Tendências, comportamento e negócios no Senac Moda Informação 2018

Já abordamos aqui diversas vezes que o mercado de moda no Brasil é tão amplo que em cada região ou para cada segmento há características únicas e singulares que precisam ser percebidas e estudadas. E, por isso, há espaço para diferentes abordagens e discussões acerca de uma assunto em constantes mudanças.

Uma fatia desse mercado busca por ideias criativas, conceitos, o mundo fashion do futuro que já vem sendo trabalhado aos poucos e que promete surpreender cada vez mais. Muito além das tendências pautadas por estações, o novo formato do Senac Moda Informação discute plataformas inovadoras de negócios, pesquisas, comportamento, desenvolvimento de produto e, principalmente, como lidar com essa geração de consumidores super antenados.

A primeira edição do Senac Moda Informação 2018 aconteceu no último dia 5 de abril no Centro Cultural B_arco, em São Paulo e abordou assuntos diversos como Omnichannel, com o diretor da Amaro, Daniel Milaré; Macrotendências Estéticas, com Iza Dezon, consultora de Research & Future Insights da Peclers Paris e Tendências Aplicadas, com Pérola Corazza da Le Lis Blanc, Maurício Fernandes, consultor especialista em design emocional e Andressa Nóbrega, da Shorts&Co. Além disso, Daniel Funis, diretor da Farfetch no Brasil, falou sobre e-commerces de moda; Marina Colerato, do Modefica, e Joyce Prestes, do Think Eva, abordaram a apropriação de discursos e transparências; Karin Feller, da Di Gaspi, falou sobre criação para o grande varejo e por fim aconteceram Talks sobre cobranding e diversidade, além de Mentorias para projetos da área de moda e afins.

Confira alguns dos assuntos abordados durante o Senac Moda Informação.

A coach e headhunter em moda, Angela Valiera, mediou as conversas e abriu o evento falando sobre as novas plataformas do mundo da moda como os vídeos e frisou que é preciso ressignificar a pesquisa de tendências com foco na marca a partir de experiências, incentivando o mercado e mantendo o foco na visão de mundo das pessoas a partir do seu contexto individual. Atualmente, é importante interagir com seu consumidor, se permitir deixar todos os seus conceitos do lado de fora e se abrir para coisas novas e diferentes.

No Talk sobre Tendências Aplicadas, a consultora Andressa Nóbrega, da Shorts&Co., afirmou que os principais pilares de uma marca são o produto, coleção e qualidade e que é muito importante definir o lifestyle de seu cliente. “Na Shorts&Co. temos vários tipos de homens e seus lifestyles, como o tradicional, sofisticado que preza pelos detalhes, Soul, mais aventureiro, gosta de estampas que remetem à natureza e o Party Boy, que abusa de padronagens lúdica”, afirmou Andressa.

Maurício Fernandes, que já trabalhou na Grendene, valoriza o lado emocional da moda. “A tendência tem grande responsabilidade no contexto emocional. Ela poderia ser como a chuva, vem e molha a superfície tornando-a mais bonita”, comenta Maurício. O consultor abordou também as transformações que vêm ocorrendo dentro do segmento infantil, como a busca pelo acolhimento, carinho, eterna juventude, alegria e descontração e o lado lúdico.

Pérola Corazza, modelista da Le Lis Blanc, comentou sobre o seu papel dentro do desenvolvimento de uma coleção, onde é preciso co-criar em cima do moodboard do que foi pedido. “É um trabalho de construção de pequisa de materiais, modelagens, inspirações abstratas, diferentes processos para chegar ao produto final”, comentou Pérola.

Dentro da Resenha Fashionwash, Joyce Prestes, publicitária do Think Eva, e Marina Colerato, fundadora do site Modefica, abordaram a comunicação entre as marcas e seus consumidores, que valorizam cada vez mais a transparência e verdade nessa relação.

A Think Eva, por exemplo, ajuda as marcas a fazerem uma comunicação condizente com a mulher atualmente. “O feminismo gerou moda e feminismo não é uma moda, mas uma realidade. É um movimento importante, mas não pode ser encarado como uma causa conveniente”, disse Joyce, que trabalha em dois pilares: educação – através de workshops e palestras dentro das empresas, e estratégia – em ativações com as marcas e agências. Dentro desse contexto é muito importante não somente colocar negros ou gordinhos esteriotipados em comerciais e propagandas ou ainda falar que é uma empresa sustentável e igualitária, se não respeita às legislações do trabalho ou meio ambiente. É preciso mais ação e menos propaganda enganosa; “É importante manter a consistência na sua comunicação, senão o consumidor vai perceber que a mensagem não é verdadeira”, afirmou Joyce.

Na Arena Nacionais x Internacionais, a diretora criativa da Di Gaspi, Karin Feller, falou que precisamos sempre entender o mercado e o cliente. A estilista que já participou da Casa de Criadores com coleções super autorais, se viu em meio à um grande empresa na Di Gaspi, que reúne 42 lojas no Estado de São Paulo com uma variedade enorme de produtos para os segmentos infantil, masculino, feminino, fitness e acessórios. “Um bom profissional precisa saber se reinventar conforme a necessidade”, disse Karin. E lá, ela pode levar toda sua bagagem de pesquisas de tendência para um público que também gosta de novidades e apelo fashion. “Não podemos colocar para vender somente o que já está fazendo sucesso, porque o tempo de duração no mercado será muito curto. Precisamos saber o time de cada item e a hora certa de entrar na coleção”, comentou Karin.

Ela deu como exemplo as pantacourts tanto em calças quanto em macacões, que antes não eram bem aceitas pelos executivos da Di Gaspi como uma “tendência vendável”, mas Karin soube colocar no momento correto essa referência e vendeu muito bem, porque tinha preço, qualidade e informação de moda. Iniciou com uma collab sob sua assinatura e atualmente a empresa pretende, em breve, lançar uma marca própria.

A relação entre a moda nacional e internacional também foi abordada por Karin. Ela acredita que o varejo daqui entende muito mais o gosto dos brasileiros. Existe hoje no mercado uma consciência que vem crescendo que é a valorização do produto interno. Segundo ela, é preciso incentivar a produção local.

E, por fim, Karin dá algumas dicas para o desenvolvimento de uma coleção: estudar muito, se permitir ser imperfeito para acertar, ser incansável, fazer pesquisas até encontrar um fio condutor que vai fazer sucesso.

Fonte: Vanessa de Castro | Fotos: Renato Souza – Soul Art