nunca compraria, porque talvez é muito cara, ou porque seja uma peça que usaria somente uma vez. Essa ideia é muito valorizada atualmente seguindo a política de “comprar menos e compartilhar mais”

Ao final, com toda essa discussão sobre os novos caminhos do varejo de moda, sabe-se que muitos e-commerces ainda não dão lucro, seja pela logística com custo altíssimo ou o custo de aquisição do cliente, entre outros motivos.

Por isso, mais uma vez, é necessário aliar essa compra online com a jornada física para ter uma maior rentabilidade. Segundo Isabel, dentro desse processo, é muito importante conhecer o seu cliente. “Você só vai trazer o seu cliente, se resolver o problema dele”, afirma.

E, por fim, elas resumiram dicas preciosas para seguir no mercado com sucesso.

Para Andrea, é importante integrar varejo e mídias. A loja atua como uma produtora de conteúdo, pensando como LAB, com novas ações como customização de peças, transmissões ao vivo com personal stylist oferecendo consultorias e também investir no varejo de segunda mão.

Isabel pontua a experiência na loja, preocupação com a logística, eliminar barreiras entre o on e off-line e, principalmente “o novo varejo é sobre entender o seu cliente, com base em dados“.

Fonte: Vanessa de Castro | Foto: Divulgação