O que é etapa seca e etapa úmida do jeans

Jeans: palavra tão simples de pronunciar, quanto de vestir. No entanto, tão grande quanto seus caminhos no guarda-roupa pessoal, são suas rotas no chão de fábrica. Enquanto a grande maioria das criações do ciclo da moda evoluem da etapa criativa para os processos de modelagem e manufatura, ele segue para uma trajetória maior. São longos os caminhos que distanciam o jeans do consumidor final. São ricas as singularidades que o tornam um setor a parte da moda. E por fim, são extremamente atraentes as alquimias que o envolvem. Entre a idealização e o fechamento da peça – no jeans não temos seu “gran finale”. Antes disso, ele passa por duas etapas de acabamento – a etapa seca e a etapa úmida. Para você, denim lover que está se iniciando nesse imenso e consistente setor, preparamos um material esclarecedor dos caminhos pelo qual todo o jeans obrigatoriamente transita, antes de chegar ao consumidor final.

Etapa seca – Dry Process

A etapa seca consiste em tudo o que é feito manualmente em um jeans antes que ele seja enviado à lavagem. Literalmente é o processo seco. Nos processos tradicionais do jeans, essas etapas consistiam em rasgos manuais e lixas de papel, jatos de areia e rasgos de tecido envolvendo bastante o trabalho braçal do homem. Exemplos de efeitos criados nessa etapa, são os devorês, o ripped, os bigodes, rabiscos, frayed e puídos. Hoje porém é importante destacar, que a variedade de processos secos está cada vez maior e mais mecanizada. As mesmas aparências criadas pelos rasgos, efeitos de lixas, jatos de areia e desbotamentos são obtidos pela aplicação da tecnologia do laser.

A etapa seca do jeans hoje, inclui também uma pegada forte de estamparia, já que o laser acabou levando essa linguagem para dentro das lavanderias. Podemos dizer o mesmo dos bordados – cada vez mais constando dentro das empresas especializadas em personalizar os jeans com processos secos.

Etapa úmida – Wet Process

É tudo o que é feito com uso de água e alquimias úmidas no jeans. Após rasgado, lixado e trabalhado de modo artesanal o jeans é colocado em máquinas de lavanderia para amaciar, trabalhar suas nuances, incluir tingimentos, neutralizar, etc. É aqui que nos processos antigos, e em alguns casos nos atuais, são definidas as combinações químicas para acabamentos com ácidos, tingimentos ou mesmo uso de pedra. É nesta fase também, que o denim sofre encolhimento – redução de medidas na sua largura – característica que deve ser prevista na modelagem e observada nas fichas técnicas para evitar o fracasso da ideia inicial. Nessa etapa, define-se se um jeans vai ser delavé, manter seu look escuro, combinar tingimento colorido com fundo ácido, etc.

Temos também efeitos fast-pin (quando peça vai com grampos para ganhar marcas de lavanderia) ou amarrações com corda (alguma calças jeans seguem com entrepernas amarrado para lavação. E novamente atualizamos esse processo da etapa úmida, trazendo-o para os contextos atuais, lembrando que trata-se de uma etapa que está gradativamente reduzindo o uso de água como ideal de eficiência. Também os produtos químicos estão buscando formatos cada vez mais biodegradáveis. Nebulização, entre outras técnicas estão pouco a pouco, buscando dar à etapa úmida do jeans uma cara mais seca.

Após esses dois processos – que integram os processos de lavanderia como um todo – o jeans segue para seus acabamentos: costura da etiqueta externa, colocação de rebites, minúcias, metais, tachas e acessórios. Em alguns casos, incluir a etiqueta e os metais na lavação fazem parte do design da peça para alterar seu visual inicial.

Então tudo deve ser muito bem planejado, muito idealizado para que uma ideia inicial não perca suas singularidades pelo caminho. Assim, ele chegará completo ao seu ideal final: o desejo do consumidor final. Ele que apesar de não conhecer todo esse caminho, sebe muito bem identificar pelo toque e pela coordenação dos materiais, quando existe qualidade e expertise no seu jeans.

Fonte: Vivian David | Fotos: Reprodução