O que os químicos tem para otimizar o visual colorido inspirado nos anos 90

O planejamento de uma cartela de acabamentos para o jeanswear, tradicionalmente, gira em torno de um vocabulário técnico inspirado nos tons de índigo. Mas ultimamente, tem sido iluminado pela saudosa cartela neon dos anos 90. Com o retorno colorido da década, nossas atenções se voltam para as indústrias de químicos e pigmentos. O que o mercado denim tem a disposição para tornar menos impactantes os processos de pigmentação – os quais tradicionalmente não são os menos poluentes do mercado, passou a ser “a menina dos olhos” das salas de desenvolvimento atuais.

Na carona desta tendência, além da oferta de uma cartela contemplando as cores vibrantes da década, as indústrias de químicos estão oferecendo a inovação dos tingimentos no formato de processos mais otimizados.  O barateamento do custo de produção caminha junto com a redução do impacto ambiental. Seguindo essa lógica, a Coratex, acaba de lançar o Smart Denim, um processo novo, que consegue elevar a carga das máquinas em até 40%, usando produtos biodegradáveis, aliados aos corantes da linha normal de baixo impacto. Em números, isso significa que um lote de lavagem de 145 peças (equivalente à cerca de 70 kg por máquina); consegue ser ampliado para a quantidade de 210 (cerca de 100kg).“Na prática, isso representa que uma leva que um cliente precisaria de três partidas, pode ser trabalhada com apenas duas”, comenta Fernando Siebert, diretor comercial da Coratex.

A oferta de tons pertinentes para o closet global através de substâncias não contaminantes é também o foco da Hi Tech, que dispõe de uma linha de corantes reativos bi-funcionais e poli-funcionais para tingimento através do processo biossustentável Evolution. Além do colorido sólido, o processo pode ser combinado com texturas – do laser ao efeito cotelê, e consegue também criar efeitos esfumados e coloridos que destacam as costuras e o desenho da peça. Os pigmentos, apresentam maior capacidade de agregar o tom à fibra, característica que se converte na redução na demanda de água. “Quando criamos um processo sustentável para substituir um existente, sempre buscamos reproduzir um efeito com qualidade equivalente, ou melhor – nunca em detrimento de um visual’, comenta Paulo Jório, diretor da Hi Tech.

As combinações dos processos de tingimento estão sendo oferecidos também em formatos combináveis com o bleaching. Um exemplo conta na gama de tingimentos reativos BEZAKTIV FX da CHT, que pode ser combinada com este tipo de acabamento. “Esta linha de corantes possibilita eliminar etapas nos processos, visando economia de água, energia e tempo, em busca da otimização da produção; sem esquecer as certificações ambientais, como a ZDHC”, explica Ciro Carnevalli, responsável pelo mercado de lavanderia jeans para o Cone Sul da CHT.

Os acabamentos manchados, assim como os tingimentos coloridos, são aspectos representativos dos anos 90, historicamente referenciados em alquimias indelicadas no que diz respeito à questão ambiental. Felizmente, hoje o mercado disponibiliza soluções que dispensam o cloro, e o permanganato de potássio, como o organIQ BLEACH, da alemã CHT, que recria o mesmo visual das lavagens ácidas dispensando o uso desses ingredientes. O acabamento, pode ser combinado ao sistema organIQ Biopower, o qual reproduz o visual dos acabamentos stone e super stone – sem uso da pedra pomes. ‘São produtos orgânicos, que não deixam resíduos de produtos nocivos à sociedade e ao meio-ambiente”, afirma Ciro.

No mercado, as versões eco-elegantes para o visual manchado incluem ainda, entre os processos mais avançados, opções em formato de nebulização, como o SKY OXY, da Hi Tech: sistema que contempla justamente esta tecnologia. O processo se embasa no uso de dois produtos químicos que reagem na secadora reduzindo a intensidade do azul e promovendo as manchas. Já a Coratex, dispõe do Active Jeans, processo de clareamento que remove completamente o índigo, criando um visual bastante apreciado do ponto de vista comercial; com uso de cloro, porém em percentual reduzido.

Os anos 90 como tendência, estão de volta. Amarelo, verde, coral e violeta são alguns tons neon, que tem acrescentado um toque de carisma iluminando as coleções. Mas sua permanência no mercado não será movida apenas pelo saudoso imaginário coletivo das gerações que viveram e daquelas que não conheceram a década. Mas também e principalmente, pelo respaldo de sistemas e processos de tingimento cada vez mais “cordiais” para com o meio-ambiente. Lembrando que hoje, essa visão retorna para a produção, tanto em valor imaterial, quanto no formato de sustentabilidade financeira.

Fonte: Vivian David | Fotos: Reprodução