INDUSTRIA 4.0: O futuro do tingimento do denim

A história do denim é marcada por diversos episódios, onde meros avanços resultaram em gigantescos divisores de água. Podemos falar da invenção do stonewash, que ampliou seu uso em massa. Também do poliéster e suas falas de estabilidade. Ou ainda a extraordinária ergonomia proporcionada pelo elastano. Seu trajeto futuro desta vez inspira a própria mudança, baseado nas demandas por sustentabilidade e indústria 4.0. Lembrando que a produção do material envolve um ciclo de vida mais longo, as novas ferramentas que estão sendo criadas estão promovendo mudanças para impactar toda a cadeia de suprimentos. Em especial, para aquele momento em que o setor literalmente nasce, quando a urdira do algodão se define pelo tom de índigo. Estamos diante de uma nova era na produção do tecido chave que move todo o imenso segmento jeanswear. A produção do denim via mergulho no corantes tem seus instantes contados para se tornar obsoleta.

Pelos métodos tradicionais, o tingimento do denim é realizado por diversos mergulhos sucessivos de corantes. Um processo que implica no descarte de expressivos volumes de água e ingredientes químicos no meio ambiente. Vislumbrando novos formatos que possam se encaixar na indústria 4.0 as tecelagens mais influentes estão ousando ao apostar em novas soluções: como o spray substituindo os mergulhos no corante. Uma tecnologia que usa uma máquina que já existia, mas até então eram usada apenas na etapa de hidratação dos fios: os atomizadores rotativos. Com o novo método, o spray substitui os mergulhos, logo não é mais necessário preparar e descartar grandes quantidades de corantes e produtos químicos.

Testado inicialmente na feira ITMA de Milão, em 2015; o método de tingimento de denim com uso de spray tem sido aprimorado desde então pelas companhias DyStar e Rotaspray. A otimização definitiva do parâmetros de aplicação do spray contou também com muitos anos de experiência no desenvolvimento da tecnologia com parceiros do Brasil. Batizado com o nome de Rotaspray, o método carrega importantes certificações ambientais, e oferece ampla flexibilidade para produções tanto em folhas quanto rolos, de pequenos a grandes lotes. Seus ingredientes incluem o DyStar Indigo VaT 40% – rotulado como o indigo mais limpo do mercado. Sua aplicação, de acordo com as companhias, reduz o uso de sódio e hidrasulfito em 99% e em um descarte menor de água no meio ambiente.

Artistic Fabric & Garments Industries (AFGI) já anunciou que será a primeira fornecedora de denim equipada com a tecnologia de tingimento Rotaspray no Paquistão. A primeira coleção, deverá incluir tecidos com fibras tingidas, que permanece com visual não lavado para sempre, e denim colorido sem desperdício de água. AFGI tem exclusividade nesta tecnologia pelo período de um ano. De acordo com a companhia, a performance é tão boa quanto seus benefícios sustentáveis. Seguindo caminho similar, Orta Anadolu divulgou a adesão completa ao conceito Orta Blu a partir da temporada de Verão 2019. De acordo com ela, Orta Blu identifica produtos feitos com uma ampla variedade de processos sustentáveis, entre os quais o Indigo Flow: método que usa 70% a menos de água e economiza energia já que não necessita de aquecimento para aplicação. Além disso usa apenas ingredientes com certificação, menos químicos no processo e trata toda a água dispensada.

O mercado já está esboçando que o futuro do tecido passa inevitavelmente, por novos caminhos para o seu tingimento. E essa travessia, se bem sucedida, promete pintar a indústria do vestuário com uma variedade de tons de índigo, ainda maior. Aguardemos!

Fonte: Vivian David | Fotos: Reprodução