Sarjas e denim raw permeiam as coleções na Casa de Criadores

O segundo dia da 46ª edição da Casa de Criadores contou com alfaiataria, design, cores diferenciadas e volumes.

A marca Koia apresentou a coleção Caule com inspiração na paixão, forma e textura presentes em aquarelas botânicas de diversas espécies. Das tulipas aos cardos, das rosas as hortênsias. Aqui entram volumes, dobraduras, franzidos, shapes amplos, estampas florais na cor púrpura, além do preto, off-white, ocre e rosê. Sarjas de algodão surgem juntamente com tecidos fluídos em tops, vestidos, blazers, quimonos e casacos acinturados.

Not Equal, fundada em NY em 2013, explora a inovação criativa através da moda e da arte. Com o tema Art Brut, a marca tem como inspiração o movimento artístico criado por Jean Dubuffet em meados dos anos 40 com criações que buscavam o escape da alma, em peças que fogem do padrão, com alfaiataria desconstruída, modelagens transpassadas, dobras e, recortes. Tons acinzentados, branco e marinho surgem em vestidos, calças e batas, sempre desestruturados.

David Lee traz peças urbanas, esportivas e com aspecto de alfaiataria e militarismo mesclados à elementos artesanais, principalmente o crochê. A coleção trabalha com macacões, calças, jaquetas e casacos – que exploram o lado mais funcional das formas da roupa juntamente com o handmade. Entre os tecidos, destaque para a sarja, denim, tricoline e crepe de malha e cores como o branco, off-white, azul claro, mostarda, bordô, laranja e preto.

O jeanswear ganha lindos trabalhos de respingos de tinta em lavagens mais claras e reservas de cor, além dos artigos com fibras nobres, leve brilho e somente amaciados em camisas e calças confortáveis.

Diego Fávaro apresentou a coleção Placebo, uma experiência de construção com um novo olhar sobre como vestimos nossos corpos, em uma performance de dança na passarela. “O Placebo é conhecido como tratamento alternativo para buscar a cura em determinadas doenças, físicas ou emocionais”, afirma o estilista.

“Pensando desta forma, vemos que nossa mente controla absolutamente tudo o que acontece em nosso corpo, o mesmo poder que ela tem de destruir, ela tem de curar. Com isso, estamos trabalhando pensando em corpos, em anatomias e criando técnicas manuais de estamparia que transforme cada peça, única”, completou.

O denim moletom ganha marmorizados e reflete o aspecto esportivo e o conforto necessário para esse novo corpo em movimento. Leggings, tops, macacões também ganham estampas exclusivas que lembram manchas.

Rocio Canvas extrai a beleza do cotidiano e traz uma reflexão sobre o retorno “para dentro”, fugindo um pouco da super exposição com a internet. “A coleção fala sobre o conforto de estar em casa, o cotidiano visto de dentro para fora”, afirma o estilista. A atmosfera elegante decadente criada como pano de fundo obviamente é um artifício para mostrar que se arrumada e confortável em casa, arrumada e pronta para a vida.

Neste laboratório criativo, que rompe com os códigos de vestir, a roupa para ficar em casa é um look conceitual e de ir à padaria um vestido longo para a noite. Tecidos nobres, estampas pinceladas, ternos e vestidos desconstruídos fazem parte da coleção que inclui sarjas de algodão estruturadas em diferentes tons como o branco, preto, off-white e marrom.

Felipe Fanaia traz como inspiração o tradicional ABC bailão, localizado no centro de São Paulo, ele reúne gays com mais de 40, 50 anos, um espaço democrático, onde não existe padrão de beleza e vestimenta a ser seguido. A marca aposta em sobreposições, volumes, macacões, camisas e calças amplas numa alfaiataria moderna.

Fonte: Vanessa de Castro | Fotos: Agência FotoSite