Ruedi Karrer abre o seu baú de preciosidades e conta um pouco sobre o seu amor pelo Jeans

Ruedi Karrer, geólogo por formaçao, é apaixonado pelo jeans desde a sua juventude, e criou na cidade de Zurique, o primeiro museu do jean suiço, com peças originalmente vintage.

O objetivo de Ruedi através do museu é mostrar aos visitantes um jeans novo (Raw) antes de ser usado, e depois, após muito tempo de uso. Ele acredita que o jeans mostra um pouco da vida de uma pessoa, o seu estilo, sua personalidade e sua profissão, o que considera algo muito especial. Assistir a reação do público ao se deparar com as peças expostas e descobrir um pouco mais sobre suas histórias, é a maior satisfação para o geólogo.

O Guia JeansWear foi conferir de perto esse baú de preciosidades em denim e saber com Ruedi Karrer sobre os mistérios sedutores desse produto milenar.

Guia JeansWear – Como surgiu a ideia do museu?

Ruedi Karrer– Na época da adolescencia só existiam as calças de veludo cotelê, e quando eu vesti o meu primeiro jeans, me apaixonei pela transformação que ele sofria a cada uso. Com o tempo, imaginei criar um museu das minhas próprias peças. Foi quando comecei a receber doações de peças da família, que é bem grande.

GJ – Onde você busca as peças para o museu do Jeans?

RK– Muitos colegas me presenteiam com jeans. Eu compro algumas no EBAY (site de compras) e também procuro em brechós no mundo todo.

GJ – Qual a peça mais antiga do acervo?

RK– A mais velha é uma peça sem tingimento de 1930.

GJ – Onde você encontrou esta peça?

RK – Em um brechó nos Estados Unidos, há 15 anos.

GJ – Quando você comprou esta peça, quantos anos de uso ela tinha?

RK– 72 anos

GJ – Qual o jeans mais caro que você tem?

RK – Um IRON HEART de Tokio, no Japão, que vale cerca de 400 Euros.

GJ – Você conhece outras marcas japonesas além da Iron Heart ?

RK – Ahhh as marcas japonesas…sim, a Big John, Kapital, Edwin, Evisú

RK – [Comentário do Ruedi] Eu conheco uma marca muito boa do Brasil, a USTOP é a única que eu conheço.

GJ – Você tem uma USTOP no acervo?

RK – Sim, tenho, mas é difícil de encontrar nesse momento.

GJ – Vejo que você tem marcas do mundo todo. E da Suiça, também tem?

RK – Tenho aqui a Rokker Jeans e a Opa Real Classic, marcas da Suíça. A Opa Real Classic é de Zurique, tem 2 anos de vida e é produzida fora do país.

GJ – Aqui é só museu ou você também vende as peças?

RK – Somente museu, a minha satisfação é somente observar a reação do público que o frequenta, comentar sobre minhas experiências e contar a história das peças que coleciono.

GJ – Tem gente que vem no museu e te oferece dinheiro pelas peças?

RK – Sim, mas eu não vendo nada!

GJ – O Renzo Rosso já te ofereceu 1 milhão de dólales pelo seu museu? [risos]

RK – [Ruedi ri antes de responder] Não, ele tem seu próprio e grande museu, não precisa das minhas peças!

GJ – Por que os adoradores do selvedge usam uma peça por tanto tempo sem lavar? Qual o motivo?

RK – O motivo é simples, quando você lava a peça, naturalmente sua cor original vai se extraindo. O próprio jeans quando não é lavado, pelo simples contato com o ar já sofre reação. Eu me nego a usar uma calça lavada, todas as peças que uso são Raw, eu crio os efeitos delas com o uso. Jeans sem lavagem é o mais querido desde muitos anos e para algumas pessoas ele é muito atrativo por causa dessa metamorfose. Quando compro minhas calças para fazer as tais experiências, sempre escolho tamanhos maiores que o meu, pois não corre o risco de transpirar e produzir mal cheiro, porque uso durante 2, 3, 4, 5 anos. , Além disso, o jeans puro, o “Konigsblau” (como se fala em alemão), quando é lavado uma vez, nunca mais terá algo parecido com a cor original. Por isso muitos amantes do jeans selvedge brigam com suas mães, namoradas ou esposas para não colocarem uma calça para lavar, pois querem ter a calça na cor original e com os desgastes que ela terá por conta do uso. A intenção é não lavar a calça e deixar que ela crie naturalmente os bigodes e marcas que é individual de quem a usa.

GJ – Qual tipo de lavagem ou efeito que mais te atrai?

RK – Dentre os muitos tipos, jelow cast, green cast, e até o jeans sem lavagem. O meu preferido mesmo é o green cast, um azul puxado para o tom esverdeado.

GJ – Conte para o público do Guia JeansWear sobre algumas histórias de peças caracterizadas por quem a usou.

RK – Tenho dois modelos de calça utilizado pela mesma pessoa. Uma, era de um marceneiro, que usou a mesma peça durante 10 anos, e mesmo com o passar do tempo, depois de lavada, as marcas não saíram e o amarelado permaneceu.
Tenho uma calça Levi´s que foi usada por um Cowboy nos Estados Unidos, as marcas de amassado e craquelados abaixo da canela são por conta dele sempre enfiar a calça dentro das botas. Ele também sempre levava a mesma faca no bolso, e essas marcas permaneceram mesmo com o tempo.
As características são muito individuais de pessoa para pessoa, você não encontra uma igual. Usar pacote de cigarro no bolso, hoje em dia os celulares, tem pessoas que esfregam as mãos na calça sempre no mesmo lugar, cada pessoa cria seu estilo.
No acervo também tenho uma Brutus jeans da Inglaterra, a primeira marca de jeans a fazer uma campanha publicitária com música em 1974 e que estourou nas paradas musicais da época, isso foi um acontecimento.

Fonte: Iolanda Wutzl | Tradução: Gislaine Tiago | Fotos: Equipe Guia JeansWear