Review dos lançamentos apresentados na edição londrina da feira

A sustentabilidade figura a nova imagem do básico, dando ênfase no visual decorativo do denim e qualidades multifuncionais. Esses apelos comerciais foram sinalizados pela Denim by Première Vision Londres, que aconteceu entre os dias 5 e 6 de dezembro. Ao longo do evento, entre as muitas novidades, os organizadores da feira anunciaram que a edição de junho de 2019, irá acontecer no Superstudio em Milão. Enquanto a de dezembro de 2019 retornará a Londres. Este anúncio desapontou alguns envolvidos devido à colisão de datas de com a Kingpins Nova Iorque e com o final do Ramadan, festival chave em países muçulmanos.

Guglielmo Olearo, diretor da Première Vision comentou: “Considerando que a próxima edição irá coincidir com a Kingpins Nova Iorque nós pensamos que pertencemos a um mercado diferente, assim como nossos visitantes estão muito além do mercado five-pockets.” Questionado sobre o final do Ramadan, comentou: “estamos considerando a possibilidade de antecipar a feira em uma semana. Neste momento estamos averiguando essa possibilidade.”

A edição recém encerrada manteve a identidade internacional, segundo os resultados coletados ao fim do primeiro dia, com um amplo público, sendo composta por um público britânico de 47% e 53% estrangeiro. Na cobertura foi registrado aumento de 30% da visitação, em relação a edição anterior, mesmo que o segundo dia tenha sido mais calmo.

Entre o público principal estavam diversos especialistas do mercado, provenientes de marcas como Dior, Ginvenchy, Paul Smith, Giorgio Armani, Tommy Hilfiger, Levi’s, All Saints, Asos, Celio e Next, entre outras.

O evento agrupou tendências e novidades que vão caracterizar o Verão 2020, entre elas um sortimento de tecidos mais decorativo lançado pela PG Denim, que explora superfícies metálicas, tecidos prontos para o tingimento, além do animal print alterado por glitter e a contradição do denim rígido com visual de renda resinada. A linha PG Studio 54 também ofereceu uma série de tecidos luminosos inspirado na paleta oitentista. Já Berto focou novas efeitos e padrões na superfície dos tecidos. Bauhaus, comemorando seus 100 anos de trajetória, criou uma coleção reinventando motivos geométricos, reproduzindo efeitos como o jacquard, padronagens únicas de listras multicoloridas, além de quadrados e círculos em astral altamente artístico designados à tecidos de algodão.

Outras empresas, focaram a reinvenção do passado referenciando-se nos tecidos icônicos atualizados por novas propriedades e funções. Orta, em colaboração com o Vintage Showroom, apresentou tecidos inspirado nas peças icônicas do passado como o Levi’s 501, ou Wrangler broken Twill diferenciadas pelo elastano com performance de ponta. Também redescobriram o Jelt Denim da Lee, através da oferta do tecido em algodão reciclado. Chottani junto ao Tencel da Lenzing e Swarowski ofereceram misturas inovadoras em índigos com toque de cetim, decorados com aplicações de cristal. Cone denim lançou um novo sortimento para camisas e ofereceu uma série de tecidos com marcações de costuras, separadas por estilos.

O Denim de acordo com a feira, está se transformando em sinônimo de tecnologia. Iskur Denim apresentou tecidos com bordas inacabadas acrescentados de T-400 em diferentes cores e variações de peso. Já Asana, apresentou um agrupamento de tecidos com efeitos ópticos, com alta elasticidade, além do Retrô, um tecido inverso naturalmente elástico com composição 100% algodão. Já Evlox lançou sua nova linha Bionim, diferenciada por funções especiais, como antibacteriana, transpirabilidade, repelência a água, resistência ao rasgo, e propriedades térmicas reguladoras, entre outras.

E a sustentabilidade, por sua vez, foi sinalizada pelo evento como o novo básico do setor, figurando como elemento crucial para a indústria. Ilustrando essa direção, Vicunha lançou o Absolut-Eco, um denim desenvolvido em colaboração com Adriano Goldshmied, com visual bleached obtido sem uso de químicos perigosos. O tecido foi feito a partir da reciclagem do próprio acervo da companhia, o qual foi rasgado, novamente fiado, e misturado ao algodão novo. “Este denim foi concebido no formato mais sustentável possível, afirmou Goldschmied, o guru do denim.” Já Uco-Raymond antecipou as comemorações do seu aniversário de 100 anos em 2019. Considerando a companhia pioneira nos coloridos em 1974, para a ocasião da feira, a Uco lançou uma seleção de denim colorido, reformulada por uma versão de tingimento eco-friendly, desenvolvida em colaboração com a Archroma. Berto, por sua vez, lançou uma seleção de jeans confeccionados com o denim Pianeta, um tecido obtido a partir dos descartes da Berto em sua própria produção, misturados ao cotton novo.

Em acréscimo, essa seleção de tecidos foi tratada pela lavanderia Everest, com uso do software EIM da Jeanologia, aquele que mensura o exato impacto ambiental de cada peça. Já a Cone Denim, ofereceu uma linha de tonalidades naturais com fibras reaproveitadas obtidas a partir de 17 garrafas PET combinadas ao algodão novo e modal. E por último, a Kilim Denim, lançou sua nova linha Cactus, uma seleção de denim produzida com economia de 98% de água quando comparada com os métodos de produção tradicionais, além de outras variedades de tecido dotadas de algodão orgânico, reciclagem de garrafas PET, e tingimento dispensando uso de hidro sulfito.

Fonte: Vivian David | Fotos: Denim Première Vision