Quem educa consumidor na compra de um jeans sustentável?

Denim insiders, tecelagens, lavanderias, fabricantes de insumos e observatórios de tendências. Todos estamos de olho nas inovações e rupturas, capazes de tornar a fabricação do jeans menos constrangedora do ponto de vista ambiental. E são muitos os avanços nesta área, ao ponto de converter o setor de vilão a orgulho na pirâmide dos lançamentos da moda. Mas a questão é, além dos próprios fabricantes, quem está educando o consumidor para a compra de um jeans sustentável?

Fabricantes geralmente transmitem tais informações por campanhas, tags, e selos sinalizando uma postura eco-friendly. No entanto, estas são informações que geralmente chegam ao encontro do consumidor na etapa da compra de um jeans. O que analisamos aqui é a cultura da compra sustentável, o valor de uma roupa com procedência, que chega ao consumidor no momento em que ele não está em busca de um bem mas sim da construção do próprio estilo. E a resposta não poderia ser mais óbvia (e favorável) para a indústria.

As revistas de moda, emergem como mais novas aliadas dessa missão. Publicações esclarecedoras, inclusive citando tecelagens, litros de água usados no passado e economizados no presente, além de produtos químicos, emergem como pautas recorrentes nesse importante veiculo de divulgação e conversa com o consumidor final. Nessas publicações, o consumidor de jeans começa a se familiarizar com nomes de tecelagens ligados à palavra mágica do nosso setor: sustentabilidade.

Marie Claire americana apresentou uma matéria completa dedicada ao tema. As marcas Madewell e Reformation, conhecidas pelo modo de confecção sustentável, são citadas. O texto é bastante didático, e aborda desde a história do jeans, até o volume anual de compras do nos Estados Unidos, somado a sua conversão em litros de água e substâncias perigosas descartadas.

Após essa introdução, a matéria apresenta ao consumidor a fabricante Isko, e resume suas principais inovações com apelo eco-friendly: a reciclagem de garrafas pet em variedades de denim, as certificações, e mesmo as inovações ligadas ao elastano que previnem o efeito “baggy” no joelho das calças.

No blog da Vogue Brasil, também encontramos evidências do quanto as revistas de moda estão se incluindo nessa missão. Em maio deste ano, o site da revista publicou as dez marcas de jeans mais sustentáveis. Mesclando marcas internacionais e nacionais, o veículo citou Adriano Goldschmied, a estilista brasileira Barbara Casassola, Outland Denim, Nudie, DL 1961, AG Jeans, M.i.h, Re/Done, a londrina E. L. V. , Everyone e Reformation.

Um tanto quanto inacessíveis para o consumidor final, já que a maioria das marcas são “gringas”, salvo uma nacional de alta moda. No entanto a divulgação cumpre o papel de esclarecer a importância do algodão orgânico e reforçar a imagem da sustentabilidade relacionada à estilo pessoal e bom gosto.

O papel de prêmios e certificações, em nosso país, também estão sendo confiados às revistas. Um deles é o prêmio Muda, iniciativa das Edições Globo Condé Nast para promover e multiplicar práticas sustentáveis nas indústrias de moda, beleza e design do Brasil que este ano realizou sua primeira edição; e premiou Ronaldo Silvestre e a marca Athom na categoria pequenas empresas, e na categoria grandes empresas contemplou o Grupo Malwee e a fabricante RHODIA.

No ano passado, a página do evento no site da revista, já bastante ativa, dedicou uma publicação completa a Damyller, esclarecendo os avanços em sustentabilidade, condutas éticas e ações da empresa e relativos à coleção ECODAMYLLER  — veja o vídeo da campanha abaixo.

O publico masculino também está encontrando conteúdos relacionados ao tema em suas revistas favoritas. No site inglês da GQ Magazine, a revista investiu no mesmo perfil de publicação em março deste ano. As cinco marcas de jeans mais sustentáveis que vestem o homem atual, de acordo com o veículo, novamente mencionam a Re/Done e incluem na lista nomes como Outerknown, Marks & Spencer, Patagonia, e Levi’s. Além do algodão orgânico, o critério é também a reciclagem de água, e aqueles números tão elegantes comunicando redução no uso de água e energia.

Aqui no Brasil, vemos as tecelagens e fornecedores de tags e etiquetas trabalhando juntos em prol dessa divulgação. Mas as publicações de revistas e blogs, ainda citam prioritariamente marcas internacionais com apelo eco-friendly. Alertamos nossos leitores para a oportunidade de se conectar com o consumidor final também por esses meios, divulgando as marcas brasileiras que estão avançando nesse caminho e também merecem ganhar visibilidade.

Fonte: Vivian David | Foto: Reprodução