Passado, presente e futuro unem a moda nas macrotendências apresentadas por Andrea Bisker

Andrea Bisker, da consultoria de tendências, Stylus apresentou durante a última edição do Senac Moda Informação, o talk: Macrotendências Estéticas, com as principais referências nesse novo mundo da moda.

“Atualmente o mundo é volátil, incerto, imediatista e muito complexo. Precisamos ser ágeis e apostar em duas palavras essenciais: empatia, que é enxergar pelos olhos dos outros e propósito, que é o que nos move”, afirma Andrea. E continua: “As pessoas amam marcas que amam pessoas. Se você tem uma empresa precisa ter sinergia, empatia e fazer a diferença no mundo. As pessoas não compram o que você faz. Elas compram o porquê de você fazer isto”.

Macrotendências

Recharge (Recarregar): Aqui o consumidor anseia uma vida extrema, repleta de aventuras, com opções radicais, ao ar livre, saindo da rotina estressante e buscando se reconectar consigo mesmo, unindo também mente e espírito. Para eles o sentido da vida está na experiência e não nas coisas materiais. O segmento esportivo invade diferentes segmentos com peças minimalistas, que ganham conforto, novas tecnologias, toque suave e uma paleta de cores suaves, além do mercúrio, concreto, branco, uva, pink e vermelho. Materiais sustentáveis estão em alta, assim como o algodão. Ainda surgem listras esmaecidas, efeitos degradées, sprays. Conforto e elegância andam juntos em modelos oversizeds, silhuetas amplas e formas modernas. A busca pelo bem estar aposta em tecidos que aliam respirabilidade, regulação da temperatura, maciez e soluções de materiais sustentáveis.

Repurpose (Reaproveitar): Aqui devemos repensar o upcycling. Menos de 1% de tecidos usados para fazer roupas é reciclado. “Há uma revolução liderada pelo consumidor nesse sentido e as marcas vêm aderindo à isso. Os consumidores se envolvem com os processos sustentáveis das marcas”, comenta Andrea. Segundo ela, marcas inteligentes estão investindo na moda de segunda mão, recompram peças usadas dos consumidores ou apresentam total transparência de suas ações. O vintage mescla peças antigas com novas e territórios como a África inspiram a simplicidade do povo, suas tradições, artesanato, com uma abordagem mais humilde em relação aos materiais. Os tons passeiam entre o terrosos, vermelho, amarelo, azul escuro, vermelho alaranjado, índigo, concreto e creme.

O jeans reaproveitado é muito importante, além das estampas personalizadas, bordados, costuras e apliques, sempre com toques do hand made, onde entram ainda tradições e o trabalho em comunidades carentes. As roupas podem ser cocriadas e o streetstyle une o lixo e o luxo. “Vá atrás dessas inovações, busque inspiração em todos os lugares. Tome uma posição importante – não envie resíduos para outros lugares do mundo. As empresas precisam ir além do propósito, sair na frente e assumir grandes movimentos”, comenta Andrea.

Revive (Reviver): Aqui a história da arte traz o passado e o torna relevante para a vida moderna trazendo à tona a nostalgia da geração Z e, mesclando várias décadas. As coleções ganham ares de obras de museus mesclando criatividade e romantismo e com foco na sustentabilidade e no aspecto vintage. Cores vibrantes e otimistas chamam atenção, como o pink, amarelo, laranja, verde vivo, branco brilhante e o cinza para dar um contraponto. O novo e o velho se juntam em tecidos tradicionais que se tornam modernos. As estampas carregam histórias e a decoração se torna presente em uma moda retrô com mangas bufantes e, plisssados. “Explore seu próprio arquivo, revivendo coleções antigas através de novas revoluções, invista em roupas casuais que atravessam temporadas”, diz Andrea.

E, por fim Andrea acrescenta: “Pense na exposição como uma experiência de varejo. Os consumidores querem cada vez mais uma experiência no ponto de venda, principalmente a geração Z”.


Fonte: Vanessa de Castro | Fotos: Divulgação